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Como o Covid-19 baralhou por completo a indústria dos concertos, segundo a Billboard

O cenário é devastador: desemprego, desaparecimento de pequenos promotores, prejuízos astronómicos: o marasmo instalado pela pandemia do novo coronavírus na música ao vivo é analisado pela publicação de referência sobre assuntos da indústria musical nos Estados Unidos

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

O impacto da Covid-19 no negócio da música ao vivo, nos Estados Unidos, é o tema de capa da mais recente edição da Billboard.

Na extensa investigação, pode ler-se que, numa altura em que todos os concertos e festivais estão suspensos pelo menos até julho, a situação é potencialmente dramática para os promotores independentes, assim como para as empresas de montagem de palcos e para os vendedores de merchandising.

Num mercado dominado por duas grandes promotoras de espetáculos, a Live Nation e a AEG, e quatro agências, serão provavelmente as empresas mais pequenas a pagar a fatura mais elevada da crise causada pela Covid-19.

Nos Estados Unidos, esta é uma indústria com cerca de 50 mil assalariados e 200 mil trabalhadores independentes ou sazonais.

Se efetivamente não houver música ao vivo até julho, estima-se que os prejuízos possam superar os dez mil milhões de euros.

Concentrando três quartos do mercado, porém, a Live Nation e a AEG têm um maior poder negocial, nomeadamente no que toca aos adiantamentos que têm de pagar às agências por cada concerto ou digressão.

Apesar de ter perdido, desde o começo da pandemia, metade do seu valor em bolsa, a Live Nation deverá sair desta crise com a sua quota de mercado intacta, escreve a Billboard, recordando que a empresa é ainda detentora da Ticketmaster, a gigante empresa de venda de bilhetes, e que o dinheiro dos bilhetes já comprados para concertos que ainda não foram cancelados continua nos cofres destas companhias.

Reembolsar ou não o dinheiro já pago pelos compradores de bilhetes é, de resto, uma questão que continua sem resposta muito clara, salienta a Billboard.

Em 2019, a Live Nation registou uma subida de 7% nos seus lucros, angariando quase 11 mil milhões de euros. Tendo em conta que, além dos ganhos com as digressões, a empresa concentra também em si as verbas das operações de agenciamento, patrocínios e outras fontes de receita, o embate da crise deverá ser comportável para uma companhia tão próspera.

Segundo a Billboard, serão os promotores mais pequenos, com menor margem de manobra nas negociações com agências, a sofrer mais com esta paragem forçada.

O mercado que vai sair desta crise, pode ler-se no artigo assinado por Dave Brooks, será "ainda mais concentrado e mais competitivo".

Atualmente, os "grandes seis" da música ao vivo nos Estados Unidos - Live Nation, AEG e as agências WME, Creative Artists Agency (CAA), Paradigm e UTA - dizem estar a trabalhar juntas no adiamento do festival de Coachella, que devia acontecer em abril, para outubro.

Cancelado foi, entretanto, o festival South by Southwest, que devia ter acontecido no Texas em março. A decisão teve consequências financeiras onerosas e levou ao despedimento de um terço da equipa do festival, que não devolveu o dinheiro dos bilhetes.

O desemprego é, de resto, um dos efeitos mais prováveis da crise causada pela Covid-19, escreve a Billboard, dando o exemplo do Cirque du Soleil e da Feld Entertainment, que uma semana depois de a Live Nation e da AEG terem suspendido os seus espetáculos, dispensaram seis mil funcionários, ou seja, 90% da sua força de trabalho.

Pode ler aqui o artigo da BLITZ sobre o ponto da situação dos festivais de verão em Portugal, à luz da pandemia de Covid-19.