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Festivais de música: Espanha “espera a sua sentença”

Parece inevitável o cancelamento de todos os festivais de verão no país vizinho, à semelhança do que acontece no resto da Europa. Todos esperam pela decisão do “juiz”, o Governo

“A temporada de festivais de música espera a sua sentença”, titula há poucos dias o diário espanhol "El Mundo", dando como "impossível de salvar" o verão musical no país vizinho. "Um verão sem concertos ou festivais na Galiza", decreta sem hesitações esta quinta-feira o jornal online "El Español", reportando-se a uma realidade festivaleira que nos é próxima, a da região espanhola que se localiza a norte de Portugal.

"A celebração de festivais de música este verão é como o desenlace de um telefilme barato em que todas as provas e testemunhos se alinham com uma claridade manifesta, só faltando que o juiz dite a sua sentença com um golpe de martelo em câmara lenta", escreve o jornalista Pablo Gil no "El Mundo". A sentença, afirma, é inevitável, ouvidos que foram pelo jornal espanhol várias fontes do setor. O juiz, sem surpresa, é o Governo.

Até ao momento, refere-se, foram cancelados ou adiados os festivais previstos para maio (Viña Rock) e alguns de junho (como o Primavera Sound). Os promotores e managers dos festivais de junho estarão a trabalhar para transferir os eventos de junho para outubro, pode ler-se. Quanto aos festivais de julho, o mês de maior concentração de eventos (Mad Cool, Bilbao BBK, entre outros), esperam a referida sentença, ditada pelo Governo e tendo como base as fortes restrições de mobilidade que se afiguram para os próximos meses. Nessa altura, os festivais poderão invocar a cláusula da "força maior" para dissolver os acordos e os contratos firmados tanto com artistas como com fornecedores, e "pedir indemnizações e ajudas ao Estado para poder devolver o dinheiro das entradas já vendidas".

"A situação já é catastrófica e se não temos notícias durante mais um mês, todo um setor vai cair", afirma ao "El Mundo" Joaquín Martinez, presidente da Federação da Música de Espanha, representante de 110 mil associados. "É necessário que o Governo acabe com a incerteza", acrescenta.

Num país que tem no turismo um dos principais motores da economia, sendo esse um dos setores que mais restrições verá incidir sobre si, "quem pode imaginar que se aprove a celebração de um festival em julho com 20 mil, 30 mil ou inclusivamente 60 mil pessoas concentradas num recinto durante vários dias?", questiona-se.

Numa altura em que países como a Alemanha, a Bélgica ou a Dinamarca proibiram eventos de massas até setembro, festivais galegos como O Son do Camiño, que se realiza em dois dias aquando da entrada do verão, mostram absoluta resignação. "Praticamente impossível", afirma a Xunta da Galiza, o governo local.

Em Portugal não há razões para acreditar que será diferente. O plano de regresso à normalidade esta semana proposto pela União Europeia sublinha que festivais e concertos devem ser as últimas atividades a reabrir. O espaço de um mês proposto entre cada levantamento de restrições atira a interdição de festivais para o final do verão.

A proibição poderá surgir, vinda do Governo, nos próximos dias, mas mesmo que fosse legal a realização de concertos seria improvável que promotoras, artistas, público e marcas estivessem alinhadas num movimento para levar por diante ajuntamentos de alto risco para a saúde. A música ao vivo conhecerá, também por cá, um grande revés em 2020.