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Talking Heads em “Stop Making Sense”

Grandes concertos para ver em casa: o incomparável “Stop Making Sense” dos Talking Heads em Hollywood

Em tempos de auto-isolamento devido ao Covid-19, não queremos que se sinta sozinho e recomendamos-lhe concertos históricos para ver em casa. Dezembro de 1983: três espetáculos no Pantages Theatre, em Hollywood, onde os Talking Heads 'rockam' e 'funkam' a sério. Estávamos, provavelmente, perante a melhor banda do planeta, tão fisicamente captada por Jonathan Demme em filme. Para ver aqui

David Byrne fez sempre questão de subverter as normas das convenções rock no que diz respeito a magnetismo sexual, performance física, vocal e instrumental, gestão cénica, etc. E tudo terá começado com os concertos documentados no fabuloso filme de Jonathan Demme, "Stop Making Sense".

Ao longo de três noites no Pantages Theatre de Hollywood, em dezembro de 1983, encontramos um Byrne que explora toda a sua veia absurdista, usando a seu favor as normas clássicas da performance rock para oferecer uma visão alterada de um concerto. Byrne começou por entrar em palco sozinho e com um 'tijolo', interpretando, logo a matar, 'Psycho Killer'.

A partir daí, a cada nova canção, mais um músico ia entrando em palco, começando, claro, pelos restantes membros da banda. Mas os Talking Heads, que vinham da cena punk do CBGB, rapidamente se viram rodeados em palco de uma série de monstros do funk, incluindo músicos dos Parliament/Funkadelic e Brothers Johnson. O que fez de qualquer um destes concertos uma lição tremenda de groove, com 'Burning Down The House' a fazer exatamente o que o título promete. 'Once in a Lifetime', 'Genius of Love', dos Tom Tom Club, 'Girlfriend is Better' ou o clássico de Al Green 'Take Me To The River' foram outros momentos altos de um espetáculo imaculado onde a luz, a cenografia, as movimentações em palco e a icónica roupa de Byrne sobretudo o fato de tamanho XXXXL contribuíram para um momento insuperável.

Aqui não há pirotecnias avulsas, gestos gratuitos ou pormenores de encher o olho. Apesar do lado 'arty', declaradamente inspirado nas ideias avançadas de Byrne, os Talking Heads rockam e funkam a sério em palco, provando ser à época, e com uns Clash a entrarem em fase descendente, a melhor banda do planeta. Fossem todos os concertos assim, tão entusiasmantes, tão cerebrais e, no entanto, tão físicos.

Alinhamento:

"Psycho Killer"
"Heaven"
"Thank You for Sending Me an Angel"
"Found a Job"
"Slippery People"
"Burning Down the House"
"Life During Wartime"
"Making Flippy Floppy"
"Swamp"
"What a Day That Was"
"This Must Be the Place (Naive Melody)"
"Once in a Lifetime"
"Genius of Love"
"Girlfriend Is Better"
"Take Me to the River"
"Crosseyed and Painless"