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Diogo Santo

Vaiapraia: “A lei só é lei porque alguém decidiu que era. Devíamos pensar e agir mais e não ficar apenas a falar com os amigos no Facebook”

Em entrevista à BLITZ, Rodrigo Vaiapraia fala sobre as implicações da pandemia de covid-19 na sua vida e na vida do povo português: "citando as palavras dos Aqui d’el-Rock: ‘Há que Violentar o Sistema'”

Rodrigo Vaiapraia editou o seu segundo álbum "100% Carisma" no passado mês de junho e, em conversa com a BLITZ, falou não só sobre as novas canções como também sobre a forma como a sua vida profissional está a ser afetada pela pandemia de covid-19. "Em termos materiais é uma coisa que, como acontece com qualquer outra pessoa, nem quero dizer só com qualquer outro artista, provoca precariedade... e, à partida, vai haver uma grande crise", começa por dizer, "mas fora isso, em termos criativos isto exige que pensemos em criar um circuito verdadeiramente alternativo e, porque não?, clandestino, na forma de expor e de ter acesso à arte".

"Acho realmente importante criar redes", continua, "é muito assustador, para mim, que todas as atividades que impliquem as pessoas estarem em comunhão sejam as que estão a ser canceladas, por razões óbvias. É muito assustador porque todos os movimentos de resistência surgem daí, de quando as pessoas param de pensar nelas próprias e se juntam. Portanto, acho que tem de haver mais insurreição". O músico acredita que é preciso estar atento "à maneira como esta pandemia está, efetivamente, a servir enquanto plataforma para que muitos estados, incluíndo o português, vão lentamente retirando liberdades... Algumas coisas não fazem sentido absolutamente nenhum".

Citando a canção 'Há que Violentar o Sistema', dos Aqui d'el-Rock, "supostamente a primeira banda punk em Portugal", Vaiapraia acredita que "a ideia é um bocado essa": "a lei só é lei porque alguém decidiu que era lei. Não tem que ser a lei. Devíamos pensar um bocadinho mais… E não só pensar e ficar numa torre de marfim a escrever um doutoramento sobre isso, ou ficar a falar com os amigos no Facebook. Temos de fazer algo, ativamente. Com esta minha nova banda, sinto esse ímpeto à ação".

Recorde-se que antes de "100% Carisma", Rodrigo Vaiapraia estreou-se, em 2016, com o álbum "1755", assinado como Vaiapraia e as Rainhas do Baile. No novo longa-duração, o músico de Setúbal conta com produção de Adriano Cintra, fundador das brasileiras Cansei de Ser Sexy, e a colaboração de Luís Severo. Lora Logic, saxofonista dos extintos X-Ray Spex, participa no tema '2003' e João Abelaira Nascimento em 'Interlúdio do Salmão'. Ouça e veja o vídeo de 'Fogo Fera'.