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Uma parceria com o jornal EXPRESSO

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O primeiro NOS Alive teve lugar em 2007. Ao longo das suas 13 edições, o festival de Algés recebeu 1.818.000 espectadores, segundo a organização

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Festivais de verão em tempo de pandemia. Europa diz não. E em Portugal, como vai ser?

Os principais festivais de música na Europa estão a cancelar ou a adiar as sua edições de 2020 devido à pandemia do novo coronavírus. Na liberal Dinamarca, um dos primeiros países a levantar restrições, não haverá concertos até setembro. Em Portugal, Rock in Rio e NOS Primavera Sound mudaram os seus planos, mas outros adiamentos poderão ser inevitáveis. Falámos com os promotores dos principais festivais portugueses, que mantêm uma confiança 'realista' em tempos adversos

A pandemia de covid-19 e as medidas excepcionais que os governos europeus têm tomado para contê-la, tiveram como uma das primeiras consequências a proibição de espetáculos com público.

Em Portugal, o que começou por ser do domínio da orientação (o desaconselhamento da realização de eventos, seja ao ar livre ou à porta fechada) transformou-se rapidamente em interdição a meio do mês de março. Quando foi decretado o estado de emergência, a 20 do mês passado, o setor estava já praticamente paralisado por inteiro.

Na liberal Dinamarca, um dos primeiros países a levantar restrições e que a 15 de abril vai abrir escolas e creches, já se sabe que não haverá concertos até ao final de agosto. O país onde se realiza um dos mais importantes festivais de música da Europa, Roskilde, que veria a sua 50ª edição acontecer entre 27 de junho e 4 de julho, anunciou esta semana que a sua edição de 2020 seria cancelada. O regresso à "normalidade" acontecerá gradualmente, sendo que acorrer a eventos musicais que envolvem, habitualmente, aglomerados de público não será certamente um dos primeiros sinais de abertura.

Por cá, não haverá, por esta altura, razões para acreditar que o regresso dos concertos - e, uma vez que se aproxima a época estival, dos festivais de música de verão - acontecerá instantaneamente, o que coloca boa parte dos espetáculos calendarizados para os próximos meses em risco. Uma fatia substancial dos mesmos foi já agendada para mais tarde, nomeadamente para o próximo ano - como é o caso do concerto de Nick Cave na maior sala de espetáculos do país, a Altice Arena, em Lisboa.

Dos principais festivais portugueses, aqueles que se realizam primeiro anunciaram já o adiamento das suas edições: o NOS Primavera Sound passou do início de junho para setembro; o Rock in Rio Lisboa, que estava previsto para os dois últimos fins de semana de junho, transita para 2021, ocorrendo assim em dois anos consecutivos (a edição de 2022 já estava prevista).

Este 'soft opening' dos espetáculos culturais é, de resto, admitido pelo Ministério da Cultura (que apoia um número significativo de eventos em todo o país): em entrevista à SIC Notícias, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, crê que “as pessoas vão ter receio de voltar às salas de espetáculos” e que “a cultura vai ter de ocupar a rua” antes de voltar ao seu 'habitat natural'.

Em declarações prestadas à BLITZ, Álvaro Covões, responsável máximo pelo festival NOS Alive e dirigente da APEFE (Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos), assinala que “o setor dos concertos foi o primeiro a ser crucificado”, prevendo também que seja dos últimos a reabrir.

O festival da Everything Is New, por Covões liderada, está marcado para 8, 9, 10 e 11 de julho. Do cartaz do NOS Alive fazem parte cabeças de cartaz como Taylor Swift, Strokes ou Kendrick Lamar, os mesmos nomes cimeiros que o dinamarquês Roskilde, alinhado entre o final de junho e o início de julho, cancelou, ao dar como anulada a sua edição de 2020, seguindo determinações do governo do seu país, que proíbe a realização de espetáculos com mais de 1000 espectadores até 31 de agosto.

Esta seria, de resto, a 50ª edição do festival dinamarquês, e os seus responsáveis assinalaram de forma contundente a impossibilidade de o realizar: “Estamos arrasados. Temíamos que isto poderia acontecer, mas até agora pensávamos que não ia acabar assim. Contudo, o risco de infeção com a covid-19 é muito alto quando há muita gente junta, e esse aspeto é agora o mais importante”. Roskilde tem capacidade para acolher 115 mil pessoas.

A corrida para as primeiras filas no festival Roskilde, na Dinamarca, em 2019

A corrida para as primeiras filas no festival Roskilde, na Dinamarca, em 2019

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Com a pandemia a atingir toda a Europa, importa continuar atento ao que está a acontecer lá fora. No Reino Unido, o maior mercado festivaleiro do velho continente, a edição de 50º aniversário do Glastonbury, o maior festival do país, foi cancelada. Do seu cartaz constavam, além de Paul McCartney, nomes como Taylor Swift e Kendrick Lamar como cabeças de cartaz. Estes últimos também tinham viagem marcada para Portugal.

Relembre-se que tanto Swift como Lamar encabeçavam também o festival de Roskilde, figurando igualmente como nomes cimeiros em dois dos quatro dias do português NOS Alive. Vendo paulatinamente reduzidas as suas digressões europeias à custa das baixas em importantes festivais (e importantes cachês), existe o risco de os artistas norte-americanos de primeira linha optarem por adiá-las, o que causará baixas noutros festivais europeus e em alguns cartazes nacionais, como é o caso do evento que se realiza todos os anos no Passeio Marítimo de Algés.

Coloca-se a questão das várias relações de interdependência ou cumplicidade entre festivais europeus, pois partilham muitas vezes os mesmo cartazes como sucede com o NOS Alive e o madrileno Mad Cool, ou da simples evidência de que os grandes nomes passam por um número significativo de grandes festivais, onde alguns eventos nacionais se incluem, e os 'puzzles' das digressões acabam por gerar cartazes muito próximos em determinados períodos e territórios.

Hippies na segunda edição do então denominado Glastonbury Fair, em Inglaterra, no ano de 1971

Hippies na segunda edição do então denominado Glastonbury Fair, em Inglaterra, no ano de 1971

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O anúncio de festivais cancelados ou adiados para melhores dias tem sido aliás uma constante nos últimos dias: Parklife, The Great Escape, Lovebox, All Points East, Isle of Wight (que contava com Black Eyed Peas e Duran Duran, previstos para o adiado Rock in Rio-Lisboa), BST Hyde Park (novamente Taylor Swift e Kendrick Lamar, a par dos Pearl Jam) e Download. Por este último, que se deveria realizar de 12 a 14 de junho, passariam este ano System of a Down e Korn, nomes cimeiros do português VOA Heavy Rock, que por ora permanece agendado para os dias 2 e 3 de julho no Estádio Nacional, em Oeiras. Mas o festival de metal britânico também perfilava Deftones (cabeças de cartaz do adiado North Music Festival, do Porto, previsto inicialmente para maio deste ano), bem como Kiss e Iron Maiden (com concertos em nome próprio agendados para julho, em Portugal).

“Quem quer comprar um bilhete quando não sabe se um festival vai acontecer?”

Para a Associação de Festivais Independentes do Reino Unido, há natural incerteza em relação ao futuro próximo dos festivais de 2020. “Temos que considerar que, uma vez o confinamento levantado, não é certo quando é que os ajuntamentos de pessoas voltarão a ser permitidos e se tal acontecerá de forma faseada”, declarou à Music Week o seu representante máximo, Paul Reed. Outro problema generalizável a todos os mercados é a fraca expectativa de receitas antecipadas: não há, por estes dias, quem compre bilhetes para festivais. “Não é segredo que as vendas estagnaram”, afirma Reed.

Na última edição da revista sobre assuntos da indústria musical, o promotor do festival de Isle of Wight, John Giddings, mostra iguais reservas face à retoma da atividade 'festivaleira' em 2020. “O problema é que não pode haver um festival no dia a seguir a saíres de casa. Tem que haver um período para vender bilhetes outra vez. Quem quer comprar um bilhete quando não sabe se [um festival] vai acontecer?”.

Em Espanha, à exceção do Primavera Sound (de Barcelona, que saiu do início de junho e pretende realizar-se no fim de agosto), a ordem é, por enquanto, para esperar. Mad Cool, Bilbao BBK Live, Resurrection Fest ou Benicàssim mantêm-se agendados. A atravessar uma preocupante situação sanitária, o país vizinho também decretou o estado de emergência, sendo que os nomes em cartaz que os principais eventos partilham com os eventos portugueses são numerosos.

Mad Cool e Bilbao BBK Live coincidem com o NOS Alive no calendário; o Festival de Benicàssim e Super Bock Super Rock estão, tradicionalmente sobrepostos. Taylor Swift, Billie Eilish e Faith No More são chamarizes tanto do madrileno Mad Cool como do NOS Alive, este recebendo ainda Kendrick Lamar, tal como o basco Bilbao BBK Live. Benicàssim, na costa leste espanhola, tem em comum com o festival do Meco um nome cimeiro: Foals.

Em França, o Hellfest - dedicado ao rock mais pesado e ao heavy metal - foi uma das 'vítimas' recentes, num ano em que vendeu os seus 55 mil bilhetes em apenas duas horas. Previsto para os dias 19, 20 e 21 de junho em Clisson, contava com vários nomes cuja rota também contempla Portugal, como os já referidos Faith No More, Korn e System of a Down.

Na passada semana, em declarações ao diário "Ouest-France", o seu organizador, Ben Barbaud, dava a entender que realizá-lo seria irrealista. “É muito provável que se cancele, mas não se pode dizer oficialmente. Quem poderá imaginar que se autorizarão festivais em junho e julho com 60 mil pessoas, incluindo 20 por cento de estrangeiros no nosso caso, todos juntos, quando sabemos que provavelmente haverá casos de covid-19 à nossa volta?”, lamentou-se. Subentendida fica a ideia de que os organizadores de grandes eventos esperam uma ordem oficial de cancelamento por parte das autoridades para que possam auferir de recompensações estatais.

Também em Portugal o público estrangeiro preenche uma fatia importante da lotação de alguns festivais. Notório é o caso do NOS Alive, que afirma ter vendido 16 mil bilhetes a mais de 80 países em 2019 - número que, em todo o caso, já foi superior, tendo ascendido a 32 mil pessoas na edição de 2016 do festival de Algés.

Na Alemanha, os grandes festivais de julho e agosto continuam agendados, como é o caso dos famosos Rock am Ring (com System of a Down, Green Day e Volbeat) e Wacken (no final de julho, com os Slipknot como principal chamariz), centrados no rock e no metal. Num artigo da Focus, refere-se que “há esperança em todo o lado”, inclusive “na ajuda financeira do governo”. Ou seja, o pragmatismo alemão manda esperar por garantias para poderem ser anunciados adiamentos.

O Rock am Ring realiza-se no autódromo de Nürburgring, na Alemanha, desde 1985

O Rock am Ring realiza-se no autódromo de Nürburgring, na Alemanha, desde 1985

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Na Holanda, a incerteza reina. O mais emblemático festival do pais, o Pinkpop, está a sofrer as consequências da desconfiança do público. “As vendas de bilhetes estão muito fracas”, afirma Niel Murray, responsável pelo festival, ao site noticioso 1limburg. “As pessoas estão à espera até que haja maior clareza, o que é compreensível”, acrescenta. Antes do surto de coronavírus, pode ler-se, as vendas de bilhetes do Pinkpop eram rápidas, mas neste momento nem a apetecível noite de sexta-feira se encontra perto de esgotar. Red Hot Chili Peppers, Post Malone e Guns N' Roses encabeçam o evento marcado para 19, 20 e 21 de junho. Guns N' Roses estão na agenda portuguesa, a 20 de maio, no Passeio Marítimo de Algés, concerto que - tudo parece indicar - não deverá acontecer nessa data. Post Malone era um dos destaques do Rock in Rio-Lisboa, já adiado.

A imprensa belga diz que seria preciso “um pequeno milagre” para manter os festivais de verão em andamento. Num artigo publicado no site da rádio-televisão belga VRT, pode ler-se taxativamente: apesar da hesitação em cancelar ou adiar por parte dos promotores belgas, “não haverá um único festival neste verão”. Todos os organizadores apontam para o governo a responsabilidade de tomada de decisão.

Dão-se os exemplos do Tomorrowland, gigante da música eletrónica (entre 17 e 26 de julho), e do Rock Werchter (agendado para o final de junho), que conta com Pearl Jam, Strokes, Kendrick Lamar e System of a Down como cabeças de cartaz. Três destes quatro nomes estão, como já vimos, escalados em festivais portugueses. Mas na Bélgica, parece seguro, não deverão atuar.

Portugal: a certeza é a incerteza

E por cá? Os promotores dos festivais Super Bock Super Rock, MEO Sudoeste, Vodafone Paredes de Coura e EDP Vilar de Mouros responderam a questões da BLITZ acerca das dúvidas reinantes em torno dos festivais portugueses. (até ao momento, não obtivemos resposta por parte do NOS Alive)

Luís Montez, da Música no Coração, organizadora do Super Bock Super Rock (que decorre no Meco nos dias 16, 17 e 18 de julho) e do MEO Sudoeste (Zambujeira do Mar, 4 a 8 de agosto) afirma que a sua equipa se mantém “a trabalhar para as datas inicialmente previstas. “Não só por nós, mas também pelos nossos parceiros e por todo um sistema de artistas, agentes, técnicos e todo o staff que compõe um setor que está a atravessar um momento particularmente difícil e inédito na nossa existência”, acrescenta.

“As pessoas depois disto vão precisar de viver, partilhar, estar umas com as outras. Por isso, não desistimos, sendo certo que nunca colocaremos em risco o bem-estar de todos eles e dos públicos, esse será sempre o topo das nossas prioridades”, salienta o empresário.

“Não tivemos nenhum contacto de artistas no sentido de fazer alguma alteração”, refere o promotor que no Super Bock Super Rock tem A$AP Rocky e Foals como maiores destaques, e no MEO Sudoeste programou Migos, Bad Bunny, Ozuna e Major Lazer. “À semelhança do que tem acontecido em Portugal, só são alterados planos quando se verifica a impossibilidade de os manter, o mesmo acontecendo com os artistas”, esclarece.

O MEO Sudoeste acontece ininterruptamente desde 1997 na Zambujeira do Mar

O MEO Sudoeste acontece ininterruptamente desde 1997 na Zambujeira do Mar

Rita Carmo

Não poder oferecer o cartaz anunciado é razão para ponderar um adiamento, admite Montez, “caso houvesse alterações muito significativas nos cartazes dos festivais, o que até ao momento não se verifica”. E dá exemplos da interdependência entre festivais europeus na altura de montar um elenco: “os festivais com que os nossos festivais têm ‘trocado’ artistas ao longo dos anos, como os espanhóis Benicàssim, Mad Cool e BBK Live em Espanha, o Lollapalooza em Paris, o Sziget na Hungria, ou Reading e Leeds no Reino Unido e, este ano, os ‘portugueses’ Afronation e Rolling Loud - todos eles se têm mantido”.

A eventual relutância do comprador de bilhete em marcar presença é, admite, um fator importante para se decidir pela realização dos festivais, mas Montez prefere enaltecer, acima deste aspeto, “o contributo da cultura e dos eventos, nomeadamente os festivais de música, para o sentido de identidade de um país e para levantar o moral e trazer alegria e felicidade às pessoas”. A possibilidade de realizar festivais teria “um papel muitíssimo importante na recuperação também do sector num ano em que a quebra do turismo estrangeiro é evidente. Por tudo isto, mantemo-nos realistas, mas positivos e sem desistir”, remata.

Responsável máximo pelo Vodafone Paredes de Coura, previsto para a vila minhota de 19 a 22 de agosto, João Carvalho começa por afirmar: “a única certeza que tenho é a incerteza”. “A minha incerteza é a mesma de qualquer festival ou de praticamente qualquer outro sector da economia. A incerteza é geral, seja aqui ou em Tóquio”, elabora.

“Paredes de Coura acontece em Agosto. Green Man Festival, Pukkelpop, Lowlands, Way out Festival, Oya Festival, entre tantos outros que se fazem no mês de agosto, não foram ainda cancelados. Há também exemplos de grandes festivais em julho que ainda não foram cancelados. Na verdade, a maioria deles mantém-se, até porque nem as agências ou artistas estão a decidir a tão largo prazo”, continua o promotor courense.

O Vodafone Paredes de Coura conta com 27 anos de existência

O Vodafone Paredes de Coura conta com 27 anos de existência

Rita Carmo

Lembrando que Roskilde foi cancelado devido “à decisão do Governo dinamarquês, que o proíbe”, Carvalho defende que não pode ainda tomar decisões “porque não há ainda deliberações governamentais que impeçam a realização de festivais em agosto [em Portugal]”. A responsabilidade está, entende, do lado do Governo: “temos que perceber que há contratos assinados e [cancelar ou adiar] não pode ser uma decisão unilateral”.

Contudo, está consciente de que a situação pode alterar-se: “claro que já falámos entre nós na possibilidade do adiamento. Temos de trabalhar vários cenários”, acreditando todavia que a edição de 2020 do festival se realizará.

Diretor de um festival que conta com Pixies, IDLES, entre mais de 30 nomes anunciados, João Carvalho partilha ainda o que considera um caso singular: “ainda esta semana, para meu espanto, um artista de referência confirmou a presença na edição deste ano. Não vamos anunciar por uma questão de timing, mas pode ser considerado um headliner. Aguardamos serenamente melhores dias”.

E o público, estará pronto para regressar? “Só o tempo dirá se retomará a confiança para frequentar eventos de grandes aglomerados de pessoas”, considera o diretor da Ritmos. “Faremos tudo o que as autoridades recomendem e, se possível, ainda mais. As pessoas estão ansiosas por se divertir. E nós por recebê-las e fazer com que se esqueçam destes tempos difíceis”, acredita.

Paulo Ventura e Diogo Marques, responsáveis pelo EDP Vilar de Mouros, sublinham que “o promotor de um festival é obrigado a avaliar cenários quase diariamente, porque não tem referências anteriores e porque não sabe o que será a nova normalidade”.

Os responsáveis pela organização do festival minhoto, previsto para os dias 27, 28 e 29 de agosto, colocam uma série de questões que consideram relevantes para uma tomada de decisão: “Poderemos considerar como referência o facto de continuarmos a vender bilhetes para o EDP Vilar de Mouros durante o estado de emergência? Podemos entender como sinal positivo de participação activa no festival as muitas mensagens que recebemos do nosso público? Os indicadores de retoma e de confiança social à data de hoje vão manter-se nos próximos meses? E existindo retoma e confiança social, teremos tempo para vender a quantidade de bilhetes necessários para suportar os custos do festival? Teremos recursos humanos e serviços disponíveis para montar o festival em tempo útil?”.

Depois de vários anos em pousio, o EDP Vilar de Mouros tem garantido edições regulares ao longo dos últimos anos

Depois de vários anos em pousio, o EDP Vilar de Mouros tem garantido edições regulares ao longo dos últimos anos

Rui Duarte Silva

“O cenário do adiamento”, referem, “está sempre presente a cada dia que passa, mas a quase cinco meses do festival, a probabilidade não está ainda na mesa”. Por ser um dos últimos festivais da temporada, “existe a possibilidade de os artistas terminarem as digressões no nosso festival (mais comum) ou de iniciarem aqui digressões europeias que se prolongam pelo outono (pontualmente)”. Se as mexidas nas tournées implicarem, contudo, saída de cabeças de cartaz (Iggy Pop, Limp Bizkit e Placebo, na edição de 2020), a realização do festival poderá ser posta em causa, salientam. Os organizadores do mais antigo festival de música do país entendem que “a manutenção do cartaz é um fator crucial para considerar ou não o adiamento”.

As decisões governamentais que permitem a retoma gradual das atividades são, novamente, “capitais para a realização dos festivais e de outros eventos, mas, de forma pragmática, não serão garantia de que o EDP Vilar de Mouros acontece em 2020”.

Ventura e Marques indicam quatro vetores adicionais que devem ser garantidos para que o festival exista em 2020: “confiança do público para participar no festival; garantia absoluta de segurança ao nível sanitário em estreita articulação com as entidades competentes para esse efeito; perspectiva de receita possível para fazer face ao investimento; disponibilidade dos artistas para participarem no festival”.