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Adriano Correia de Oliveira

101 canções que marcaram Portugal #32: 'Trova do Vento que Passa', por Adriano Correia de Oliveira

Adriano Correia de Oliveira era um homem doce e subversivo. De consciência política apurada, viveu num tempo com razões de sobra para a inquietação. A letra de Manuel Alegre resume em dois versos a génese de um tempo pelo qual valia a pena criar: há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não. Esta é a 32ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

101 canções que marcaram Portugal é uma rubrica que visa homenagear as cantigas, os compositores e os intérpretes que marcaram a história da música portuguesa em Portugal. Sem ordem cronológica rígida, são um retrato pessoal (com foco na petite histoire) do autor. Mais do que uma contextualização e de um inventário de factos conhecidos, é sobretudo uma associação de estórias e de muitos episódios não registados. São histórias com estórias para além da música. Às vezes o lado errado das canções. Sobretudo o lado errado das canções.

'Trova do Vento que Passa', Adriano Correia de Oliveira
(1963)

A 22 de outubro de 2009, juntava-se no Campo Pequeno três despertadores de consciências. José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias e Sérgio Godinho chamaram a esse encontro ‘Três Cantos’. Se Adriano Correia de Oliveira estivesse vivo, faria com certeza parte dessa reunião. Afinal, eram todos herdeiros de Zeca Afonso e com ele tinham aprendido a compor e a inflexionar preceitos e consciências.

A malta era contra tudo. Não havia partidos, o importante era ser do contra. E ser do contra, na época, era ser a favor de ideais, num tempo com muito por que lutar. No circuito esclarecido de Coimbra, em que Adriano estava envolvido, houve todavia um homem que alavancou a coragem dos estudantes, quando interveio no Largo da Portagem, em 1958. O general sem medo, Humberto Delgado, moldou a ânsia de intervenção dos jovens estudantes, até então absorvidos pela casta canção de Coimbra. Já José Afonso ensaiava uma nova linguagem, enfastiado pelas baladas da terra que tomou como sua, quando Adriano apreendeu dois versos de Manuel Alegre e os assumiu como a resenha daquilo que o nortearia: ‘Há sempre alguém que resiste / Há sempre alguém que diz não’.

A 'Trova do Vento que Passa' manifestou-se como um hino da luta estudantil, agregando a vontade de insurgimento e insubordinação. Já antes, Adriano Correia de Oliveira se inscrevera no Partido Comunista, em 1959, sem disso fazer alarido; muitos amigos íntimos só o saberiam anos mais tarde. No início dos anos 60 abundavam fundamentos (e ânimo) para a subversão: o início da guerra colonial, a invasão do paquete Santa Maria, o assalto ao quartel de Beja e sobretudo a crise e luto académicos eram tónico de um empenho ideológico de uma (já) maioria. O regime serôdio, por seu lado, tentava subjugar essa geração ao silêncio – num tempo de apuros pela guerra colonial e em que era já inglória a exortação à ordem.

Adriano transpôs as baladas da sua formação enquanto cantor e, aproveitando a inspiração na lírica camoniana de Manuel Alegre, achou nas trovas um formato que, sem perder a identidade de Coimbra, materializava novos temas, novas poesias e sobretudo manifestos de intervenção. Adriano, tal como Zeca estava já a ensaiar, criou novas harmonias, com outros ritmos – renovando a canção de Coimbra. É ele enfim o grande inovador da canção de Coimbra. Das 90 músicas que deixou gravadas, a ‘Trova do Vento que Passa’ é a que melhor o define - pela riqueza das palavras, pela elegância da voz possante de Adriano e pelas curvaturas dos acordes de guitarra. O poema de Manuel alegre é um compêndio das inquietações por que eram assolados; como em muita da literatura que Alegre lera, o tema do desassossego pelo futuro era recorrente neste poema – é sabido que Portugal não traz na génese a mesma dose de coragem e de capacidade de exposição à incerteza.

Até 1974, Adriano Correia de Oliveira foi lutando com as armas que mais bem sabia manejar: as palavras subvertidas, a voz, a composição e o virtuosismo dos músicos de que se fazia acompanhar. Em liberdade, passou a ser parte do desbloqueio criativo do tempo novo. Cantava, como muitos dos da sua geração, as cantigas que não tinha conseguido cantar durante anos. Cantavam agora para todos, sem censura, que a luta, apesar de o rival ser distinto, fazia tanto sentido como antes.

Mas a Adriano não bastava a intervenção, consubstanciada nas palavras de Sérgio Godinho: paz, pão, habitação, saúde e educação. Para Adriano, aquilo que era relevante no seu ofício era a música, a composição apurada, a elegância, o bom gosto. Adriano, para além de uma voz possante, tinha um delicado requinte musical. E essa depuração de fatores fê-lo respeitado e, depois de falecer, perpétuo. O legado dessa turba de criadores continua presente na nossa cultura, na nossa intransigência – apesar de haver hoje infindos menos motivos para a revolta. Portugal está por vezes de costas voltadas para si próprio, mas esse temperamento é todavia impulsor de inconformismo. A cartilha do inconformismo de Portugal não seria tão consistente sem Adriano, sem Alegre, sem esta trova que nos continua a definir enquanto povo.

E o vento não me diz nada
Ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
Nos braços em cruz do povo.

Ouvir também: ‘Para Rosalía’ (1976). Adaptação de um poema galego, que retrata tanto a têmpera insurreta de Adriano como a sua delicada sensibilidade.

  • 101 canções que marcaram Portugal #26: 'Adeus Tristeza', por Fernando Tordo

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    ‘Adeus Tristeza’ foi uma canção escrita a uma mão - e tanto que Fernando Tordo se acostumara à mão treinada do seu parceiro Ary dos Santos. É uma canção na ressaca da parceria mais fecunda da música portuguesa, uma canção-sinopse da sua vida, uma legenda da sua biografia. Esta é a 26ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #27: 'Music', pelos The Gift

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    Os The Gift assinalam 25 anos de carreira. O seu percurso foi feito de glórias e de enviesamentos. A sua margem nunca foi a das convenções. Uma banda com muitos improváveis com tudo para dar certo. Esta é a 27ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #28: 'Socorro', por Pedro Abrunhosa

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    Quando Portugal foi apresentado a Pedro Abrunhosa, este era um todo com muitas partes. Foi preciso o jazz, o 'outfit', Carlos Maria Trindade e um naipe de grandes canções para o músico do Porto avassalar Portugal nos anos 90. Esta é a 28ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #29: 'A Mula da Cooperativa', por Max

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    Max sentia Lisboa como sua, mas comovia-se de cada vez que se pronunciava o nome da sua terra natal, a Madeira. Um ‘performer’ único que tinha tanto de Vasco Santana como de Buster Keaton e Alfredo Marceneiro. ‘A Mula da Cooperativa’ é a canção que melhor o define. Esta é a 29ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #30: 'Olhos Molhados', por Bonga

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    O angolano Barceló de Carvalho nasceu abonado de pernas e fez-se campeão de atletismo em Portugal. Assim que pôde, aproveitou o embalo e tirou o pé da metrópole. Encanta há décadas com os seus passos curtos, a sua voz rouca e um lamento em forma de semba. Bonga passou a ser embaixador de Angola, mesmo quando está em Portugal. Esta é a 30ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #31: 'Sete Mares', por Sétima Legião

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    A Sétima Legião foi uma das bandas mais elegantes da pop em Portugal. Agregavam consenso entre pistas de dança, imprensa e crítica. Nasceram na Fundação Atlântica, de Miguel Esteves Cardoso, mas queriam ser mais que uns Joy Division à portuguesa e transversalizar a sua arte. Se um dia formalizarem o seu fim, é certo que já terão inscrito com tinta permanente clássicos da nossa pop de maior qualidade

  • 101 canções que marcaram Portugal #20: 'Cavalos de Corrida', pelos UHF

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    No final dos anos 70, como reação a canções de intervenção e delicodoces, passou a construir-se uma nova música em Portugal. Nascidos na margem a sul da capital, os UHF foram alento para uma nova geração de músicos e de público, regulando até hoje o rock que se faz por cá. Esta é a 20ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #21: 'Porta Secreta', por Artur Garcia

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    Em 1967, o Festival da Canção foi ganho por Eduardo Nascimento. Nesse ano, Artur Garcia, uma das grandes vedetas em Portugal, levou a canção que o iria imortalizar, tendo porventura escolhido o ano errado para levar a concurso a sua ‘Porta Secreta’. Foi um ídolo do seu tempo. Esta é a 21ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #22: 'Sonho Azul', por Né Ladeiras

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    'Sonho Azul' é a canção mainstream de Né Ladeiras, a que iria lançar a cantora hoje conotada com uma ambiência mais tradicional. É uma canção elegante e intemporal dos anos 80, mas foi para Né Ladeiras um apeadeiro na música que queria dar ao país nas décadas que se seguiriam. Esta é a 22ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #23: 'Amanhã', pelo Duo Ouro Negro

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    Foram embaixadores do Portugal tropical. Foram embaixadores de Angola em Portugal e no mundo. O que fez de Raul e Milo maiores, para além da elegância da sua música, foram aquelas vozes mornas, os braços abertos, a alegria e os passos roubados à caduque e ao semba. Esta é a 23ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #24: 'Rolar no Chão', pelos Afonsinhos do Condado

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    Os Afonsinhos do Condado deram a Portugal o Caribe. Era uma banda delirante, mas não se limitava a fazer humor. Tinha um naipe de grandes músicos e bagagem vasta de muita música e de muitos géneros, que culminou em canções refinadas que marcaram o final da década de 80. Esta é a 24ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #25: 'Bairro do Amor', nos 70 anos de Jorge Palma

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    Jorge Palma é mais do que música: é poesia. Zarpou muitas vezes de Portugal e aí bebeu matéria para as suas composições depuradas. É o compositor marginal que gostaríamos de ser, de ter sido, de representar – como um arquétipo de liberdade. Estendeu durante décadas o chapéu com uma frase muito sua: “qualquer coisa pá música”. No dia dos seus 70 anos, somos nós quem tira o chapéu e lho estende. Esta é a 25ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #15: 'Verdes Anos', por Carlos Paredes

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    Carlos Paredes era um compositor complexo e um homem complexo. O bem que fez resume a essência de onde está a nossa génese. Poderia servir de compêndio para a diferença entre o virtuosismo e a emoção. A sua história cruza música popular e erudita. Malangatana. E Big Macs. Esta é a 15ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #16: 'A Minha Casinha', por Milú

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    Milú foi figura primeira de filmes nos anos 40 e 50. Arriscou carreira no Brasil, regressou e esteve quase vinte anos sem filmar. José Fonseca e Costa recuperou-a já veterana, desconstruindo a imagem cândida que preservava de filmes estereotipados. ‘A Minha Casinha’, tal como ela, faz parte de um tempo ingénuo e puro, faz parte de Portugal, mas pouca parte faz já de nós. Esta é a 16ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #17: 'Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades', por José Mário Branco

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    Aquilo por que José Mário Branco lutou foi a sua matriz de vida: a liberdade. Tomou-a a pulso e guardou décadas a tentar incutir em Portugal que a liberdade não é um dado adquirido e que há muitas formas de repressão. A história de José Mário Branco atravessa Humberto Delgado, Paris, Zeca Afonso e Luís de Camões. É feita de inquietação e serve de rumo para um Portugal atual. Esta é a 17ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #18: 'Sôdade', por Cesária Évora

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    Cesária Évora é a embaixadora de Cabo Verde no mundo, 'Sôdade' a sua canção mais emblemática. A que define a essência dos cabo-verdianos: a angústia de ficar querendo partir e a angústia de partir querendo ficar. Esta é a 18ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #19: 'Marcha dos Desalinhados', pelos Delfins

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    A história dos Delfins cruza-se com António Variações, Eduardo Nascimento e Miguel Esteves Cardoso. Tiveram engenho para criar canções servissem tanto quem quisesse revoltar-se como quem quisesse uma música de fundo para abraços apaixonados. Foram a banda do pós-PGA, de uma geração que não tinha por que revoltar-se, a maior banda portuguesa dos anos 90. Esta é a 19ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #10: 'Menina dos Olhos d'Água'

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    Pedro Barroso foi um homem de contradições: doce e indignado, um homem com o ‘sim’ por génese e o ‘não’ por convicção. Um esculpidor de cantigas impassível a modas, um criador sem tempo – sempre no tempo certo. Esta é a décima de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #11: 'Vendaval', por Tony de Matos

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    Tony de Matos foi ‘o’ grande cantor romântico de Portugal, um Sinatra à portuguesa. Tinha uma melena negra, fatos de bom corte e uma voz agigantada. Fez suspirar mulheres pelo seu jeito marialva e homens pelo seu carisma. ‘Vendaval’ é a história de uma grande canção. Esta é a 11ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #13: 'Canção de Madrugar', pelo Conjunto Académico João Paulo

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    Portugal não compareceu na Eurovisão em 1970, mas Sérgio Borges, o vencedor, inscreveria com autoridade outra das canções desse festival. O seu Conjunto Académico faria de ‘Canção de Madrugar’ um sucesso. É uma canção que, cantada de mil formas, soará sempre nova. Esta é a 13ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #14: 'Estou Além', por António Variações

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    António Variações viveu 39 anos e varreu Portugal em dois. Portugal ainda não se recompôs de António Variações. Variações não era de tempo algum e o nosso tempo ainda não chegou a Variações. Uma história da música em Portugal que cruza Amares, o Frágil, o Zé da Guiné, a Guida Gorda e Andy Warhol. Esta é a 14ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #4: 'Demagogia', por Lena d'Água

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    'Demagogia' é uma canção da pré-ressaca do rock português. Uma canção politizada, de inquietação contra os políticos, uma canção de ressaca da saída de Lena d'Água da Salada de Frutas. Esta é a quarta de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #5: 'A Canção do Beijinho', por Herman José

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    O Portugal de 1980 estava ainda a despedir-se da euforia da revolução. Estava a ser bonita a festa, pá. Estava de bem consigo, indiferente à troika que aí viria. Queria pão e vinho sobre a mesa. Festas e afetos. E Herman José, que nunca aprendera a ser povo, fê-lo sempre em maior do que todos. Esta é a quinta de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #7: 'Recordar É Viver', por Victor Espadinha

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    ‘Recordar É Viver’ é uma canção portuguesa, mas poderia ser francesa ou italiana. Victor Espadinha, homem inquieto e de muitos talentos, soube aí que tinha mais um: cantar. O homem dos palcos, da rádio, da televisão, da greve de fome, da carreira adiada em Londres, teve assim a legenda de uma carreira que não se bastou aí. Esta é a sétima de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #8: 'Kanimambo', por João Maria Tudella

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    João Maria Tudella foi espião, cantor, tropicalista empedernido. Era um aristocrata nos modos e na substância. 'Kanimambo', o seu 'one hit wonder', é hoje uma canção datada, que conserva a memória dos que viveram no Portugal ultramarino. Ainda que essa memória não esteja ainda esquecida, quem ouve hoje os primeiros batuques da canção não deixa de sorrir, de rever o seu humor. Uma história que cruza Lourenço Marques, o Repórter X e Jorge Jardim. Esta é a oitava de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #9: 'Amor', pelos Heróis do Mar

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    Foi uma das saídas fora de estrada que os Heróis do Mar fizeram para regressarem depois à sua matriz. À provocação do início seguiu-se uma canção doce, dançável, inflexão ao rock seco que se fazia então em Portugal. Ainda hoje, aquele ‘dráá-tá-tá-tá’ tem um efeito dopamínico. Esta é a nona de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #1: 'Desfolhada Portuguesa', por Simone de Oliveira

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    Se Portugal pudesse escolher uma só cantiga do Festival da Canção, escolheria com certeza a ‘Desfolhada’. Simone de Oliveira deporia em 1969 a sua condição de menina. Tomaria balanço para mais cinco décadas de emoção – sentida e feita sentir. Sempre a conjugar com o verso de Ary, com um fogo posto. Esta é a primeira de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas, os compositores e os intérpretes que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #2: 'Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim', por Dina

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    Dina. Dinamite. A meia dose, como lhe chamava Kris Köpke. Bebeu música de África e do rock, e com elas compôs baladas. Pouco tempo antes da reclusão, teve direito a celebração com músicos insuspeitos. Como insuspeito foi construído o seu percurso na canção em Portugal. Esta é a segunda de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas, os compositores e os intérpretes que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #3: 'Lisboa Menina e Moça', por Carlos do Carmo

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    Esta canção, escrita a quatro mãos, tornou-se no hino de Lisboa. De uma Lisboa que ainda existe, que existirá sempre. Os bairros, o fado, a sua luz. Lisboa vive hoje de outros pregões, mas nem por isso deixa de ser uma cidade menina e moça, a mulher da vida de muitos. Esta é a terceira de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa