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João Carvalho, diretor do festival Vodafone Paredes de Coura

João Carvalho, do Vodafone Paredes de Coura: “A única certeza que tenho é a incerteza”

Confiante de que a edição de 2020 do Vodafone Paredes de Coura acontecerá, “e a trabalhar diariamente nesse sentido”, o responsável máximo pelo festival partilha a sua visão sobre o panorama de festivais de verão este ano em Portugal. E confidencia que acabou de confirmar “um artista de referência”, potencial cabeça de cartaz, mas que o tempo, agora, é de ficar em casa

“A única certeza que tenho é a incerteza”, começa por afirmar João Carvalho, diretor da Ritmos, empresa que organiza o festival Vodafone Paredes de Coura, quando confrontado com a pergunta que, por estes dias, tem de ser feita aos principais promotores de festivais em Portugal: perante o cenário de pandemia de covid-19 e o provável prolongamento do estado de emergência decretado pelo governo, com impacto nos meses que se avizinham, o festival poderá acontecer?

Tomamos com pontos de partida a mudança de planos em dois festivais portugueses de junho: Rock in Rio-Lisboa foi adiado para 2021, enquanto o NOS Primavera Sound transitou para setembro de 2020. E também o que se passa no resto da Europa: na liberal Dinamarca, um dos primeiros países a levantar restrições, não haverá concertos até setembro.

Da mesma forma que Luís Montez (do Super Bock Super Rock e MEO Sudoeste) e Paulo Ventura e Diogo Marques (do EDP Vilar de Mouros), o promotor courense divide-se entre as dúvidas e a confiança. "A minha incerteza é a mesma de qualquer festival ou de praticamente qualquer outro sector da economia. A incerteza é geral, aqui ou Tóquio".

João Carvalho ressalva que "Paredes de Coura acontece em agosto" e que "Green Man Festival, Pukkelpop, Lowlands, Way Out Festival, Oya, e tantos outros que se fazem nesse mês, não foram cancelados. Na verdade, a maioria deles mantém-se, até porque nem as agências ou os artistas estão a decidir a tão largo prazo".

"Não há ainda deliberações governamentais que impeçam a realização de festivais [em Portugal] em agosto e temos que perceber que há contratos assinados e não pode ser uma decisão unilateral", afirma, reclamando uma responsabilidade do governo para legitimar qualquer tomada de posição.

"Evidentemente que estamos atentos ao desenrolar da situação e claro que já falámos entre nós na possibilidade do adiamento. Temos de trabalhar vários cenários, Mas neste momento acredito que a edição deste ano se realize. Não só acredito como trabalhamos diariamente nesse sentido", sublinha.

João Carvalho aproveita, inclusive, para partilhar que esta semana o seu festival contratou mais um nome para um elenco onde já figuram Pixies e IDLES, entre mais de três dezenas de nomes: "até para meu espanto, um artista de referência, que pode ser considerado um cabeça de cartaz, confirmou a presença na edição deste ano. Não vamos anunciar por uma questão de timing. Aguardamos serenamente melhores dias. Agora o importante é ficar em casa".

Em relação à confiança do público para frequentar eventos de grandes aglomerados de pessoas a tão breve trecho, Carvalho crê que "só o tempo o dirá". "Eu espero que sim, não só que haja essa confiança como existam as condições de segurança para o fazer. Sempre fomos um festival preocupado com o público. Faremos tudo o que as autoridades recomendem e, se possível, ainda mais. As pessoas estão ansiosas por se divertir. E nós por recebê-las e fazê-las esquecer estes tempos difíceis", remata.

A BLITZ falou com os promotores dos principais festivais portugueses, que mantêm uma confiança 'realista' em tempos adversos. Traçámos também o cenário no resto da Europa. Pode ler aqui o artigo completo.

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