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O que fez Chester Bennington nos últimos dias da sua vida

Três anos após a morte do músico dos Linkin Park, recordamos os últimos dias da sua vida de acordo com depoimentos de amigos e colegas prestados em julho de 2017. Ninguém reparou nos sinais

Chester Bennington, dos Linkin Park, suicidou-se a 20 de julho de 2017 na sua casa em Palos Verdes, no estado norte-americano da Califórnia. Tinha 41 anos.

Ainda que sejam conhecidas as suas lutas contra a dependência de álcool e drogas e o seu historial de depressão a sua morte não deixou de chocar não só os fãs como os seus amigos e colegas de banda que, no verão de 2017 contaram à Rolling Stone, de que forma Bennington passou os últimos dias da sua vida, lamentando não ter vislumbrado os "sinais" que o músico foi deixando.

Um deles é Ryan Shuck, amigo de longa data e ex-colega de Bennington nos Dead By Sunrise, projeto que o músico teve à parte dos Linkin Park. Shuck contou como o vocalista, que terá tido uma "recaída" no que ao seu abuso de álcool diz respeito, lhe enviou várias mensagens "premonitórias".

"Ele estava a descrever uma batalha de hora a hora com a dependência. A dizer-me, com detalhe, o que ele faria na primeira hora que quisesse beber", explicou. As autoridades encontraram uma garrafa meio cheia de álcool na casa do músico, após o seu suicídio, e Shuck acredita que este "bebeu uns copos" antes de pôr termo à vida.

"Não sabemos quanto ele bebeu, mas não é preciso muito quando és alcoólico e dependente, e quanto estás a lutar contra isso da forma que ele mo descreveu", disse. "Não é preciso muito para perderes a cabeça por um minuto".

De fora fica a teoria de que Chester Bennington terá sentido demasiado a morte do amigo Chris Cornell, apenas dois meses antes, e em cuja data de aniversário se suicidou. "É só outro evento horrível que fica preso no teu subconsciente. É lenha, mas o fogo já estava a lavrar".

Ainda que assim fosse, não era isso que Bennington fazia parecer: no dia seguinte ao funeral de Chris Cornell, em maio passado, o músico afirmou no Twitter que se estava a sentir "muito criativo", tendo escrito seis novas canções. A Rene Mata, outro amigo próximo, disse que "temos que nos manter juntos, porque temos muito pelo qual viver".

Para além da digressão dos Linkin Park, em torno de One More Light - editado em 2017 -, Bennington estava ainda a preparar uma digressão com os Grey Daze, uma das suas primeiras bandas. "Ele estava no topo do mundo", explica Sean Dowdell, baterista dos Grey Daze.

O futuro estava, por isso, na cabeça de Bennington, mas o presente e o passado acabaram por fazê-lo tombar. Dias antes de morrer, falou com Robert DeLeo, antigo companheiro nos Stone Temple Pilots, que relembrou mensagens "de amor, positivas, de olhar para o futuro e ser velho". E chegou até à conversa com Matt Sorum, antigo baterista dos Guns N' Roses, na véspera do seu suicídio, questionando-o sobre o regresso da sua banda de versões, os Kings of Chaos. O que o levou a dar uma volta completa e a acabar com a própria vida nunca será compreendido a cem por cento.