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“A heroína impediu-me de morrer do alcoolismo”. Mark Lanegan tem muitas histórias para contar

A propósito do lançamento de um livro com as suas memórias, o norte-americano fala sobre os seus vícios e também sobre a infância, marcada pelos maus tratos às mãos da mãe, que viu o seu pai ser assassinado à porta de casa

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Mark Lanegan deu uma nova entrevista, desta vez ao jornal britânico The Guardian, sobre a sua vida turbulenta, retratada no livro "Sing Backwards and Weep".

Depois de contar em pormenor, à Rolling Stone, como se tornou amigo de Kurt Cobain e porque deve a Courtney Love o facto de estar vivo, o norte-americano falou sobre a sua infância traumática.

Filho de pai alcoólico, Mark Lanegan sofreu maus tratos às mãos da mãe, que em criança vira o seu próprio pai ser morto.

Aos 12 anos, o músico já tinha problemas de jogo e alcoolismo, era viciado em pornografia e roubava; aos 18, fora acusado de posse de drogas, furto, vandalismo e fraude, entre outros crimes.

Ao Guardian, Mark Lanegan confessa que não queria incluir os episódios da sua infância no livro. "Mas explicaram-me que não criamos a nossa vida musical num vácuo. Tem de haver um pano de fundo".

Vindos de um meio de "pobreza extrema", os pais do cantor eram professores. A sua mãe, Floy, viu o seu pai ser morto no jardim de casa, quando era criança, e maltratava o filho; quando Mark tinha 8 anos e a perna engessada, depois de partir o fémur, a mãe mandou-lhe com uma caixa de livros à cabeça, num acesso de raiva. O seu pai, Dale, era "um homem carinhoso, de bom coração, que tinha boas intenções mas não me conseguia controlar".

Ao ver uma foto de Iggy Pop na revista Creem, quando andava no liceu, Mark Lanegan interessou-se pelo punk e acabou por integrar a banda Screaming Trees, com cujos membros teria uma relação de grande animosidade. Porém, não abandonou a banda, para poder continuar a sustentar o seu vício em drogas pesadas.

A heroína, conta, salvou-o "de morrer dos horrores do alcoolismo extremo"; em 1992, durante uma digressão dos Screaming Trees, é internado com um braço tão infetado que os médicos ponderam amputá-lo.

Quanto à primeira vez que viu Kurt Cobain ao vivo, na sua pequena cidade de Ellensburg, Mark Lanegan recorda: "voltei para a minha barraca com um passo e um espírito diferentes. Tinha acabado de ver algo tocado pela grandeza".

No livro, Mark Lanegan presta ainda homenagem a alguns dos músicos que mais o inspiraram, como Nick Drake, Leonard Cohen e Neil Young, e recorda uma digressão dos Screaming Trees com os Oasis, em meados dos anos 90, em que Liam Gallagher tentou desafiá-lo para lutar.

"O Liam Gallagher parecia um mosquito irritate. Ficava ali, como uma criança petulante, a tentar parecer ameaçador... mas metia tanto medo como um Steven Seagal de série Z".