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Jay L. Clendenin

Campanha #BlackoutTuesday só serve para “desviar a atenção”. Estes são os artistas que estão contra o movimento

Iniciativa antirracismo juntou ontem alguns dos mais importantes agentes da indústria musical mas nem toda a gente concordou com o que foi feito

A iniciativa #BlackoutTuesday, que parou ontem a indústria musical numa tomada de posição contra o racismo, não agradou a toda a gente. Foram vários os artistas negros que se manifestaram contra uma campanha que dizem desviar as atenções do verdadeiro ativismo.

Rihanna e os Rolling Stones foram alguns dos nomes que se juntaram à #BlackoutTuesday, que surge integrada num contexto mais alargado de protestos contra o racismo nos Estados Unidos, provocados pela morte de George Floyd às mãos da polícia de Minneapolis.

Do outro lado da barricada estão Lil Nas X, que se tornou um fenómeno de popularidade em 2019 devido ao sucesso da canção 'Old Town Road', Kehlani ou mesmo The Weeknd. Apontando o dedo à indústria por desviar as atenções do verdadeiro racismo, os artistas acusam as grandes editoras de lucrarem muito com artistas negros.

A Columbia, editora de Nas X, associou-se ao movimento, mas o rapper acredita que é "a pior ideia de sempre" e resolveu partilhar nas suas redes sociais mensagens de ativistas e informação que julga contribuir mais para a causa do que partilhar um quadrado negro.

"O que é necessário é fazer circular informação", escreve Nas X, "o movimento precisa de ser empurrado para a frente e não silenciado durante um dia. Este é o momento de fazer as coisas avançar com a maior força possível. O movimento nunca foi tão poderoso. Não precisamos de o travar partilhando nada, precisamos de divulgar informação da forma mais barulhenta possível".

Por seu lado, Kehlani achou que a iniciativa era pobre e sugeriu que durante uma semana "ou mesmo um mês" não houvesse qualquer tipo de lançamento de álbuns ou singles: "se as editoras quiserem avançar com as edições na mesma deviam dar aos artistas negros todo o dinheiro que fizerem".

Foi também nesse sentido que o canadiano Weeknd juntou a sua voz, apelando aos seus parceiros na indústria musical que doem quantias significativas de dinheiro para apoiar as causas do movimento "Black Lives Matter", tal como o próprio tem feito.

"Meus caros e respeitados parceiros e executivos da indústria: ninguém lucra mais com a música negra do que as editoras e os serviços de streaming", escreveu Weeknd no Twitter, acompanhando a publicação com um quadrado negro com os logotipos da Universal, Sony, Warner, Apple Music e Spotify. "Eu doei ontem e peço-vos que façam o mesmo, em grande e em público, esta semana. Significaria muito para mim e para a comunidade se se juntassem a nós".