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Rita Carmo

Festivais de verão em Portugal decidem-se na quinta-feira. “Vai ser um plano progressivo”, avisou a ministra da Cultura

Governo reuniu esta terça-feira com os principais promotores de festivais em Portugal. Decisões sobre o futuro só serão conhecidas depois do Conselho de Ministros de quinta-feira

O governo reuniu esta tarde, no Palácio de São Bento, com os promotores dos maiores festivais de música e ouviu as sugestões e preocupações de todos, remetendo agora uma decisão sobre a eventual realização dos eventos para depois do conselho de ministros que decorre na próxima quinta-feira. Presentes estiveram Roberta Medina (Rock in Rio), Álvaro Covões (NOS Alive), Jorge Lopes (MEO Marés Vivas) Luís Montez (Super Bock Super Rock, MEO Sudoeste), João Carvalho e Filipe Lopes (Vodafone Paredes de Coura) e Diogo Marques (EDP Vilar de Mouros) que à saída vieram acompanhados por Graça Fonseca, ministra da Cultura.

"Ouvimos as preocupações de todos e quais são os grandes desafios que se colocam principalmente este verão pela situação epidemiológica que temos vivido e agora com o aproximar de uma reabertura progressiva nos próximos meses", disse Graça Fonseca na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, "foram identificados os principais desafios e o governo irá decidir em seguida com base naquilo que ouvimos hoje". A ministra sublinhou, no entanto, "a diversidade" dos vários eventos, o que pode pressupor que as medidas não serão idênticas para todos os festivais que se estendem pelos meses de verão.

Questionada sobre se haverá condições sanitárias para a realização de eventos que atraem milhares de pessoas, Graça Fonseca disse que foi "uma das questões discutidas hoje com a presença da senhora ministra da Saúde": "ouvimos os vários promotores, são festivais muito diversos, os que estiveram aqui hoje em discussão e, portanto, não lhe vou responder a essa pergunta agora". Recorde-se que na Europa, com excepção de Espanha, os festivais que se realizam até final de agosto têm vindo a ser cancelados, como a BLITZ tem vindo a noticiar nas últimas semanas. "Vai ser um plano progressivo", acrescentou, anunciando que o diploma, já publicado, que rege o cancelamento e adiamento de espectáculos irá ser revisto e "reavaliado".

"O objetivo foi ouvir, perceber a heterogeneidade, a vontade que todos têm, e nós também, de manter alguma atividade, mas agora temos que analisar os contributos e depois tomar essa decisão", continuou Graça Fonseca, "Esta semana vamos a Conselho de Ministros tomar uma decisão global e, portanto, será incluída no plano global do relançamento da atividade e do que é possível fazer ao longo das próximas fases, nomeadamente maio e junho. Como sabem, vai ser um plano progressivo” em que deve ser incluído "aquilo que é possível fazer".

Ainda sobre os prejuízos que os vários festivais já tiveram ou podem vir a ter, a ministra disse que também foi um assunto abordado na reunião. "Como sabem, o governo aprovou, há umas semanas, um diploma relativo ao cancelamento e reagendamento de espetáculos. Já nessa altura dialogámos com o setor [tendo em conta] a preocupação com o impacto económico e a relação com os artistas, os técnicos e também o público, que comprou naturalmente bilhetes. Essa é, agora, uma frente que vamos retomar, reavaliando se o diploma deve ou não ser adaptado à nova realidade. Provavelmente sim, mas vamos decidir em consonância com o que ouvimos hoje", detalhou.

Álvaro Covões e Roberta Medina falaram também na conferência de imprensa. O primeiro explicou que foram à reunião "transmitir ao governo que todo o nosso setor tem, obviamente, vontade de começar a trabalhar, como todos os portugueses, o mais rápido possível, mas sabemos que esta abertura tem de ser progressiva e em segurança" e que confiam que "o governo tome as melhores decisões no sentido de iniciarmos a retoma de que tanto se tem falado. Estamos todos com vontade de ver um palco, ver um espetáculo, ver um artista e de aplaudir”.

Pelo seu lado, Medina, falando em nome do "grupo de trabalho", agradeceu a "disponibilidade de ter as várias áreas do governo pensando e reconhecendo o valor da indústria como um todo, da cultura e do entretenimento como parte importante da ativação da economia do país, do turismo também. Queria agradecer essa abertura para ouvir os vários desafios dos vários modelos de negócio que fazem parte desta nossa indústria. Agora, nos próximos dias é aguardar que as decisões sejam tomadas. Foi um diálogo acessível e aberto às nossas preocupações”.

Além de Graça Fonseca, estiveram presentes na reunião, que começou pouco depois das 15h30 e durou mais de duas horas, o primeiro-ministro António Costa, o ministro de Estado e da Economia Pedro Siza Vieira e a ministra da Saúde, Marta Temido.