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Jorge Palma

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101 canções que marcaram Portugal #25: 'Bairro do Amor', nos 70 anos de Jorge Palma

Jorge Palma é mais do que música: é poesia. Zarpou muitas vezes de Portugal e aí bebeu matéria para as suas composições depuradas. É o compositor marginal que gostaríamos de ser, de ter sido, de representar – como um arquétipo de liberdade. Estendeu durante décadas o chapéu com uma frase muito sua: “qualquer coisa pá música”. No dia dos seus 70 anos, somos nós quem tira o chapéu e lho estende. Esta é a 25ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

1980. Sérgio Godinho, em passagem por Paris, onde vivera o Maio de 68, entra numa carruagem do metro. Na outra margem da carruagem, ouve uma voz melódica, profunda, a tocar e a cantar Brassens (ou Brel, ou Dylan, ou Van Morrison...). Jorge Palma tocava, cantava, oito horas por dia. Pagava a diária do quarto da pensão com a sua projeção de voz. Voz treinada, no auge. Abafada pelos carris, pelas conversas. No final, o chapéu de cabedal e a frase que iria servir uma canção sua: quelque chose pour la musique. Palma era um profissional do 'vagantismo'; levava a sério o seu ofício, como levaria a sério outro que o livrasse do relento. Do outro lado da carruagem, SG (como Serge Gainsbourg), na parábola de acasos que é a sua vida, cruza o olhar com Palma, o seu amigo português, com muitos destinos e passados comuns. E Palma, num assomo de saudade, antes de se despegar da música para matar saudades de um dos seus grandes mentores, toca para franceses uma das canções que iriam tocar 35 anos mais tarde na união ‘Juntos’, com SG: 'A Noite Passada', de 1971. Encontro inesperado com Sérgio Godinho no metro. Em Paris. Descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo – a letra inteirinha. Palma, com T-shirt e colete de cabedal, acabou a canção, atravessou a carruagem e foi finalmente dar um abraço português a SG.

Palma tinha já, nesse ano, em 1980, três álbuns editados. Não era já um cantor incógnito. Participara até uns anos antes num festival da canção, no festival mais democrático de sempre, em 1975, com o ‘índio’ Fernando Girão. Tinha já tarimba de composição bebida na rua da Saudade, ao lado de Ary dos Santos, que o ensinou a escrever letras em Português; o jovem Palma, dos Sindicato, que partilhara palco com Elton John e Manfred Mann no primeiro Vilar de Mouros, escrevera umas canções complexas em inglês e Ary dera-lhe trilho do que era escrever na sua língua – que o português exige trabalho de artesão. Em 1977, "Té Já" seria um álbum de despedida do seu país (era já tempo de embalar a trouxa e zarpar), ele que já zarpara tantas outras vezes para palmar vários recantos da Europa – que a essência de Palma sempre foi onde se sentia estar bem.

1977 seria o ano de 'Bairro do Amor', canção gravada anos mais tarde um punhado de vezes, com arranjos mais complexos ou mais minimalistas. O 'Bairro do Amor' é a canção de Jorge Palma, se a cada compositor pudesse ser conferida apenas uma marca. O 'Bairro do Amor' é uma canção de amor mas é sobretudo uma autobiografia – dele e dos outros que com Palma partilharam vivências, como seriam todas as suas canções. De pessoas que com ele ou por ele viveram história comum – fosse um amigo, um amor ou o seu país. Voltaria outras vezes, partiria ainda outras, depois de outros álbuns editados, para estender o chapéu, em Paris ou em Lisboa, e pedir qualquer coisa pá música. Em 1977, Jorge Palma era já muito do que se esperara dele em criança - um predestinado, um menino prodígio. Com a diferença (que isso não estava escrito nas aspirações tradicionais da sua família) que fazia de si o que as suas letras, a sua música, a sua pose, a sua independência e a sua entrega ditassem.

Jorge Palma é mais do que música: é poesia. É aquele cigarro entre os dedos. É aquele sorriso franco e aquela voz arrastada. É o rosto das madrugadas. Do tilintar de copos e de conversas francas – como que a selar amizades eternas no último vodca tónico (há muitos anos que lhe voltou as costas) antes de dormir. Jorge Palma é definido como um homem sem perspetivas. Porque o Pavilhão Atlântico ou um palco bas-fond de Copenhaga têm o mesmo fascínio consoante o fazem esquissar um sorriso ou um encolher de ombros. Dependem apenas de quem ama e está ao seu lado. Porque o gueto pode ser o palco comum dos consagrados ou dos que ditam a sua vida através de encruzilhadas. É disso que é feita a essência de Jorge Palma: da sua genuinidade. É o compositor marginal que gostaríamos de ser, de representar – como um arquétipo de liberdade e do ‘estou-me borrifando’, não confundido com desleixo ou desmazelo. Mas pode ser facilmente confundido: pelas canções tocadas a meias com o público por se ter esquecido das letras ou por ter errado um acorde. Das entrevistas dadas com a voz arrastada. Um Gainsbourg à portuguesa – apesar de não se atrever tanto como o amante de Bardot e Birkin.

Os excessos nunca lhe toldaram o talento, ao contrário de Gainsbourg. Porque Jorge Palma já ouviu muita música (toda?) e o seu ouvido é uma peneira em forma de amplificador. E essa peneira, de mãos dadas com uma educação acurada e rigorosa, nunca o fizeram ser deselegante como pessoa – como o poderia ser na música? Certa vez, num programa da manhã, em homenagem a Lia Gama (a Pepsi Rita do Kilas; outra das Ritas da sua vida), tendo saído de tudo menos de uma noite serena, ofereceu à Lia um Moleskine com uma dedicatória escrita à pressa – incentivando-a a escrever. A escrever canções como o Brecht que amavam, a escrever como os predestinados, como Lia é e como os dois são. Vicente Palma, o filho de Jorge Palma que é o Jorge Palma com filtro, assumiu que o seu pai é o músico mais perdoado de Portugal.

Pelo muito bem e bom que fizeste, pelo muito que poderias ainda de mal fazer, tiveste e terás muita margem para errar, Jorge. Portugal agradece esta viagem na Palma da tua mão.

No bairro do amor cada um tem de tratar
das suas nódoas negras sentimentais

Ouvir também: Estrela do mar, 1984. Acordei com o toque suave de um beijo / e uma cara sardenta encheu-me o olhar... Os arranjos de 1991 para o álbum estavam impregnados de Conservatório, impregnados de uma severa mas arrojada Olga Prats. É talvez a obra de Palma mais complexa: como se Bach, Lizt ou Mahler se tivessem apoderado das suas canções.

  • 101 canções que marcaram Portugal #17: 'Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades', por José Mário Branco

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    Aquilo por que José Mário Branco lutou foi a sua matriz de vida: a liberdade. Tomou-a a pulso e guardou décadas a tentar incutir em Portugal que a liberdade não é um dado adquirido e que há muitas formas de repressão. A história de José Mário Branco atravessa Humberto Delgado, Paris, Zeca Afonso e Luís de Camões. É feita de inquietação e serve de rumo para um Portugal atual. Esta é a 17ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #18: 'Sôdade', por Cesária Évora

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    Cesária Évora é a embaixadora de Cabo Verde no mundo, 'Sôdade' a sua canção mais emblemática. A que define a essência dos cabo-verdianos: a angústia de ficar querendo partir e a angústia de partir querendo ficar. Esta é a 18ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #19: 'Marcha dos Desalinhados', pelos Delfins

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    A história dos Delfins cruza-se com António Variações, Eduardo Nascimento e Miguel Esteves Cardoso. Tiveram engenho para criar canções servissem tanto quem quisesse revoltar-se como quem quisesse uma música de fundo para abraços apaixonados. Foram a banda do pós-PGA, de uma geração que não tinha por que revoltar-se, a maior banda portuguesa dos anos 90. Esta é a 19ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #20: 'Cavalos de Corrida', pelos UHF

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    No final dos anos 70, como reação a canções de intervenção e delicodoces, passou a construir-se uma nova música em Portugal. Nascidos na margem a sul da capital, os UHF foram alento para uma nova geração de músicos e de público, regulando até hoje o rock que se faz por cá. Esta é a 20ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #21: 'Porta Secreta', por Artur Garcia

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    Em 1967, o Festival da Canção foi ganho por Eduardo Nascimento. Nesse ano, Artur Garcia, uma das grandes vedetas em Portugal, levou a canção que o iria imortalizar, tendo porventura escolhido o ano errado para levar a concurso a sua ‘Porta Secreta’. Foi um ídolo do seu tempo. Esta é a 21ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #22: 'Sonho Azul', por Né Ladeiras

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    'Sonho Azul' é a canção mainstream de Né Ladeiras, a que iria lançar a cantora hoje conotada com uma ambiência mais tradicional. É uma canção elegante e intemporal dos anos 80, mas foi para Né Ladeiras um apeadeiro na música que queria dar ao país nas décadas que se seguiriam. Esta é a 22ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #23: 'Amanhã', pelo Duo Ouro Negro

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    Foram embaixadores do Portugal tropical. Foram embaixadores de Angola em Portugal e no mundo. O que fez de Raul e Milo maiores, para além da elegância da sua música, foram aquelas vozes mornas, os braços abertos, a alegria e os passos roubados à caduque e ao semba. Esta é a 23ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #24: 'Rolar no Chão', pelos Afonsinhos do Condado

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    Os Afonsinhos do Condado deram a Portugal o Caribe. Era uma banda delirante, mas não se limitava a fazer humor. Tinha um naipe de grandes músicos e bagagem vasta de muita música e de muitos géneros, que culminou em canções refinadas que marcaram o final da década de 80. Esta é a 24ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #10: 'Menina dos Olhos d'Água'

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    Pedro Barroso foi um homem de contradições: doce e indignado, um homem com o ‘sim’ por génese e o ‘não’ por convicção. Um esculpidor de cantigas impassível a modas, um criador sem tempo – sempre no tempo certo. Esta é a décima de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #11: 'Vendaval', por Tony de Matos

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    Tony de Matos foi ‘o’ grande cantor romântico de Portugal, um Sinatra à portuguesa. Tinha uma melena negra, fatos de bom corte e uma voz agigantada. Fez suspirar mulheres pelo seu jeito marialva e homens pelo seu carisma. ‘Vendaval’ é a história de uma grande canção. Esta é a 11ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #13: 'Canção de Madrugar', pelo Conjunto Académico João Paulo

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    Portugal não compareceu na Eurovisão em 1970, mas Sérgio Borges, o vencedor, inscreveria com autoridade outra das canções desse festival. O seu Conjunto Académico faria de ‘Canção de Madrugar’ um sucesso. É uma canção que, cantada de mil formas, soará sempre nova. Esta é a 13ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #14: 'Estou Além', por António Variações

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    António Variações viveu 39 anos e varreu Portugal em dois. Portugal ainda não se recompôs de António Variações. Variações não era de tempo algum e o nosso tempo ainda não chegou a Variações. Uma história da música em Portugal que cruza Amares, o Frágil, o Zé da Guiné, a Guida Gorda e Andy Warhol. Esta é a 14ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #15: 'Verdes Anos', por Carlos Paredes

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    Carlos Paredes era um compositor complexo e um homem complexo. O bem que fez resume a essência de onde está a nossa génese. Poderia servir de compêndio para a diferença entre o virtuosismo e a emoção. A sua história cruza música popular e erudita. Malangatana. E Big Macs. Esta é a 15ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #16: 'A Minha Casinha', por Milú

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    Milú foi figura primeira de filmes nos anos 40 e 50. Arriscou carreira no Brasil, regressou e esteve quase vinte anos sem filmar. José Fonseca e Costa recuperou-a já veterana, desconstruindo a imagem cândida que preservava de filmes estereotipados. ‘A Minha Casinha’, tal como ela, faz parte de um tempo ingénuo e puro, faz parte de Portugal, mas pouca parte faz já de nós. Esta é a 16ª de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para a história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #2: 'Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim', por Dina

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    Dina. Dinamite. A meia dose, como lhe chamava Kris Köpke. Bebeu música de África e do rock, e com elas compôs baladas. Pouco tempo antes da reclusão, teve direito a celebração com músicos insuspeitos. Como insuspeito foi construído o seu percurso na canção em Portugal. Esta é a segunda de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas, os compositores e os intérpretes que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #3: 'Lisboa Menina e Moça', por Carlos do Carmo

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    Esta canção, escrita a quatro mãos, tornou-se no hino de Lisboa. De uma Lisboa que ainda existe, que existirá sempre. Os bairros, o fado, a sua luz. Lisboa vive hoje de outros pregões, mas nem por isso deixa de ser uma cidade menina e moça, a mulher da vida de muitos. Esta é a terceira de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #4: 'Demagogia', por Lena d'Água

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    'Demagogia' é uma canção da pré-ressaca do rock português. Uma canção politizada, de inquietação contra os políticos, uma canção de ressaca da saída de Lena d'Água da Salada de Frutas. Esta é a quarta de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #5: 'A Canção do Beijinho', por Herman José

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    O Portugal de 1980 estava ainda a despedir-se da euforia da revolução. Estava a ser bonita a festa, pá. Estava de bem consigo, indiferente à troika que aí viria. Queria pão e vinho sobre a mesa. Festas e afetos. E Herman José, que nunca aprendera a ser povo, fê-lo sempre em maior do que todos. Esta é a quinta de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #7: 'Recordar É Viver', por Victor Espadinha

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    ‘Recordar É Viver’ é uma canção portuguesa, mas poderia ser francesa ou italiana. Victor Espadinha, homem inquieto e de muitos talentos, soube aí que tinha mais um: cantar. O homem dos palcos, da rádio, da televisão, da greve de fome, da carreira adiada em Londres, teve assim a legenda de uma carreira que não se bastou aí. Esta é a sétima de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #8: 'Kanimambo', por João Maria Tudella

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    João Maria Tudella foi espião, cantor, tropicalista empedernido. Era um aristocrata nos modos e na substância. 'Kanimambo', o seu 'one hit wonder', é hoje uma canção datada, que conserva a memória dos que viveram no Portugal ultramarino. Ainda que essa memória não esteja ainda esquecida, quem ouve hoje os primeiros batuques da canção não deixa de sorrir, de rever o seu humor. Uma história que cruza Lourenço Marques, o Repórter X e Jorge Jardim. Esta é a oitava de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #9: 'Amor', pelos Heróis do Mar

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    Foi uma das saídas fora de estrada que os Heróis do Mar fizeram para regressarem depois à sua matriz. À provocação do início seguiu-se uma canção doce, dançável, inflexão ao rock seco que se fazia então em Portugal. Ainda hoje, aquele ‘dráá-tá-tá-tá’ tem um efeito dopamínico. Esta é a nona de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas que ficaram para história da música portuguesa

  • 101 canções que marcaram Portugal #1: 'Desfolhada Portuguesa', por Simone de Oliveira

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    Se Portugal pudesse escolher uma só cantiga do Festival da Canção, escolheria com certeza a ‘Desfolhada’. Simone de Oliveira deporia em 1969 a sua condição de menina. Tomaria balanço para mais cinco décadas de emoção – sentida e feita sentir. Sempre a conjugar com o verso de Ary, com um fogo posto. Esta é a primeira de 101 canções que marcaram Portugal, uma rubrica que homenageia as cantigas, os compositores e os intérpretes que ficaram para história da música portuguesa