Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

A melhor das bandas rock (quase) desconhecidas

Ao quinto álbum, os Protomartyr temperam a agressividade do costume com o requinte de sopros e uma voz feminina. Há rock no ringue num disco que deixa o vocalista Joe Casey, aqui entrevistado, “muito orgulhoso”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

“Ultimate Success Today”, título que se poderia traduzir como ‘Sucesso Absoluto Hoje’, só pode ser irónico, vindo da banda que, após muitos frustrantes adiamentos, acaba de colocar nas lojas o seu quinto álbum. Formados em Detroit, nos Estados Unidos, há uma década, os Protomartyr são um caso curioso: ao longo da sua discografia, encetada em 2012 com “No Passion All Tecnhique”, não há praticamente uma canção que convide ao uso do botão skip; burilados a partir de uma matéria-prima invariavelmente dura e negra, nos terrenos lodosos do pós-punk e do art rock mais imaginativos, todos os discos são de uma consistência notável, o que torna ainda mais intrigante a falta de “sucesso absoluto” que, ainda hoje, os atinge.

Donos, porém, de uma falange de fãs fiéis, os Protomartyr prosseguem, neste ano da (des)graça de 2020, uma jornada que tem como coordenada-mor uma ideia simples: não fazer sempre o mesmo, mas continuar a soar iguais a si próprios. Por exemplo, em “Ultimate Success Today”, sucessor do genial “Relatives in Descent” (2017), à habitual trituradora encarnada pelas guitarras de Greg Ahee, pela bateria de Alex Leonard e pelo baixo de Scott Davidson, juntam-se instrumentos nunca dantes avistados na obra dos norte-americanos: um violoncelo aqui, um clarinete ali, mas sobretudo saxofones, muitos saxofones. Ao telefone da sua casa em Detroit, onde em abril lidava com o adiamento do disco e da digressão devido à pandemia de covid-19, o vocalista Joe Casey explica de onde vem esta mudança no som — ainda assim seco e violento — dos Protomartyr.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.