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Morreu Manu Dibango, vítima de Covid-19

O músico faleceu às primeiras horas desta manhã, num hospital da região de Paris, em França

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Manu Dibango, cantor e saxofonista camaronês, morreu hoje, 24 de março, vítima de Covid-19.

A notícia foi dada pela sua família, que escreveu:

"Queridos amigos, queridos fãs... uma voz eleva-se ao longe. É com profunda tristeza que anunciamos o desaparecimento de Manu Dibango, o nosso Pappy Groove, ocorrida a 24 de março de 2020, aos 86 anos, devido à Covid-19".

O autor de 'Soul Makossa' (1972) morreu às primeiras horas da manhã, num hospital da região de Paris, em França, avançou a sua equipa à agência noticiosa AFP.

Em 2014, Manu Dibango esteve em Portugal, atuando no festival Lisboa Mistura.

Considerado uma lenda da música africana e um embaixador do afro jazz, Emmanuel N'Djoké Dibango nasceu em dezembro de 1933 em Douala, nos Camarões, mudando-se para Marselha, em França, aos 17 anos.

No ano passado, celebrara os 60 anos de carreira com o espetáculo "Safari Symphonique", misturando jazz e música clássica.

Além de ter gravado dezenas de álbuns, Manu Dibango colaborou com músicos como Fela Kuti, Herbie Hancock e Bill Laswell, entre muitos outros.

O seu maior êxito surgiu em 1972 com 'Soul Makossa', incluído no álbum do mesmo nome ('makossa' significa, na língua duala, "dança").

Em 2009, o músico apresentou uma queixa contra Michael Jackson, que acusou de usar parte daquela canção ("Mama-say, mama-sa, ma-ma-ko-ssa") sem permissão, nas canções "Don't Stop the Music" e "Wanna Be Startin' Somethin'". O caso terá sido resolvido fora de tribubal.

No seu país, Manu Dibango lutou pelos direitos dos músicos, no que toca a royalties, e em 2004 foi distinguido pela UNESCO como Artista pela Paz. Foi também homenageado pelo Governo de França, país onde acabaria por morrer aos 86 anos.