Roger Waters não se imagina a tocar ao vivo com mais de 80 anos. “Vou fazer 77”
27.04.2020 às 17h34
O músico britânico falou abertamente sobre o facto de poder ser demasiado velho para dar grandes concertos quando a pandemia passar. “Tudo tem um fim”
Roger Waters não tem a certeza se, quando for possível voltar a dar grandes concertos, ainda estará em condições físicas de o fazer.
Em entrevista à Rolling Stone, o músico lembra que frequentes vezes toca nos mesmos recintos onde se desenrolam os campeonatos norte-americanos de basquetebol ou hóquei, pelo que poderá haver conflitos de agenda, quando os eventos desportivos e culturais foem reabertos.
"Aí só poderia trabalhar a menos que [atuasse em teatros], o que seria encantador. Tocar num teatrinho com algumas centenas de pessoas é difícil, mas também me entusiasma, pela intimidade que proporciona".
Quanto à questão da idade, diz Roger Waters: "Há pessoas que já deram os seus últimos concertos por serem muito velhos. Antes de marcar esta digressão para o próximo verão, pensei duas vezes, porque me sentia cansado", confessa, contando que na última digressão não se sentiu bem, devido a uma infeção bacteriana.
"Continuei a dar concertos, porque o espetáculo tem de continuar", recorda. "E agora sentia-me mais saudável e marquei mais uma digressão. Mas tenho 76 anos, no próximo ano já terei 77".
"Acho difícil dar um concerto rock de estádio quando tiver mais de 80 anos, e já só faltam uns quatro ou cinco anos, por isso... Tudo tem um fim, como sabemos. Seria diferente se eu fosse o B.B. King ou assim, mas ninguém vive para sempre - e há uma diferença entre cantar os blues, sentado numa cadeira, e aquilo que eu faço".
Roger Waters elogiou ainda o facto - a seu ver, surpreendente - de o Governo britânico se preparar para assegurar 80% dos salários dos cidadãos enquanto a pandemia de covid-19 durar, revelando que continua a pagar à sua equipa.
"No meu ramo de atividade, já não há concertos. Ninguém está a trabalhar. Não vai haver um concerto pelo menos até ao próximo ano. Continuo a pagar às pessoas que trabalham comigo, porque tenho uma responsabilidade moral nesse sentido. Mas fico muito surpreendido que o Governo britânico pense da mesma forma".
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