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João Lima/Expresso

Álvaro Covões: “O NOS Alive continua. Faltam 112 dias. Não posso estar a desistir de um projeto que é daqui a quatro meses”

Questionado pela BLITZ sobre a eventualidade de um cancelamento do festival de Algés devido à pandemia de Covid-19, o chefe máximo da promotora Everything is New quer “acreditar que as coisas vão para a frente”, apesar de ressalvar que “ninguém sabe o que vai acontecer”

Álvaro Covões, da Everything is New, disse em declarações à BLITZ que o "NOS Alive continua. Faltam, salvo erro 112 dias. Nós não podemos estar a desistir de projetos que são daqui a quatro meses, quase. Não faz sentido nenhum". Recorde-se que o festival de Algés decorre, este ano, está agendado para os dias 8, 9, 10 e 11 de julho. Esta quarta-feira foi declarado em Portugal estado de emergência devido à pandemia de Covid-19.

O diretor-geral da promotora ressalvou, no entanto, que "tudo é possível": "ainda hoje ouvi o primeiro-ministro dizer que isto se calhar não são 15 dias, é mais tempo. A Ministra da Saúde já disse que o pico é em maio e só em junho começa a cair. Portanto nós não sabemos o que vai ser. Acho que ninguém sabe o que é que vai ser". Questionado sobre se já teria sido contactado pelos grandes artistas internacionais do cartaz, como Taylor Swift, Billie Eilish ou Kendrick Lamar, no sentido de cancelar, garantiu que não.

"O país já vai parar. Se nós desistirmos todos, então voltamos à idade da pedra. Acho que ninguém está a ter noção do que está a acontecer. Se isto parar quatro meses, se calhar 50% dos portugueses não recebem ordenado daqui a quatro meses", acrescenta ainda.

Apesar de o gigante festival britânico de Glastonbury, que estava previsto para o final de junho, ter sido cancelado, Covões diz que não há grande paralelismo com os festivais nacionais e outros festivais europeus. “O Glastonbury é um festival diferente dos outros, é um festival em que as pessoas vão para lá viver uma série de dias e é no meio do nada, portanto, a nível de infraestruturas eles têm muito trabalho para fazer. E, neste momento, era o momento de início das montagens e eles nem sequer conseguem ter as pessoas a trabalhar e a montar um festival numa altura destas. É uma impossibilidade técnica, mas de todos os grandes festivais da Europa é o único onde isso acontece. Precisam de três meses para montar. É uma decisão acertada".

"Estar a fazer um investimento colossal e depois, por qualquer motivo, não poder ter o festival...", acrescenta ainda sobre o evento britânico, "mas não podemos funcionar assim. Temos de acreditar que as coisas vão acontecer e vão para a frente. Tendo em conta que nós fomos o primeiro setor a ser penalizado, porque foi aquele que recebeu logo os avisos 'não vão aos eventos', primeiro como recomendação e depois como proibição”.