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Rita Carmo

Álvaro Covões à imprensa espanhola: as perdas do NOS Alive, a impossibilidade de manter o cartaz e os concertos só com artistas portugueses

O promotor de espetáculos deu uma entrevista ao jornal La Voz de Galicia, na qual fala dos prejuízos do NOS Alive, da reabertura dos pequenos concertos em Portugal e até da situação no país vizinho. Afirma também que não conseguirá manter o cartaz da edição deste ano do NOS Alive em 2021

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Álvaro Covões, diretor da Everything is New, responsável pelo festival NOS Alive, deu uma entrevista ao jornal espanhol La Voz de Galicia, na qual fala abertamente sobre os prejuízos causados pelo cancelamento dos grandes festivais em Portugal.

"É uma autêntica desgraça para todos. Mas não havia alternativa, pois as características da pandemia não permitem garantir condições de segurança às 60 mil pessoas que vão ao Passeio Marítimo de Algés vibrar com o NOS Alive. E o mesmo acontece com os outros festivais portugueses", afirmou.

Na mesma entrevista, Álvaro Covões diz que o cancelamento dos festivais em Portugal representa "mais de mil milhões de euros perdidos", prejudicando também o turismo. Para as contas do festival da Everything Is New, "o cancelamento do NOS Alive implica um saldo negativo de 60 milhões de euros", concretiza. "Na minha empresa, a Everything Is New, trabalham mais de 100 pessoas e várias centenas são contratadas para concertos, eventos e para o NOS Alive. Estamos a falar de mais de cinco mil pessoas que do dia para a noite ficaram sem trabalho". O empresário refere que até fevereiro tinha vendido cerca de “20 mil bilhetes a estrangeiros”.

Sobre o NOS Alive, Álvaro Covões diz que aguarda a decisão da Assembleia da República, que discutirá a proposta de lei do Governo na próxima quinta-feira, 14 de maio, para decidir se adia a edição deste ano do festival ou se a reformula, "já que será impossível manter o mesmo cartaz", que este ano contemplava Taylor Swift, Kendrick Lamar, Strokes e Billie Eilish, entre outros. Recorde-se que, no entendimento da DECO, "os festivais de verão são multieventos e quando há o cancelamento de um cabeça de cartaz, o que tentamos sempre é que o consumidor tenha direito a ser reembolsado”.

Na opinião de Álvaro Covões, que é filho de mãe espanhola, o Governo de Espanha devia, também, cancelar os festivais de verão. "À semelhança do Governo português, o Governo espanhol devia anunciar já o cancelamento dos festivais. Os promotores não aguentam mais esta incerteza e o setor turístico muito menos", defende. "Temos de esquecer as grandes viagens e apostar, como nos anos 70 e 80, nas viagens de carro pela Península Ibérica".

Quanto à reabertura de concertos com novas regras, Álvaro Covões diz que esses espetáculos se farão "com artistas portugueses, a partir de 1 de junho, quando abrirem os teatros e as salas, em lugares mais pequenos e adaptados às condições de distância social e segurança impostas pelas nossas autoridades".