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Amália, quando eras francesa

A questão da tradução, como na poesia, não se coloca em “Amália em Paris”, uma caixa com cinco CD que recupera várias das suas atuações na capital francesa

Amália em Paris” tem todas as vantagens da fixação da discografia de Amália já sublinhadas em outras ocasiões, desde que Frederico Santiago encetou um programa de reedições que, mais do que restaurar as gravações já conhecidas, ousou também explorar não só os arquivos da Valentim de Carvalho mas também muitos dos registos que se encontram noutros acervos. O ‘completismo’ que preside a estas edições é obviamente de saudar, não apenas pelos fãs radicais de Amália. Só assim é legítimo reavaliar uma obra (e uma vida) que permanece uma história interminável. Tal seria impossível à luz de uma mera restauração dos discos já publicados. Já sucedeu com “Amália... Canta Portugal”, “Amália em Itália” e “É ou Não É?”. E torna a suceder com “Amália em Paris”, o disco quíntuplo que chegou aos escaparates a 23 de julho, data em que se celebraria o centenário do nascimento da mulher que marcou o século XX português.

Como é bom de ver, não é por este álbum chegar às lojas quando o país celebra Amália em uníssono e a Assembleia da República aprova um voto de saudação por unanimidade e aclamação que ganha maior relevo. Olhar para o percurso de Amália à luz dos dias de hoje é tentador ou mesmo inultrapassável — até porque a “biografia política” de Miguel Carvalho (“Amália. Ditadura e Revolução”, D. Quixote) também carreia muita informação nova sobre a vida da diva —, mas vale a pena oferecer algum contexto sobre os registos que agora são oferecidos e que se acrescentam ao disco “Amália à L’Olympia”, gravado em 1956 e publicado em 1957.