Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

Roberta Medina

Agência Zero

Roberta Medina: “O Covões e o Montez dizem que vão esperar. Como podem montar os seus festivais em 3 semanas, têm mais tempo para decidir”

Os promotores dos maiores festivais portugueses têm hoje uma relação muito mais próxima. A vice-presidente do Rock in Rio falou com a BLITZ sobre as conversas que tem mantido com os responsáveis do NOS Alive, MEO Sudoeste e NOS Primavera Sound, no contexto da crise do novo coronavírus

Roberta Medina falou, em entrevista à BLITZ, sobre a decisão de adiar a edição deste ano do Rock in Rio-Lisboa para 2021, devido à pandemia de Covid-19, explicando que as características logísticas do festival, muito diferentes das de outros grandes eventos portugueses, foram determinantes.

"É super importante que o público perceba: o tempo de montagem de que precisamos é maior, [por isso] o nosso tempo de reação, de tomada de decisão, é muito mais curto", explica Medina, "tenho visto o Álvaro [Covões], o Luís [Montez], todo o mundo, a dizer que vão esperar mais tempo. Se eles podem montar os eventos em três semanas, têm muito mais tempo para decidir". Covões organiza o NOS Alive, Montez o Super Bock Super Rock e o MEO Sudoeste.

Equiparando a necessidade de tempo para montar a estrutura do Rock in Rio com a que, por exemplo, tem o festival britânico de Glastonbury, cuja edição deste ano foi cancelada, Medina defende: "todos os projetos que conseguem segurar o prazo, que têm um tempo de montagem mais curto, devem aguentar até ao limite para tomar uma decisão. Não faz sentido que seja diferente".

"Imagina que a coisa amansa e dá. Agora, infelizmente, ninguém sabe, nem se sim nem se não. É uma gestão diária", diz ainda, "a estratégia de fazer o pico [da pandemia] mais longo, que pelos vistos já todos os países estão adotando porque ninguém consegue segurar a onda de um pico muito forte nos sistemas de saúde e aí vira a desgraça absoluta, faz com que tenha de ser assim: um dia de cada vez. Agora, de facto, enquanto mundo temos de começar a pensar como resolvemos o problema da economia”.

Ainda sobre a proximidade que tem criado com os promotores dos maiores festivais portugueses, Medina explica: "cada um está olhando para o seu negócio. Cada festival tem características muito diferentes dos outros [mas] aquele movimento DeclareAção que a gente começou em janeiro teve uma mais-valia: quebrou-se uma barreira de relacionamento. Estamos muito mais suaves, há uma maior naturalidade de conversa entre nós".

"Tem havido uma soma de olhares. Vamos falando para entendermos se um tem uma ideia melhor do que a do outro, sentirmos o termómetro. Da mesma forma que acontece com os patrocinadores. No caso do Rock in Rio... Não tomamos uma decisão dessas sem falar com eles. O Rock in Rio não somos só nós, somos muitos... Todos os nossos parceiros de media, todos os nossos patrocinadores. Não dá para forçar a barra e fazer alguma coisa se houver um grupo que não esteja tão animado".

A vice-presidente do Rock in Rio-Lisboa explica, também, que antes de decidirem adiar o festival para 2021, chegou a estar em cima da mesa a hipótese de passarem para setembro deste ano. "Tive o cuidado de dizer a todos eles quais seriam as nossas datas, para que se eles estivessem a fazer o mesmo planeamento soubessem onde íamos estar [no calendário]".

"Quando eu falei disso, o João [Carvalho, da Ritmos, ligada à organização do Vodafone Paredes de Coura, e um dos sócios da Pic-Nic, responsável pela edição portuguesa do NOS Primavera Sound] disse que o Primavera Sound também ia para o mês de setembro. E ainda percebemos que não havia problema, porque o Primavera tem um público muito diferente do nosso, ele está no norte, nós estamos no sul.... Fomos fazendo esse tipo de alinhamentos, o que é saudável porque quando não há um diálogo com os principais players, podes correr o risco de criar um problema. Essa troca faz com que nos fortaleçamos não só num momento como este mas no dia-a-dia. Se tivermos capacidade de nos relacionarmos, de trocarmos ideias, sabendo que somos concorrentes em algum momento do dia, é muito positivo para todos”.

​​​​As novas datas do Rock in Rio-Lisboa são: 19, 20, 26 e 27 de junho de 2021. Os bilhetes já adquiridos serão válidos para as novas datas, ficando os dias em aberto até à confirmação do cartaz, avança a organização. "Iremos aguardar pelo levantamento do estado de emergência para partilhar outras informações dirigidas aos portadores de bilhetes, assim como novidades relativas a cartaz". Medina disse também à BLITZ que estão a trabalhar para manter o cartaz já anunciado para este ano.