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"Deixem o Pimba em Paz" - Bruno Nogueira e Manuela Azevedo no Campo Pequeno, Lisboa

Rita Carmo

Bruno Nogueira reage a críticas. “Só aceitei fazer este espetáculo porque as novas regras o permitem. Não vi ninguém tirar a máscara”

Depois de esta semana ter sido 'protagonista' de dois espetáculos “Deixem o Pimba em Paz”, no Campo Pequeno, em Lisboa, Bruno Nogueira defende-se das críticas de quem considera que foi perigoso realizá-los em plena era covid-19

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Bruno Nogueira escreveu no seu Instagram um texto sobre as noites do projeto Deixem o Pimba em Paz no Campo Pequeno, em Lisboa.

Estes espetáculos marcaram a reabertura das salas após a paragem ditada pela pandemia de covid-19 e foram aplaudidos pelos espectadores (cerca de 2200 em cada noite), mas também criticados por aqueles que consideram que a realização dos concertos poderá ter sido precoce e perigosa.

"Foram várias as coisas que me comoveram nestas duas noites de recomeço em passos de bebé da cultura em Portugal: poder estar num palco novamente, ver técnicos e músicos numa alegria emocionante, sentir a plateia receber-nos com muito mais amor do que nunca. Enfim, muita coisa. Mas diria que a que esteve acima de todas foi fruto desta nova vida: o equilíbrio entre as ganas e o cuidado do público que lá esteve. Só aceitei fazer este espectáculo porque isso me foi assegurado, e porque as novas regras da DGS e do Governo assim o permitem", diz Bruno Nogueira.

"As entradas foram sempre feitas com o distanciamento exigido, com marcas no chão que pediam às pessoas que esperassem a dois metros da pessoa da frente. E assim foi. Durante o espectáculo não vi ninguém a tirar a máscara e a facilitar. Cada duas pessoas tinha dois lugares vazios à frente, atrás e de cada lado. E no fim, a saída foi comandada por alguém que subiu ao palco e foi anunciando fila a fila quem sai, para umas vez mais evitar ajuntamentos. E assim foi uma vez mais. No fim ninguém começou a sair e a furar as regras. Muitos frentes de casa extra a ajudarem a que tudo corresse bem, só 50% da sala vendida, tecto do Campo Pequeno recolhido para que o ar circulasse melhor. Quem esteve sentiu-se seguro, e é isso que faz destas duas noites uma memória feliz e apaziguadora", garante.

"Neste novo normal mais vale pecar por excesso de cuidado, até se descobrir onde e se se pode facilitar. Foram dois espectáculos muito bonitos, e sentir a sede de tempos novos valeu por tudo. Mas o respeito e cuidado de 2200 pessoas por noite, e nenhuma delas lutar só pelo seu bem estar em detrimento da saúde pública, esse terá sido talvez o maior triunfo. Que se regresse assim, cheios de vontade de tudo, mas com a cerimónia e cuidado que exige este reaprender a andar. O bicho ainda anda aí, nunca esquecer", alerta. "Que bonito que foi, e que ansioso fico agora para ser espectador".