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Nick Cave responde à questão essencial: "o que fazemos agora?"

"Em isolamento, vamos ter de decidir entre o que queremos preservar do nosso mundo e de nós próprios e o que desejamos descartar". Um texto sobre Covid-19, mas também sobre "a mais aterradora versão de 'Imagine' já feita"

Através do website The Red Hand Files, Nick Cave respondeu à grande pergunta que é feita nos dias que correm: "o que fazemos agora?".

Dirigindo-se a um fã, o músico admitiu que "os tempos mudaram", e que agora "enfrentamos um inimigo comum - imparcial, insensível e de magnitude incomensurável", pelo que "não é tempo de nos abstrairmos", e sim de "sermos cautelosos com as nossas palavras e as nossas opiniões".

"Teremos que nos recuperar, não só pessoalmente como socialmente", continuou. "No futuro, ser-nos-á dada a oportunidade de nos refugiarmos numa versão antiga de nós e do nosso mundo - insular, interesseiro e tribalista - ou de perceber as ligações e uniformidades de todos os seres humanos".

"Em isolamento, vamos ter de decidir entre o que queremos preservar do nosso mundo e de nós próprios e o que desejamos descartar".

Por agora, refere Cave, é tempo de "ouvir aqueles que se encontram mais informados e seguir as suas instruções, por mais difícil que isso seja".

"Devemos ter cuidado com o ruído que fazemos - especialmente aqueles que têm uma voz pública - e não devemos fingir saber o que não sabemos".

"A partir do clamor e da tonelagem de informação e desinformação, de opiniões e contraditórios, de acusações e profecias e até da mais aterradora versão de 'Imagine' já feita surge uma mensagem simples: lavem as mãos e fiquem em casa (se puderem)", rematou.