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Tédio Boys

montagem sobre foto de Susana Paiva

Os Tédio Boys cansaram-se de vez há 20 anos, mas os seus músicos não pararam quietos. Onde estão eles hoje?

Depois de uma década de punk, rock e derivados, farra com Joey Ramone e concertos que ninguém será capaz de esquecer, o grupo de Coimbra viu no ano 2000 uma oportunidade para experimentar novos caminhos. À separação dos Tédio Boys devemos Wraygunn, Parkinsons, Legendary Tigerman, D3O, Bunnyranch e muitos outros projetos. Onde estão eles hoje? Mais vivos do que nunca

Sérgio Cardoso, que tocou baixo nos primeiros momentos da carreira dos Tédio Boys, num artigo sobre a fértil cena de Coimbra que a BLITZ publicou em 2013, descreveu esses rapazes como “uma banda que iria incendiar a cidade e deixar sementes para os próximos 20 anos”. Na verdade, as sementes continuam a florescer e o núcleo duro que deu vida à única banda que percorreu a distância entre a coimbrã Rua da Sofia e o nova-iorquino CBGB não mostra sinais de cansaço e continua a fazer faíscas.

No já referido artigo de 2013, Toni Fortuna explicava que os Tédio Boys até tiveram uma carreira mais longa do que “muita gente esperava”: “mas o facto de tocarmos todos os dias num mês nos Estados Unidos e chegando a Portugal tocarmos apenas uma vez por mês faria qualquer pessoa pensar sobre o assunto, houve muita gente que não queria trabalhar com a banda, porque achava que só fazíamos 'porcaria' e não se sabia o que podia acontecer… Em Portugal acho que nunca fomos levados muito a sério”. O futuro, sempre muito mais sábio que qualquer presente, parece ter-lhes feito justiça, no entanto. 20 anos depois do fim dos Tédio Boys, queremos saber o que andam a fazer estes rapazes muito pouco entediados. Só do baixista André Ribeiro não há notícias...

Paulo Furtado, guitarrista dos Tédio Boys entre 1989 e 2000

Terá a mais visível das carreiras que nasceram dos Tédio Boys. Formou logo a seguir os Wraygunn, por ora em pousio. Enquanto Legendary Tigerman, depois do bem sucedido Misfit de 2018, lançou o ano passado o projecto colaborativo com a fotógrafa Rita Lino How to Become Nothing e, como bem percebe quem segue este homem tigre nas redes sociais, manteve-se ativo durante a quarentena e, à guitarra ou com o sintetizador modular, foi criando novas peças que, explicou também, está doido para voltar a apresentar em palcos de todo o mundo. E até deu para revisitar Tom Waits e tudo...

Toni Fortuna, vocalista dos Tédio Boys entre 1989 e 2000

Entregou-se ao rock and roll depois dos Tédio Boys com os justamente muito celebrados D3O, banda que formou com dois membros dos Garbage Catz. Love Binder, de 2013, foi o seu último registo. Posteriormente, ingressou nos Mancines, grupo que conta também com os préstimos de Pedro Renato e Raquel Ralha, dois ex-Belle Chase Hotel, e que, já em 2020, editou II, álbum de onde saiu “Is This a Go?”.

Victor Torpedo, guitarrista dos Tédio Boys entre 1989 e 2000

Caiu, muito literalmente, no caldeirão do rock and roll quando era pequenino e por isso mesmo depois da chama dos Tédio Boys se ter extinguido não parou de trabalhar: criou os 77, em primeiro lugar, os Parkinsons, logo depois, mas também assumiu responsabilidades nos Blood Safari, Tiguana Bibles ou Subway Riders, lançando igualmente em nome próprio. Béri Béri é o seu quarto álbum a solo.

Kaló, baterista dos Tédio Boys entre 1991 e 2000

Assumiu a bateria dos Tédio Boys logo em 1991, depois de Nito ter largado o posto. E foi ele que assegurou o pulso da banda até ao final, em 2000. Depois disso teve ligações aos Wraygunn, grupo comandado por Paulo Furtado que lançou quatro álbuns entre 2001 e 2012, aos Bunnyranch, onde assumiu, além da bateria, a dianteira vocal, durante todo o seu percurso, e ainda martelou durante um par de anos nos Parkinsons, ao lado do companheiro Victor Torpedo. Mais recentemente criou os Twist Connection com Sérgio Cardoso, que também passou brevemente pelos Tédio Boys, logo no arranque da aventura, e Samuel Silva. O último trabalho da banda, Is That Real, data já de 2020 e volta a contar com a colaboração de Raquel Ralha, cantora com que Kaló primeiramente se cruzou nos Wraygunn. Recentemente, apresentaram o novo álbum com um concerto no conimbricense Salão Brazil.

Pedro Chau, baixista dos Tédio Boys em 2000

Baixista por um breve período na reta final dos Tédio Boys, é outro músico irrequieto que depois da colectividade psychobilly de Coimbra ter encerrado atividades se envolveu com vários projetos: acompanhou Torpedo nas aventuras Parkinsons e Blood Safari e criou os Ghost Hunt com Pedro Oliveira, grupo que, já este ano, lançou o álbum II através da Lovers & Lollypops.