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William Gottlieb

Indie Lisboa devia começar hoje, mas foi adiado para o verão. E não será digital

No dia em que devia começar, o festival de cinema independente anunciou os novos planos, que passam por uma edição "física", mas noutras datas

Ao contrário do que vem sucedendo com numerosos eventos culturais, o festival de cinema IndieLisboa não terá este ano uma edição digital.

Inicialmente previsto para os próximos dias, o IndieLisboa anuncia que prevê realizar a sua edição deste ano em várias salas de cinema, no final do verão.

Filmes de Bruno Dumont, do coletivo The Living and the Dead Ensemble e da dupla luso-suíça Maya Kosa e Sérgio da Costa integram a 17.ª edição do IndieLisboa, que decorrerá entre agosto e setembro.

No dia em que o festival de cinema IndieLisboa devia começar, a direção revelou hoje parte da programação, nomeadamente a competição internacional e a secção Silvestre, que só acontecerá no final do verão, por causa da pandemia da covid-19.

Da programação do Indie Music constam filmes sobre Billie Holiday ("Billie", de James Erskine); sobre a música improvisada portuguesa ("Caos e Afinidade", de Pedro Gonçalves); sobre a digressão de 1969 dos Rolling Stones que culminaria no trágico festival de Altamont ("Gimme Shelter", de 1970); sobre a cena de Laurel Canyon ("Laurel Canyon", de Alison Ellwood); sobre Charles Aznavour ("Le Regard de Charles", de Marc di Domenico), ou sobre o punk britânico do final dos anos 70 e a sua influência na política ("White Riot", de Rubika Shah).

Pode ver aqui a lista completa dos filmes da secção Indie Music.

A competição internacional contará com 12 longas-metragens e 31 curtas, com a direção do IndieLisboa a destacar "a forte presença africana" nesta edição, nomeadamente pela seleção dos filmes "Nafi's Father", do senegalês Mamadou Dia, e "This Is My Desire", dos nigerianos Arie Esiri e Chuko Esiri.

Na competição estão ainda o documentário "L'Île aux oiseaux", dos luso-suíços Maia Kosa e Sérgio da Costa, que esteve em competição em 2019 nos festivais de San Sebastian (Espanha) e Locarno (Suíça), e "Si Yo Fuera el Invierno Mismo", filme da argentina Jazmin Lopez com direção de fotografia de Rui Poças.

Na secção Silvestre, dedicada a filmes "cuja rebeldia espelhe o espírito do festival", foram incluídos, entre outros, "Jeanne", de Bruno Dumont, que mereceu uma menção especial em 2019 no festival de Cannes, o documentário "State Funeral", de Sergei Loznitsa, e "Uppercase Print", de Radu Jude.

A eles junta-se ainda o filme experimental "Ouvertures", do The Living and the Dead Ensemble, um coletivo formado em 2017 por vários artistas oriundos do Haiti, França e Reino Unido. O filme foi apresentado este ano em Berlim.

A programação completa do IndieLisboa 2020, incluindo a seleção de filmes portugueses e atividades paralelas, só será conhecida a partir do final de julho.

A organização já tinha anunciado algumas novidades da programação, nomeadamente uma retrospetiva de toda a obra do realizador senegalês Ousmane Sembène, uma homenagem aos 50 anos da secção Fórum da Berlinale e um ciclo dedicado à realizadora franco-senegalesa Mati Diop.

A 17.ª edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema - decorre de 25 de agosto a 5 de setembro no Cinema São Jorge, Culturgest, Cinema Ideal e Cinemateca Portuguesa.