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The Offspring no EDP Vilar de Mouros 2019

Rui Duarte Silva

O público tem de estar confiante e os artistas disponíveis. Os mandamentos do EDP Vilar de Mouros em ano de coronavírus

Para os responsáveis do EDP Vilar de Mouros não basta haver decisões governamentais favoráveis à realização do festival. É preciso garantir “quatro vetores adicionais”

Paulo Ventura e Diogo Marques, responsáveis pelo EDP Vilar de Mouros, estão a avaliar cenários quase diariamente, porque nenhum promotor tem referências anteriores ou sabe o que será a nova normalidade”. Em causa, está a forma como os festivais devem lidar com os efeitos da pandemia do novo coronavírus, que paralisaram os espetáculos ao vivo em Portugal e no resto da Europa, criando indecisão sobre os meses vindouros.

As decisões governamentais que permitem a retoma gradual das atividades são, consideram, “capitais para a realização dos festivais e de outros eventos, mas, de forma pragmática, não serão garantia de que o EDP Vilar de Mouros acontece em 2020”, afirmam os responsáveis máximos pelo mais antigo festival de música em Portugal quando confrontados com a pergunta que, por estes dias, tem de ser feita aos principais promotores de festivais em Portugal: perante o cenário de pandemia de covid-19 e o provável prolongamento do estado de emergência decretado pelo governo, com impacto nos meses que se avizinham, o festival poderá acontecer?

Ventura e Marques indicam quatro vetores adicionais que devem ser garantidos para que o festival exista na datas previstas, 27, 28 e 29 de agosto: “confiança do público para participar no festival; garantia absoluta de segurança ao nível sanitário em estreita articulação com as entidades competentes para esse efeito; perspectiva de receita possível para fazer face ao investimento; disponibilidade dos artistas para participarem no festival”.

Os responsáveis pela organização do festival minhoto colocam uma série de questões que consideram relevantes para uma tomada de decisão: “Poderemos considerar como referência o facto de continuarmos a vender bilhetes para o EDP Vilar de Mouros durante o estado de emergência? Podemos entender como sinal positivo de participação activa no festival as muitas mensagens que recebemos do nosso público? Os indicadores de retoma e de confiança social à data de hoje vão manter-se nos próximos meses? E existindo retoma e confiança social, teremos tempo para vender a quantidade de bilhetes necessários para suportar os custos do festival? Teremos recursos humanos e serviços disponíveis para montar o festival em tempo útil?”.

“O cenário do adiamento”, referem, “está sempre presente a cada dia que passa, mas a quase cinco meses do festival, a probabilidade não está ainda na mesa”. Por ser um dos últimos festivais da temporada, “existe a possibilidade de os artistas terminarem as digressões no nosso festival (mais comum) ou de iniciarem aqui digressões europeias que se prolongam pelo outono (pontualmente)”. Se as mexidas nas tournées implicarem, contudo, saída de cabeças de cartaz (Iggy Pop, Limp Bizkit e Placebo, na edição de 2020), a realização do festival poderá ser posta em causa, salientam. Os organizadores do mais antigo festival de música do país entendem, pois, que “a manutenção do cartaz é um fator crucial para considerar ou não o adiamento”.

A BLITZ falou com os promotores dos principais festivais portugueses, que mantêm uma confiança 'realista' em tempos adversos. Traçámos também o cenário no resto da Europa. Pode ler aqui o artigo completo.