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O imenso poder da música ao vivo e a tremenda falta que ela nos faz. Um ensaio de Dave Grohl em tempos de pandemia

“De braços dados, cantei até não conseguir mais com pessoas que talvez não volte a ver. Tudo para comemorar e partilhar o poder tangível e comunitário da música”, escreveu Dave Grohl na 'The Atlantic'. Vale a pena ler

Dave Grohl escreveu um ensaio sobre o poder da música ao vivo para a revista "The Atlantic", e das saudades que tem de dar e ver concertos.

O líder dos Foo Fighters, que foram forçados a adiar a sua nova digressão devido à pandemia da Covid-19, começou por falar da sua própria experiência em concertos:

"Fui empurrado contra as grades da frente de um concerto rock. Toquei bateria imaginária ao som das minhas canções preferidas, numa sala cheia, e fui esmagado pelo público, enquanto dançava, perdido no ritmo, a um nível perigoso de decibéis", escreveu.

"Já fui erguido e transportado até ao palco por completos estranhos para voltar a mergulhar nos seus abraços suados. De braço dado, cantei a plenos pulmões com pessoas que poderei não voltar a ver. Tudo em celebração e partilha do poder tangível e comunal da música".

"Não me quero gabar", continuou, "mas há 25 anos que tenho tido o melhor lugar da sala. Porque vos vejo. Nas grades, a tocar bateria, erguidos pelo público e transportados até ao palco".

"Vejo os vossos cartazes e t-shirts antigas. Ouço o vosso riso e os vossos gritos e vejo as vossas lágrimas. Já vos vi bocejar, e já vos vi desmaiar de bêbados nos vossos lugares. Já vos vi no meio de furacões, de um calor insuportável, em temperaturas de gelar os ossos".

"Vi alguns de vós ficarem mais velhos e tornarem-se pais, com headphones protetores fluorescentes a balançarem-vos nos ombros. E a cada noite, quando digo ao nosso técnico para acender as luzes, faço-o porque preciso que essa sala diminua, para que me junte a vós num todo, sob a forte luz fluorescente", rematou.

Grohl deixou ainda uma nota: "é difícil imaginar a partilha de experiências como esta, outra vez. Não sei quando será seguro voltar a cantar de braço dado, mas sei que o voltaremos a fazer, porque temos de o fazer. Não é uma escolha. Somos humanos, e precisamos de momentos que nos assegurem de que não estamos sozinhos", disse.