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The Gift

101 canções que marcaram Portugal #27: 'Music', pelos The Gift

Os The Gift assinalam 25 anos de carreira. O seu percurso foi feito de glórias e de enviesamentos. A sua margem nunca foi a das convenções. Uma banda com muitos improváveis com tudo para dar certo. Esta é a 27ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

101 canções que marcaram Portugal é uma rubrica que visa homenagear as cantigas, os compositores e os intérpretes que marcaram a história da música portuguesa em Portugal. Sem ordem cronológica rígida, são um retrato pessoal (com foco na petite histoire) do autor. Mais do que uma contextualização e de um inventário de factos conhecidos, é sobretudo uma associação de estórias e de muitos episódios não registados. São histórias com estórias para além da música. Às vezes o lado errado das canções. Sobretudo o lado errado das canções.

Nenhuma banda esquece o seu primeiro palco, a sua primeira plateia, mas o primeiro palco dos The Gift, a sua primeira plateia, foi num lugar mítico em Alcobaça: o Bar Ben.

É natural numa cidade de pouco mais de 7.000 habitantes a noite se revestir de poucas coincidências e muitas afinidades. No Bar Ben encontrava-se sobretudo familiaridade – de pessoas que se via de dia a entregar o correio, numa repartição pública ou de fato e gravata a subir as escadas do palácio da justiça – mas também de gente de fora: do Porto, de Leiria, de Coimbra, de Lisboa.

Em Alcobaça morava o Bar Ben: mais que um bar, um palco alternativo, uma sala de iniciação musical e de convívios musicais. O Bar Ben estava para Alcobaça como o Johnny Guitar estava para Lisboa e o Hard Club para o Porto. Foi aí que os The Gift, nascidos do dom musical de Nuno Gonçalves mas sobretudo da sensibilidade de Nuno Gonçalves em se ter inquietado quando ouviu pela primeira vez a voz de Sónia Tavares, se estrearam, em 1995.

Nuno Gonçalves teve o mesmo assomo que o pai de Sónia quando, no barbeiro, ouviu pela primeira vez aquela voz andrógina, profunda, sensível e inquietante. Os The Gift nasceram então no Bar Ben, poderiam ter nascido noutro palco qualquer – mas nunca poderiam ter nascido fora de Portugal. Os The Gift, uma das bandas que mais sucessos alcançou em inglês, ecoam a Portugal e nunca poderiam ter sido de outro lugar.

Até 2004, ano do lançamento de AM/FM e de ‘Music’, os The Gift teriam tempo de se empatizar com um público, com rádios, com TVs, com a crítica. Os The Gift desmentem a máquina da ‘indústria’ – o que quer que signifique a sua aceção. Fundaram a editora La Folie, que é tanto uma canção dos Stranglers como uma declaração de intenções.

Os The Gift foram sempre uma banda livre, que se iniciou e se manteve sobretudo por veneração à arte que sabiam fazer. Não são vassalos dos thumbs up nem de modas – nem ditam moda. Os The Gift são uma banda com muitos improváveis com tudo para dar certo. São uma banda de público que, também pela sua liberdade, fizeram as coisas bem. Querem fazer as coisas bem: é essa a sua matriz.

Fazemos sempre menos do que consumimos. Porque é preciso consumir hordas de arte para se produzir arte. E os The Gift consumiram a sua arte muito pelas mãos de António Sérgio, que esgaravatava sons e os fazia difundir por um país mal servido de oferta e de verba para consumir que não fosse pela rádio.

António Sérgio, o lobo da Comercial, admirava os The Gift. Levou-os ao seu programa a partir do álbum de estreia, Vinyl. Como uma provocação, ou uma homenagem em forma de provocação, numa época em que o vinil era marginal, os The Gift nominaram-no assim. O cliché dos The Gift é respeitar a música – a que faziam, a que ouviam, a que ouviram. E muita daquela que ouviram havia sido editada em vinil.

Anos depois de Vinyl e de um sublime Film, os The Gift, quase 10 anos depois de terem pisado o palco do Bar Ben, avassalaram Portugal com um álbum duplo, AM/FM. Desse álbum sairia uma das suas glórias – uma confluência entre sucesso, expertise e legado: ‘Music’. A canção ‘Music’ é o (único) manifesto que regula os The Gift.

A voz amplificada de Sónia fez-nos ouvir sem cansar aqueles versos anafóricos. O despojamento da letra é balanceado pela elegância da melodia e dos arranjos – ora atmosféricos ora vigorosos. E aquela voz, mais uma vez... Se o som de Nuno Gonçalves pudesse parecer um som de outros quadrantes, a voz de Sónia viria cunhar a marca The Gift. E não poderia ser de outro quadrante qualquer.

Quando os The Gift foram à ‘Hora do Lobo’, de António Sérgio, aquando do lançamento deste álbum, o radialista convidou-os a tocar no pequeno estúdio da Comercial. Desse álbum fazia parte uma faixa escondida, a única cantada em português e a que cabia melhor na toada acústica que o estúdio impunha.

Chamava-se ‘Fácil de Entender’ e a execução de Sónia Tavares – ora doce e murmurada ora possante e incendiária – fizeram António Sérgio se magnetizar. Como magnetizado ficaria anos mais tarde o produtor Brian Eno, com quem gravaram dois álbuns. Como ficou magnetizado até hoje o seu público – que atravessa muitas idades. Sem thumbs up, sem a ‘indústria’ a querer vestir-lhes tendências caducas. Só fazendo bem, muito bem. E com a abnegação pela música que só os predestinados transportam.

I'm doing it for music
I'm doing it for love
I'm doing it for everyone around me

Ouvir também: ‘Impressiveness’ (2019). Para Nuno Gonçalves, a melhor canção de sempre dos The Gift.

  • 101 canções que marcaram Portugal #21: 'Porta Secreta', por Artur Garcia

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    Em 1967, o Festival da Canção foi ganho por Eduardo Nascimento. Nesse ano, Artur Garcia, uma das grandes vedetas em Portugal, levou a canção que o iria imortalizar, tendo porventura escolhido o ano errado para levar a concurso a sua ‘Porta Secreta’. Foi um ídolo do seu tempo. Esta é a 21ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #22: 'Sonho Azul', por Né Ladeiras

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    'Sonho Azul' é a canção mainstream de Né Ladeiras, a que iria lançar a cantora hoje conotada com uma ambiência mais tradicional. É uma canção elegante e intemporal dos anos 80, mas foi para Né Ladeiras um apeadeiro na música que queria dar ao país nas décadas que se seguiriam. Esta é a 22ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

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  • 101 canções que marcaram Portugal #24: 'Rolar no Chão', pelos Afonsinhos do Condado

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  • 101 canções que marcaram Portugal #25: 'Bairro do Amor', nos 70 anos de Jorge Palma

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  • 101 canções que marcaram Portugal #26: 'Adeus Tristeza', por Fernando Tordo

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    ‘Adeus Tristeza’ foi uma canção escrita a uma mão - e tanto que Fernando Tordo se acostumara à mão treinada do seu parceiro Ary dos Santos. É uma canção na ressaca da parceria mais fecunda da música portuguesa, uma canção-sinopse da sua vida, uma legenda da sua biografia. Esta é a 26ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #16: 'A Minha Casinha', por Milú

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  • 101 canções que marcaram Portugal #17: 'Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades', por José Mário Branco

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    Aquilo por que José Mário Branco lutou foi a sua matriz de vida: a liberdade. Tomou-a a pulso e guardou décadas a tentar incutir em Portugal que a liberdade não é um dado adquirido e que há muitas formas de repressão. A história de José Mário Branco atravessa Humberto Delgado, Paris, Zeca Afonso e Luís de Camões. É feita de inquietação e serve de rumo para um Portugal atual. Esta é a 17ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #18: 'Sôdade', por Cesária Évora

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    Cesária Évora é a embaixadora de Cabo Verde no mundo, 'Sôdade' a sua canção mais emblemática. A que define a essência dos cabo-verdianos: a angústia de ficar querendo partir e a angústia de partir querendo ficar. Esta é a 18ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #19: 'Marcha dos Desalinhados', pelos Delfins

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    A história dos Delfins cruza-se com António Variações, Eduardo Nascimento e Miguel Esteves Cardoso. Tiveram engenho para criar canções servissem tanto quem quisesse revoltar-se como quem quisesse uma música de fundo para abraços apaixonados. Foram a banda do pós-PGA, de uma geração que não tinha por que revoltar-se, a maior banda portuguesa dos anos 90. Esta é a 19ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #20: 'Cavalos de Corrida', pelos UHF

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    No final dos anos 70, como reação a canções de intervenção e delicodoces, passou a construir-se uma nova música em Portugal. Nascidos na margem a sul da capital, os UHF foram alento para uma nova geração de músicos e de público, regulando até hoje o rock que se faz por cá. Esta é a 20ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #10: 'Menina dos Olhos d'Água'

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    Pedro Barroso foi um homem de contradições: doce e indignado, um homem com o ‘sim’ por génese e o ‘não’ por convicção. Um esculpidor de cantigas impassível a modas, um criador sem tempo – sempre no tempo certo. Esta é a décima de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #11: 'Vendaval', por Tony de Matos

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    Tony de Matos foi ‘o’ grande cantor romântico de Portugal, um Sinatra à portuguesa. Tinha uma melena negra, fatos de bom corte e uma voz agigantada. Fez suspirar mulheres pelo seu jeito marialva e homens pelo seu carisma. ‘Vendaval’ é a história de uma grande canção. Esta é a 11ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #13: 'Canção de Madrugar', pelo Conjunto Académico João Paulo

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    Portugal não compareceu na Eurovisão em 1970, mas Sérgio Borges, o vencedor, inscreveria com autoridade outra das canções desse festival. O seu Conjunto Académico faria de ‘Canção de Madrugar’ um sucesso. É uma canção que, cantada de mil formas, soará sempre nova. Esta é a 13ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #14: 'Estou Além', por António Variações

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    António Variações viveu 39 anos e varreu Portugal em dois. Portugal ainda não se recompôs de António Variações. Variações não era de tempo algum e o nosso tempo ainda não chegou a Variações. Uma história da música em Portugal que cruza Amares, o Frágil, o Zé da Guiné, a Guida Gorda e Andy Warhol. Esta é a 14ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #15: 'Verdes Anos', por Carlos Paredes

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    Carlos Paredes era um compositor complexo e um homem complexo. O bem que fez resume a essência de onde está a nossa génese. Poderia servir de compêndio para a diferença entre o virtuosismo e a emoção. A sua história cruza música popular e erudita. Malangatana. E Big Macs. Esta é a 15ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #4: 'Demagogia', por Lena d'Água

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    'Demagogia' é uma canção da pré-ressaca do rock português. Uma canção politizada, de inquietação contra os políticos, uma canção de ressaca da saída de Lena d'Água da Salada de Frutas. Esta é a quarta de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #5: 'A Canção do Beijinho', por Herman José

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    O Portugal de 1980 estava ainda a despedir-se da euforia da revolução. Estava a ser bonita a festa, pá. Estava de bem consigo, indiferente à troika que aí viria. Queria pão e vinho sobre a mesa. Festas e afetos. E Herman José, que nunca aprendera a ser povo, fê-lo sempre em maior do que todos. Esta é a quinta de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #7: 'Recordar É Viver', por Victor Espadinha

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    ‘Recordar É Viver’ é uma canção portuguesa, mas poderia ser francesa ou italiana. Victor Espadinha, homem inquieto e de muitos talentos, soube aí que tinha mais um: cantar. O homem dos palcos, da rádio, da televisão, da greve de fome, da carreira adiada em Londres, teve assim a legenda de uma carreira que não se bastou aí. Esta é a sétima de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #8: 'Kanimambo', por João Maria Tudella

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    João Maria Tudella foi espião, cantor, tropicalista empedernido. Era um aristocrata nos modos e na substância. 'Kanimambo', o seu 'one hit wonder', é hoje uma canção datada, que conserva a memória dos que viveram no Portugal ultramarino. Ainda que essa memória não esteja ainda esquecida, quem ouve hoje os primeiros batuques da canção não deixa de sorrir, de rever o seu humor. Uma história que cruza Lourenço Marques, o Repórter X e Jorge Jardim. Esta é a oitava de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #9: 'Amor', pelos Heróis do Mar

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    Foi uma das saídas fora de estrada que os Heróis do Mar fizeram para regressarem depois à sua matriz. À provocação do início seguiu-se uma canção doce, dançável, inflexão ao rock seco que se fazia então em Portugal. Ainda hoje, aquele ‘dráá-tá-tá-tá’ tem um efeito dopamínico. Esta é a nona de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #1: 'Desfolhada Portuguesa', por Simone de Oliveira

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    Se Portugal pudesse escolher uma só cantiga do Festival da Canção, escolheria com certeza a ‘Desfolhada’. Simone de Oliveira deporia em 1969 a sua condição de menina. Tomaria balanço para mais cinco décadas de emoção – sentida e feita sentir. Sempre a conjugar com o verso de Ary, com um fogo posto. Esta é a primeira de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas, os compositores e os intérpretes que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #2: 'Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim', por Dina

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    Dina. Dinamite. A meia dose, como lhe chamava Kris Köpke. Bebeu música de África e do rock, e com elas compôs baladas. Pouco tempo antes da reclusão, teve direito a celebração com músicos insuspeitos. Como insuspeito foi construído o seu percurso na canção em Portugal. Esta é a segunda de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas, os compositores e os intérpretes que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #3: 'Lisboa Menina e Moça', por Carlos do Carmo

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    Esta canção, escrita a quatro mãos, tornou-se no hino de Lisboa. De uma Lisboa que ainda existe, que existirá sempre. Os bairros, o fado, a sua luz. Lisboa vive hoje de outros pregões, mas nem por isso deixa de ser uma cidade menina e moça, a mulher da vida de muitos. Esta é a terceira de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa