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Rita Redshoes: “Tento olhar para o sorriso da minha filha. Nós não fomos feitos para estar sozinhos”

A cantora e compositora portuguesa está em casa com a família, por considerar que esta é a opção mais prudente durante a pandemia de Covid-19. À BLITZ revelou como tem sido o seu dia-a-dia, na companhia do namorado e da filha bebé

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Redshoes falou à BLITZ sobre a forma como está a lidar, a título pessoal, com o surto de novo coronavírus.

Por precaução, e apesar de nenhum ter sintomas, a cantora-compositora encontra-se recolhida em casa, com o companheiro, também músico, e a filha, de ano e meio. "Tenho uma varandinha, para apanhar ar", conta a artista, que só tem saído de casa para comprar comida e "dar umas voltas de carro; estar fechado em casa com um bebé é dureza", brinca, chamando à sua filha "um furacão". A estratégia passa, assim, por fazer com que a menina gaste "muita energia", com "corridas no corredor" ou construindo cabanas na sala.

"Também encomendei uma piscina de bolas e tocamos canções infantis, ao piano e à guitarra", partilha Rita Redshoes, que deveria lançar um disco no final de março. "Agora, é tudo uma incógnita, mas devo lançar um single, com um vídeo imaginativo - as condições possíveis!", prevê.

Vivendo no centro da cidade de Lisboa, Rita Redshoes ainda se apercebe da diferença entre os dias da semana, pelo ritmo das pessoas e dos automóveis lá fora. Mas confessa que é fácil perder "a noção da realidade, quando temos a vida em suspenso". "Tenho algum receio que, para a sanidade mental das pessoas fechadas em casa, isto não seja bom", admite, mostrando algum alívio por, nas crianças, a doença ser assintomática ou causar sintomas ligeiros.

Quanto aos concertos adiados ou cancelados, Rita Redshoes teme que, a médio prazo, esta situação seja "incomportável. Ninguém faz ideia do que vem aí. Vem aí uma crise económica muito dura, e há não muito tempo que tínhamos passado por uma. Nada como esperar", considera.

Neste período de isolamento voluntário, Rita Redshoes diz que tem aproveitado para conversar com vizinhos com quem nunca tinha falado e acredita que esta pode ser uma oportunidade de "contacto e união". "Eu, o meu namorado e o meu vizinho até já pensámos dar um concerto no quintal, para animar os vizinhos!", diz. Importante será conseguir "ocupar o tempo de forma positiva. O isolamento é terrível, nós realmente não fomos feitos para estar sozinhos".

Quanto à necessidade de convencer familiares mais velhos da gravidade da situação, Rita Redshoes compreende a relutância em acatar certas ordens, pois "este inimigo não tem cara". Mas está em crer que todos se aperceberão em breve da seriedade da doença. Por ora, mantém o ânimo de forma simples: "Tento olhar para o sorriso da minha filha. E temos de nos proteger!".