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Álvaro Covões

Tiago Miranda/Expresso

“O setor dos concertos foi o primeiro a ser crucificado”. Álvaro Covões, do NOS Alive, alerta para a crise na área dos espetáculos ao vivo

O diretor da promotora Everything is New defende que os espetáculos e o turismo foram os setores mais afetados em Portugal, desde o início, pelos efeitos do novo coronavírus

Álvaro Covões, diretor-geral da promotora Everything is New, defendeu, em entrevista telefónica à BLITZ na passada quarta-feira, que o setor dos espetáculos foi "o primeiro a ser crucificado", em Portugal, nas medidas tomadas pelo governo devido à pandemia da Covid-19.

"Uma das primeiras medidas foi acabar com os grandes eventos. Certo?", diz, "portanto, nós somos aqueles que há mais tempo estamos limitados e não podemos trabalhar. Houve a questão das quatro pessoas por 100 metros quadrados nos shoppings. A distância de dois metros para não haver contacto. Agora na cultura isso não existe. Na cultura é: 'fechado, porque distância de segurança é impossível de manter em eventos culturais'. Sim, está bem. Mas os espetáculos foram proibidos quando as discotecas e os bares ainda estavam abertos".

"Não sei se foi o governo, porque o governo e a Assembleia da República atuam muito em função do que a Direção-Geral de Saúde diz", continua, "mas quando ouvi a proibição das discotecas e bares com pista de dança viu-se mesmo que quem decidiu isso não sabe o que é um bar. Nunca foi ao Cais do Sodré, nunca foi ao Bairro Alto, não sabe o que é um bar. O que interessa se o bar tem pista de dança? As pessoas não estão em cima umas das outras num bar?"

Conclui, dizendo: "devia ter-se atuado logo com mais firmeza desde início. Por isso é que digo: no nosso setor, somos os mais prejudicados no meio disto tudo. Nós e o turismo. As recomendações foram só: evite grandes eventos e viagens”.

Recorde-se que, na mesma conversa, Covões revelou à BLITZ, em primeira-mão, que os concertos de abril da Everything Is New (Nick Cave e Bon Iver) seriam adiados, mas que o NOS Alive continua de pé: "faltam 112 dias. Não posso estar a desistir de um projeto que é daqui a quatro meses".