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Miguel Araújo: “Tenho colegas em que até os seus nomes pertencem à editora. Se passassem um chapéu para donativos, nem veriam o dinheiro”

“Todo o esquema assentava no facto de a profissão dos músicos ser tocar ao vivo e o dinheiro vir daí. Agora não vem mais”. Para ouvir no podcast Posto Emissor

Convidado do Posto Emissor, o podcast da BLITZ, Miguel Araújo falou sobre as implicações de ter um contrato com uma grande editora discográfica.

"Muitos colegas meus continuam a assinar contratos de artistas com multinacionais, contratos pelos quais até o nome deles pertence à editora. Se um artista desses passar o chapeuzinho para as pessoas darem o seu donativo, nem sequer tem direito a esse dinheiro, quanto mais ao dinheiro dos streams", alerta.

"No meu caso, não tenho problema nenhum em dizer: tenho duas músicas independentes, 'Ainda Estamos Aqui' e 'Talvez Se Eu Dançasse'. Tenho o Spotify a render dinheiro para mim desde setembro de 2018, e neste ano e meio fiz 1600 euros com essas duas músicas. Não é mau, mas se fosse a minha obra toda, teria dinheiro para me aguentar", partilha.

Miguel Araújo já não tem contrato com a Warner, mas alguns efeitos do mesmo continuarão a fazer sentir-se durante 8 anos, diz.

"Quando assinei o contrato não havia streaming, mas o meu contrato supõe que, havendo qualquer dinheiro, se lhe aplicam as taxas normais dos discos; então, de 99% da minha obra durante 8 anos não vou ver nada, porque vai tudo para a Warner. Já acho isso desconfortável há muito tempo, mas a partir de agora vai ser essencial fazer alguma coisa. Porque o paradigma mudou completamente. Todo este esquema assentava no facto de a profissão dos músicos ser tocar ao vivo e o dinheiro vir daí. Agora não vem mais".

Ouça aqui o Posto Emissor com Miguel Araújo. Esta resposta começa cerca dos 23m40s: