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Rita Carmo

Roberta Medina: “O maior desafio do Brasil é a falta de liderança. Tem de fazer uma limpeza de valores”

Feliz por não ter Rock in Rio no Brasil este ano, Roberta Medina fala sobre a situação do seu país no contexto da pandemia e defende que o seu país precisa de "amadurecer muito" em termos políticos

2020 seria ano de Rock in Rio-Lisboa e ano de intervalo do festival no Brasil. E em conversa com a BLITZ, Roberta Medina mostrou-se feliz por não ter de montar o evento do Rio de Janeiro este ano, revelando que "esta é uma fase mais calma, de trabalho interno e de planeamento, que está a ser feito". "Felizmente não temos Rock in Rio no Brasil este ano", começou por dizer a vice-presidente do festival, "não fazemos futurologia, mas acreditamos que quando voltarmos ao Rio no ano que vem a conversa já não será igual à que temos agora".

Medina sublinha que o seu país não está a lidar da melhor forma com a pandemia de covid-19 e defende que "o maior desafio do Brasil é a falta de liderança, de visão da liderança. Cada um diz uma coisa". De seguida, elogia a forma como Portugal lidou com a situação: "a união dos políticos dá mais confiança às pessoas, independentemente de eles também não terem as respostas. Pelo menos está tudo a jogar para o mesmo lado, o que não se passa no Brasil".

"Isso está a ser muito difícil porque uma parte do país fechou há três meses e não aguenta mais estar fechado, como estamos a ver, e outra parte nem nunca chegou a estar fechada", continua, "nem ninguém sabe se é ou não para ficar. É um pouco assustador não haver o menor sinal de alinhamento, para dar um pouco de confiança para as pessoas. E a economia fica sambando em volta disso".

Medina vai mais longe, dizendo que "no Brasil, não é a cultura que tem um problema": "o maior problema do Brasil é cultural, não é da cultura. Temos um problema sério de educação e de valores e há jogo político em tudo o quanto é canto. Como o país é tão grande, o bicho pega".

"Estamos com este assunto grave a acontecer e a discussão é o impeachment do governador do Rio de Janeiro. É muito louco", acrescenta ainda, "não sei se fez se não fez, se é culpado ou não é culpado, mas não é estranho no Brasil pensar que se aproveitem de uma fase destas para falar disso. Não estranhar isso é que é mau. É difícil. Por isso é que não entendo porque tanta gente reclama de Portugal ser um país de pequena dimensão… Isso deveria significar que a gente simplesmente decidisse e fizesse, porque é preciso alinhar poucas pessoas. No Brasil, é um desafio muito grande. Temos de amadurecer muito em termos políticos e fazer uma limpeza de valores, que, em parte, parece estar a acontecer".