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Festivais de música. Promotores exigem que governo tome uma decisão

As declarações de António Costa ao Expresso levaram os promotores portugueses de espectáculos a reivindicar uma clarificação sobre o que se vai passar na época de festivais. Na Europa os grandes eventos continuam a ser cancelados. Quando voltarão os concertos, perguntam todos, e também os espectadores que já compraram bilhetes

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Desde que foi decretado o estado de emergência, a 18 de março, a interdição da realização espetáculos em Portugal tem provocado uma disrupção inédita na atividade de promotores de concertos e festivais, pondo em causa os rendimentos de artistas mas também de músicos e restantes equipas técnicas. Tal como foi reconhecido pelo primeiro-ministro na entrevista que o Expresso publicou este sábado, a música ao vivo é um dos sectores da economia mais afetado pela pandemia da covid-19. À ansiedade que reina no meio, juntou-se a indecisão quanto às medidas a tomar pelo Estado num futuro próximo. António Costa afirmou ser ainda “cedo” para se tomarem decisões mas os festivais NOS Alive e Super Bock Super Rock, agendados para julho, encontram-se, neste momento, na linha de fogo do surto epidémico. Se o Rock in Rio já anunciou o adiamento da edição deste ano para 2021, muitos espectadores permanecem sem saber o que fazer aos bilhetes que já compraram.

Além disso, todos os artistas portugueses têm os seus concertos congelados, o que deixa entender um prejuízo na ordem de vários milhões de euros para promotores, proprietários de salas, agentes, managers, músicos, técnicos e também para as entidades que os contrataram. O regresso à normalidade, ou o fim do estado de emergência, não atenua as dores de uma classe que não encontrou ainda a luz ao fundo do túnel. Até porque na Europa ainda esta terça-feira foi cancelada a realização da Oktoberfest, em Munique, com início marcado para 19 de setembro. Em Espanha, as também muito populares Festas de San Fermin, em Pamplona, que deveriam começar a 7 de julho, também foram canceladas.

Em Portugal, já se sabe que não existirão as festas dos santos populares nem festivais como o Rock in Rio Lisboa, Festival Músicas do Mundo em Sines ou o Boom, por exemplo, ao passo que os concertos de apresentação de novos discos têm sido, em boa parte dos casos, adiados para o outono, ainda que sem qualquer garantia que se realizarão nessa época. Na entrevista ao Expresso, o primeiro-ministro foi cauteloso adiantando apenas que não deseja “criar expectativas para que se façam grandes investimentos [em] festivais em agosto e setembro [sem] depois termos condições para que eles tenham lugar”. O primeiro passo da reabertura pode passar, acredita António Costa, pelos concertos com lugar marcado e lotação limitada, nos quais será mais fácil respeitar as normas de distanciamento. Mas mesmo essa solução levanta inúmeras dúvidas quanto à viabilidade dos espectáculos. Luís Montez, da Música no Coração, que organiza os festivais Super Bock Super Rock, já em Julho, e o MEO Sudoeste, em Agosto, além de ser proprietário da Altice Arena, diz que o essencial é “retirar o medo da cabeça das pessoas”. Por isso considera “cuidadosas” as declarações de Costa.

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