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Vitorino Coragem

Vasco Sacramento, promotor de concertos: “A questão da confiança do público preocupa-me muito. Como é que vamos regressar a uma multidão?”

Nome ligado a alguns dos maiores artistas em Portugal, como Ana Moura, Pedro Abrunhosa ou António Zambujo, Vasco Sacramento é também programador do Capitólio, em Lisboa e promotor do Festival F e de várias centenas de concertos ao longo do ano. Em relação ao regresso à atividade cultural em convivência com a covid-19, afirma: “Tenho esperança de que no verão possamos fazer já algumas coisas, mas julgo que não serão os espetáculos que estamos habituados a ter”

Vasco Sacramento, responsável pela agenciamento de concertos de nomes como Pedro Abrunhosa, Agir, Carolina Deslandes, Ana Moura ou António Zambujo, assume-se pessimista em relação à retoma da atividade cultural - nomeadamente no que diz respeito à realização de concertos e festivais de música - após o final do estado de emergência, previsto para o início de maio.

"O cenário não é animador, não vamos estar com ilusões, até porque as indicações que chegam do resto da Europa são todas muito pouco otimistas para o verão", afirma, em entrevista à edição desta semana da revista Visão.

"Tenho esperança de que no verão possamos fazer já algumas coisas, mas julgo que não serão os espetáculos que estamos habituados a ter. Posso dizer que estou pessimista, mas espero estar enganado", considera o também programador do Capitólio, em Lisboa, e organizador do Festival F, em Faro.

As dúvidas do diretor da Sons em Trânsito são, para já, muitas. "Começando a haver cancelamentos por toda a Europa, haverá um efeito de bola de neve. As fronteiras vão estar abertas? As companhias aéreas e os hotéis a funcionar em pleno?", questiona-se.

Outra situação colocada em perspectiva é a da confiança do público em acorrer a eventos de música ao vivo enquanto não existir uma vacina. "Além da autorização legal para voltarmos à atividade, há a questão da confiança nos espectadores. Isso preocupa-me muito. Como é que as pessoas vão regressar a uma multidão?".

Sacramento considera que, durante o período de confinamento social, os concertos ao vivo na internet ("lives") foram um statement ("marca-se uma posição de resiliência, de inconformismo"), mas entramos agora "numa segunda fase, em que se tenta rentabilizar estes auditórios virtuais".

"Já fizemos mais de uma dezena de espetáculos online com marcas", admite. "Desde simples diretos até sessões privadas exclusivas para funcionários de empresas. Com a Carolina Desalandes e o Pedro Abrunhosa, por exemplo", remata.