Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

Espanha: festivais de música e grandes concertos não regressam com o desconfinamento

Não deverá haver festivais de música nem grandes concertos em Espanha este verão, devido à pandemia de covid-19. Responsável pelo festival Primavera Sound admite que o panorama poderá manter-se no resto do ano. Em Portugal, decisões serão comunicadas esta quinta-feira

A apresentação do plano de desconfinamento em Espanha, em contexto da pandemia da covid-19, estabelecerá fortes condicionamentos às atividades culturais no país vizinho.

De acordo com o diário La Razón, serão definidos vários prazos de recuperação da normalidade, sendo que apenas num terceiro momento será permitida a abertura de eventos com menos de 800 pessoas, sentadas e com distância de segurança mantida entre as mesmas, o que deverá acontecer no final de junho. Depois, só o que a situação epidemiológica ditar.

A viabilidade de eventos maiores será avaliada de acordo com a "nova normalidade", mas é tido como certo que os festivais de julho e agosto não terão condições para acontecer. Albert Guijarro, um dos responsáveis pelo Primavera Sound (que adiou a sua edição espanhola para agosto e a portuguesa para setembro), afirma ao diário espanhol que "tudo aponta para que este verão, e talvez o resto do ano, não haja espetáculos de grande dimensão".

As fases de retoma em Espanha são espaçadas em duas semanas, seguindo recomendações da União Europeia. Na 'fase 1' ("inicial"), que será encetada a 9 de maio, uma vez levantado o estado de emergência, permitir-se-á o acesso a bibliotecas, apenas para requisição de obras, mantendo-se lotações reduzidas; atos públicos ao ar livre com menos de 200 pessoas, sentadas e mantendo distanciamento; museus com um terço da capacidade; rodagens de filmes e televisão.

Na 'fase 2' ("intermédia"), quinze dias depois, abrem-se monumentos, também a um terço da capacidade, e espetáculos ao ar livre com menos de 400 pessoas, cumprindo as regras de distanciamento acima referidas. Salas de cinema e teatros também se incluem neste período, igualmente respeitando restrições.

Num terceiro momento ('fase 3', designada de "avançada"), algumas atividades poderão ampliar a sua capacidade para metade da lotação total, autorizando-se eventos com menos de 800 pessoas ao ar livre, onde se incluem espetáculos de música.

Findas estas três fases, a gestão é feita com base nos dados existentes: contágios, situação médica, possibilidade de vacina ou tratamento. Será a designada "nova normalidade", sempre dependente da evolução da situação epidemiológica. É o que afirma o "Plano de Transição Rumo a uma Nova Normalidade", assinado pelo Ministério da Saúde de Espanha.

Cancelar? É preciso “força maior”

Em Espanha, os festivais não pretendem cancelar as suas edições sem que se invoque "motivo de força de maior", algo que deverá partir do Governo. É o que pretendem também os festivais portugueses quando afirmam que consideram urgente uma tomada de decisão por parte do Executivo. Só invocando força maior os promotores poderão romper contratos com artistas e fornecedores. Também nessa circunstância estarão em condição de lidar com uma situação fulcral: a gestão do reembolso dos bilhetes comprados.

As propostas espanholas estão alinhadas com as que existem do lado de cá da fronteira. Promotores portugueses fizeram um conjunto de sugestões ao Ministério da Cultura e entre as medidas que poderão vir a ser adotadas encontra-se a a oferta de um vale (voucher) a quem tiver comprado bilhete para um festival que já tenha sido ou venha a ser cancelado. Esse talão assegurará a entrada na nova data do evento, mas se não for utilizado com este propósito pode ser trocado pelo montante gasto na compra do bilhete ou passe. Contudo, propõe-se, tal só poderá acontecer depois da realização do festival em nova data, havendo um prazo até ao final de 2021 para que tal aconteça. Apenas quem estiver desempregado poderá pedir o reembolso do bilhete no imediato, de acordo com o mesmo documento.

Entre os festivais espanhóis, a nota é de pessimismo. Quase todos os países europeus estão a inibir a realização de espetáculos de massas até setembro, nota-se. "A incerteza é o pior", afirma um promotor catalão citado pelo El País.

No programa festivaleiro no país vizinho destacam-se festivais como o Mad Cool, em Madrid, o Bilbao BBK Live, em Bilbao, e o Festival de Benicàssim, na comunidade de Valência, todos agendados para julho, pelos quais passam tradicionalmente nomes em comum com os festivais portugueses do mesmo período, com o NOS Alive ou o Super Bock Super Rock.

Em Portugal, os promotores dos maiores festivais de música reuniram-se esta terça-feira com o Governo, que ouviu as sugestões e preocupações de todos, remetendo agora uma decisão sobre a eventual realização dos eventos para depois do conselho de ministros que decorre na próxima quinta-feira. Presentes estiveram Roberta Medina (Rock in Rio), Álvaro Covões (NOS Alive), Jorge Lopes (MEO Marés Vivas) Luís Montez (Super Bock Super Rock, MEO Sudoeste), João Carvalho e Filipe Lopes (Vodafone Paredes de Coura) e Diogo Marques (EDP Vilar de Mouros), que à saída vieram acompanhados por Graça Fonseca, ministra da Cultura.

"O objetivo foi ouvir, perceber a heterogeneidade, a vontade que todos têm, e nós também, de manter alguma atividade, mas agora temos que analisar os contributos e depois tomar essa decisão", continuou Graça Fonseca, "Esta semana vamos a Conselho de Ministros tomar uma decisão global e, portanto, será incluída no plano global do relançamento da atividade e do que é possível fazer ao longo das próximas fases, nomeadamente maio e junho. Como sabem, vai ser um plano progressivo” em que deve ser incluído "aquilo que é possível fazer".

  • Festivais de verão em tempo de pandemia. Europa diz não. E em Portugal, como vai ser?

    Notícias

    Os principais festivais de música na Europa estão a cancelar ou a adiar as sua edições de 2020 devido à pandemia do novo coronavírus. Na liberal Dinamarca, um dos primeiros países a levantar restrições, não haverá concertos até setembro. Em Portugal, Rock in Rio e NOS Primavera Sound mudaram os seus planos, mas outros adiamentos poderão ser inevitáveis. Falámos com os promotores dos principais festivais portugueses, que mantêm uma confiança 'realista' em tempos adversos