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Roberta Medina

Agência Zero

Roberta Medina: “Vi no Ministério da Cultura vontade de retomar atividade, mas não há apoio ao setor dos festivais. Não conquistámos nada”

A vice-presidente do Rock in Rio, Roberta Medina, mostra-se desiludida com o que considera ser uma falta de apoio do estado ao setor dos festivais. “Há coisas a serem anunciadas para a cultura, mas para os festivais... nada”

Apesar de elogiar a forma como decorreram as conversações com o Ministério da Cultura relativamente à proibição de festivais de verão este ano - "foi impecável" -, Roberta Medina, vice-presidente, do Rock in Rio acredita que em termos de apoios não se avançou nada. "No aspeto geral, para o setor, eu diria que a gente não conquistou exatamente nada. Não há nada, não há apoio nenhum, coisa nenhuma", diz Medina à BLITZ.

"Há os apoios para os profissionais independentes, mas isso é para qualquer segmento, e há coisas a serem anunciadas para a cultura, felizmente, em várias frentes… Para festivais, nada", continua, "há as associações dos técnicos, cada uma tentando fazer movimentos pelo seu lado, mas realmente, que eu tenha conhecimento, os únicos apoios à cultura são esses pequenos, que vão surgindo por alguns lados".

A empresária diz ter visto "vontade de retomar tudo o quanto antes" no Ministério da Cultura para "voltar a mobilizar um pouco o setor", mas que ainda não viu nada no que diz respeito a "apoios especiais para os festivais, a não ser os que estão disponíveis para todo o país. Nada. Nem para os festivais nem para as empresas que trabalham no setor”.

Medina acredita que a grande preocupação do setor será a eventual falta de pessoal quando a atividade retomar. "No passado, depois da crise no imobiliário, não havia mão-de-obra quando se começou a tentar construir. Os trabalhadores foram todos embora do país. Então, se o setor não sobrevive… Quando começámos o Rock in Rio no Brasil, tínhamos de importar tudo. Convém que Portugal não tenha que passar por isso. Portugal não conquistou estabilidade, porque sabemos que tem uma economia difícil, mais frágil, mas conquistou maturidade ao longo dos últimos anos. Há empresas de tudo. A maioria das empresas necessárias para atender grandes eventos está aqui. É importante não perdermos isso”.

O Rock in Rio-Lisboa foi adiado para 2021 devido à pandemia de covid-19. O festival anunciou uma emissão especial de três horas a ser transmitida em direto no próximo dia 27 de junho, a partir das 17h, na SIC Radical, na rádio e nas plataformas digitais do festival. O evento especial, intitulado "Se a vida começasse agora", assinala o momento em que a edição cancelada de 2020 estaria a decorrer e dá início à contagem decrescente para o regresso em 2021.

Além de revisitar alguns dos concertos mais marcantes dos 16 anos do festival, a emissão conduzida por Ana Ventura, João Paulo Sousa e Rita Camarneiro promete mostrar "cenas insólitas e histórias de bastidores" e contar com convidados especiais, entrevistas e atuações de artistas nacionais que já passaram pelos palcos do Parque da Bela Vista.

O evento marcará deixará também algumas pistas para a nona edição do festival, que decorre nos dias 19, 20, 26 e 27 de junho, com "conteúdos especiais" e jogos que podem render "vários prémios". Recorde-se que estão já confirmadas as atuações dos Foo Fighters, The National e Liam Gallagher no dia 19 de junho do próximo ano.