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Nick Cave: "As minhas canções só querem salvar a alma do mundo"

Nick Cave não tem pretensões de salvar o mundo

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Quando um fã lhe perguntou por que razão não tem por hábito escrever canções políticas, Nick Cave entregou-se a uma reflexão sobre a natureza do que cria.

"Talvez gostes das minhas canções pela sua incerteza e ambiguidade. As minhas melhores canções parecem viver numa luta interior entre estados de espíritos que se opõem. Não se decidem", escreve Nick Cave.

"As canções que têm uma agenda política vivem num espaço diferente. Têm pouca paciência para nuances, neutralidade ou imparcialidade. O seu objetivo é transmitir uma mensagem da forma mais clara e persuasiva possível. Podem ter um enorme valor, mas geralmente nascem de um misto de rigidez e zelo que eu não possuo. As minhas canções são resistentes a pontos de vista inflexíveis. Preocupam-se com o sofrimento comum e não hierárquico. Não pretendem salvar o mundo, mas sim salvar a alma do mundo".

"Às vezes as minhas canções falam do que se está a passar e às vezes não. Estou satisfeito com isso, (...) satisfeito por as minhas canções poderem confrontar ou desafiar sem pregar ou dividir".

Explicando que tem "muito pouco controlo" sobre as canções que escreve, descrevendo-as como objetos "escorregadios e amorfos" que tentam descobrir "os mistérios do coração", Nick Cave diz que seria estranho tentar escrever uma canção de protesto. "Não porque não haja coisas às quais me oponho, mas porque estaria a usar os meus talentos para lidar com algo que consideraria moralmente evidente. Pessoalmente, sinto-me pouco inclinado a fazê-lo. Não é a minha cena", remata Nick Cave.