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Luís Montez

Luís Barra/Expresso

“Estamos a trabalhar para fazer os festivais nas datas previstas. Não desistimos”, diz Luís Montez, do Super Bock Super Rock e MEO Sudoeste

“Realista, mas positivo e sem desistir”, assim define o diretor da Música no Coração o estado de espírito das equipas envolvidas na organização de dois dos maiores e mais antigos festivais do verão português: o Super Bock Super Rock e o MEO Sudoeste

Luís Montez, da Música no Coração, organizadora do Super Bock Super Rock (que decorre no Meco nos dias 16, 17 e 18 de julho) e do MEO Sudoeste (Zambujeira do Mar, 4 a 8 de agosto) afirma que a sua equipa se mantém “a trabalhar para [realizar os eventos nas] datas inicialmente previstas”. Em Portugal, recorde-se, já houve mudança de planos em dois festivais portugueses de junho - Rock in Rio-Lisboa foi adiado para 2021, enquanto o NOS Primavera Sound transitou para setembro de 2020 - e na liberal Dinamarca, um dos primeiros países a levantar restrições, sabe-se que não haverá concertos até setembro.

Quando confrontado com a pergunta que, por estes dias, tem de ser feita aos principais promotores de festivais em Portugal - perante o cenário de pandemia de covid-19, com impacto nos meses que se avizinham, os seus festivais poderão acontecer? -, o responsável por dois dos mais antigos eventos nacionais afirma que este não é o tempo de desistir: “não só por nós, mas também pelos nossos parceiros e por todo um sistema de artistas, agentes, técnicos e todo o staff que compõe um setor que está a atravessar um momento particularmente difícil e inédito na nossa existência”.

“As pessoas depois disto vão precisar de viver, partilhar, estar umas com as outras. Por isso, não desistimos, sendo certo que nunca colocaremos em risco o bem-estar de todos eles e dos públicos, esse será sempre o topo das nossas prioridades”, salienta o empresário.

“Não tivemos nenhum contacto de artistas no sentido de fazer alguma alteração”, refere o promotor que no Super Bock Super Rock tem A$AP Rocky e Foals como maiores destaques, e no MEO Sudoeste programou Migos, Bad Bunny, Ozuna e Major Lazer. “À semelhança do que tem acontecido em Portugal, só são alterados planos quando se verifica a impossibilidade de os manter, o mesmo acontecendo com os artistas”, esclarece.

Não poder oferecer o cartaz anunciado é razão para ponderar um adiamento, admite Montez, “caso houvesse alterações muito significativas nos cartazes dos festivais, o que até ao momento não se verifica”. E dá exemplos da interdependência entre festivais europeus na altura de montar um elenco: “os festivais com que os nossos festivais têm ‘trocado’ artistas ao longo dos anos, como os espanhóis Benicàssim, Mad Cool e BBK Live em Espanha, o Lollapalooza em Paris, o Sziget na Hungria, ou Reading e Leeds no Reino Unido e, este ano, os ‘portugueses’ Afronation e Rolling Loud - todos eles se têm mantido”.

A eventual relutância do comprador de bilhete em marcar presença é, admite, um fator importante para se decidir pela realização dos festivais, mas Montez prefere enaltecer, acima deste aspeto, “o contributo da cultura e dos eventos, nomeadamente os festivais de música, para o sentido de identidade de um país e para levantar o moral e trazer alegria e felicidade às pessoas”. A possibilidade de realizar festivais teria “um papel muitíssimo importante na recuperação também do sector num ano em que a quebra do turismo estrangeiro é evidente. Por tudo isto, mantemo-nos realistas, mas positivos e sem desistir”, remata.

A BLITZ falou com os promotores dos principais festivais portugueses, que mantêm uma confiança 'realista' em tempos adversos. Traçámos também o cenário no resto da Europa. Pode ler aqui o artigo completo.

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