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NOS Alive 2018

Rita Carmo

Não reembolso de bilhetes de festivais portugueses gera grande descontentamento no estrangeiro

Anúncios recentes de adiamento de festivais portugueses estão a gerar indignação nos compradores estrangeiros. Em causa está o não reembolso dos bilhetes adquiridos

Os compradores estrangeiros de bilhetes para festivais portugueses adiados para 2021 devido à pandemia têm manifestado o seu descontentamento face à impossibilidade de aceder ao reembolso do valor despendido.

Particularmente notado é o caso do estreante Rolling Loud, festival dedicado ao hip-hop que se realizaria pela primeira vez na Europa no próximo mês de julho, na cidade algarvia de Portimão. No contexto de pandemia de covid-19, o festival que nasceu em Miami e chegaria este ano a Portimão acontecerá agora a 6, 7 e 8 de julho de 2021, com o mesmo cartaz, avança a organização. Em comunicado, diz-se que os bilhetes comprados para 2020, com A$AP Rocky, Wiz Khalifa e Future como cabeças de cartaz, serão válidos para 2021 e que os detentores de bilhete podem colocá-los à venda "através de uma plataforma oficial de revenda", se o desejarem, não fazendo qualquer alusão ao reembolso.

À BLITZ Tiago Castelo Branco, responsável pela MOT, promotora portuguesa do Rolling Loud (e do Afro Nation, também adiado nos moldes moldes), revelou que de 55 mil bilhetes vendidos apenas 9 mil correspondem a espectadores portugueses. Estados Unidos, Austrália, Alemanha ou Reino Unido foram os principais compradores de bilhetes. E é de festivaleiros estrangeiros que provêm as queixas mais contundentes, que se têm sucedido nas redes sociais.

Também o adiamento do NOS Alive tem motivado insatisfação no estrangeiro, novamente pela questão do reembolso não ter sido ainda abordada. Ao jornal espanhol "La Voz de Galicia", Álvaro Covões, responsável máximo pelo festival, diz que aguarda a decisão da Assembleia da República, que discutirá a proposta de lei do Governo esta quinta-feira para decidir se adia a edição deste ano do festival ou se a reformula, "já que será impossível manter o mesmo cartaz", que este ano contemplava Taylor Swift, Kendrick Lamar, Strokes e Billie Eilish, entre outros. O empresário refere que até fevereiro tinha vendido cerca de “20 mil bilhetes a estrangeiros”.

Tentando encontrar “um equilíbrio entre a sustentabilidade financeira dos operadores económicos e os direitos dos consumidores”, o que o governo propõe, no que diz respeito aos festivais de verão e “espetáculos de natureza análoga” proibidos de se realizar entre 28 de fevereiro e 30 de setembro de 2020, é a emissão de um vale que poderá ser usado pelo comprador para o mesmo evento nas datas reagendadas ou, em alternativa, para outros eventos realizados pelo mesmo promotor (com os devidos ajustes de valor). O vale será válido até 31 de dezembro de 2021 e se não for utilizado poderá ser pedido o reembolso em 2022, no prazo de 14 dias úteis. É esta proposta de lei que vai esta quinta-feira à aprovação da Assembleia da República, podendo contudo conter alterações sugeridas pelos vários partidos.

Recorde-se que, no entendimento da DECO, "os festivais de verão são multieventos e quando há o cancelamento de um cabeça de cartaz, o que tentamos sempre é que o consumidor tenha direito a ser reembolsado”.