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‘Clown’ dos Slipknot fala da sua quarentena e recorda a filha falecida com apenas 22 anos

“A única forma que tenho de lidar com isto é a falar”, afirma Shawn Crahan

Shawn "Clown" Crahan, percussionista e membro fundador dos Slipknot, esteve recentemente à conversa com a revista Rolling Stone, onde abordou a pandemia da Covid-19.

Questionado sobre como tem lidado com o isolamento e distanciamento social, o músico afirmou que tem feito "mais introspeção que outra coisa".

"Passo muito tempo a pensar nos humanos que têm frio, que estão esfomeados e que não têm onde viver", afirmou. "Vemo-los a toda a hora, mas agora isso está num outro nível. Pelo que me tento relembrar do quanto sou privilegiado. Tenho uma boa família e não se pode pedir mais que isso".

Shawn falou ainda da sua filha, Gabrielle, falecida em 2019 com apenas 22 anos, devido a uma sobredose de drogas. "Passei por muitas mortes num curto espaço de tempo, e tanto o meu psiquiatra como eu achamos que nunca tive muito tempo para as lamentar", contou.

"A única forma que tenho de lidar com isto é a falar. Não o tenho feito, mas para o mês que vem faz um ano [desde a morte]. Desculpem falar disto, mas é algo real".

Mais à frente, o músico referiu-se à música como "o único Deus" que conheceu. "É a única coisa que tem estado sempre lá. Nunca fez perguntas, nunca me negou nada. Nem sequer preciso de a ouvir para a ter comigo, está na minha cabeça", explicou.

"Desde que isto começou, tenho passado metade dos dias no exterior, sem música, ouvindo a música da Terra - porque há muita. E às vezes é interrompida por sirenes, por uma série de tretas, e é aí que pensas, bem, está na hora de ouvir música".