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Rita Carmo

Lena d'Água: “O vírus é uma lição que a Natureza está a dar ao dito primeiro mundo”

Vivendo numa aldeia com menos de 200 pessoas, Lena d'Água continua a cumprir a sua rotina habitual. E ainda que não negue a ansiedade causada pelo surto de novo coronavírus, considera que poderá haver lições a retirar do mesmo. “O vírus já dobrou a língua ao Bolsonaro, ao Trump e ao Boris”

Vivendo numa aldeia com menos de 200 habitantes, Lena d'Água diz à BLITZ que não alterou muito a sua rotina por causa do Covid-19.

"Continuo a começar o dia a ouvir as Manhãs da Antena 3", partilhou. "Hoje a Ana Markl fez uma coisa incrível, numa das novas rubricas, dizendo que o vírus é uma forma de o Acordo de Paris ser cumprido!", conta. Recorde-se que, desde que a pandemia começou, reduziram drasticamente os níveis de poluição na China.

"Compreendo que, na aldeia, as pessoas mais velhas fiquem aflitas. E os festivais de Instagram chegam só aos mais novos... as televisões têm a obrigação de nos porem a tocar ao vivo, pagando, que é algo que não fazem há 20 anos", afirma.

Tendo já ultrapassado a "fase do susto", Lena d'Água atendeu-nos o telefone com uma lista pronta de fenómenos em que tem reparado, desde o começo do surto: "Toda a gente atende o telefone! Toda a gente está em casa. Depois, hoje peguei na caixa de costura. Vi um rasgão na almofada e pensei: é hoje! E também vou limpar os armários da cozinha".

Ainda que considere que todos sofremos "de uma ponta de aflição" - "tenho uma sobrinha grávida, uma madrinha de 90 anos" -, Lena d'Água acredita que o surto possa ter outras consequências. "O vírus já dobrou a língua ao Bolsonaro, ao Trump, ao Boris", aponta.

Lena d'Água recomenda que as pessoas vejam se, na sua despensa, têm produtos a aproximar-se do final do prazo de validade e explica que, como não come carne, peixe ou laticínios, não tem de se preocupar com o abastecimento destes produtos.

"Reparo também que algumas famílias que só vêm à aldeia ao fim de semana já estão cá. As pessoas sentem-se mais abrigadas aqui", diz. "Uma vizinha que tem um bebé pequeno perguntou-me se eu precisava de alguma coisa do Bombarral e trouxe-me fósforos; deixou-mos à janela, já desinfetados!".

"Há coisas incríveis: as famílias estão reunidas! Sei que há famílias e famílias, mas muitas pessoas estão com os seus filhos, em casa", sublinha, lembrando ainda a "explosão de grande criatividade que costuma surgir depois de um período de guerra [ou crise]" e garantindo ter "confiança nas pessoas que estão à frente do país".

"Isto é a Natureza a dar uma lição ao dito primeiro mundo", resume. "A Europazinha vê as catástrofes todas a acontecerem todas ao fundo e de repente estamos todos no mesmo barco. A Terra é a nossa casa-mãe, não podemos continuar a fazer a mesma porcaria. Se não vai a bem, vai a mal".