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Zé Pedro fotografado em 2016

Rita Carmo/Arquivo BLITZ

Zé Pedro, um homem bom

Fundador dos Xutos & Pontapés e figura central do rock português, partiu em 2017 mas a sua paixão continua viva em “Zé Pedro Rock’n’Roll”, documentário que acaba de chegar ao cinema

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Contar a história de Zé Pedro, que no bilhete de identidade assinava José Pedro Amaro dos Santos Reis, mas que para sempre ficará conhecido pelo cognome de “Zé Pedro dos Xutos”, é ao mesmo tempo contar a história do rock em Portugal, do tempo dos concertos improvisados em cima de tratores aos espetáculos em grandes estádios e pavilhões. E é também pintar o retrato de uma figura ímpar na cultura popular do país, cuja ausência se faz sentir, até hoje, muito além daquela que sempre foi a sua grande paixão: a música. Mais do que guitarra-ritmo daquela que viria a ser a maior banda rock portuguesa, Zé Pedro, nascido a 14 de setembro de 1956, em Lisboa, era o maior estratego e ideólogo do seu grupo, delineando planos por vezes considerados megalómanos pelos companheiros e sonhando com digressões não como as que se viam na incipiente indústria nacional, mas à medida dos grandes artistas estrangeiros que idolatrava (os Rolling Stones, de quem conseguiu fazer a primeira parte em Coimbra, seriam talvez os padroeiros mais cotados no seu altar).

“Acima de tudo, o Zé Pedro era um melómano”, recorda Diogo Varela Silva, autor do documentário “Zé Pedro Rock’n’Roll”, que depois de se estrear no festival Doc Lisboa, em 2019, chega às salas de cinema na quinta-feira. “Ele tinha uma grande paixão pela música e muita vontade de partilhá-la”, diz o cineasta, lembrando o entusiasmo contagiante com que Zé Pedro falava dos sons que o faziam vibrar. “Tinha um gosto enorme em falar das bandas, dos concertos — sabia tudo! As tricas, porque é que um álbum dos Stones tinha sido gravado ali e não noutro sítio, quem tinha sido o produtor... Parecia uma criança numa loja de brinquedos, a falar de música.”