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Legendary Tigerman

Legendary Tigerman disponibiliza grátis o seu filme “Fade Into Nothing”. “Fiquem seguros, fiquem em casa”

Um 'road movie' e um 'falso diário': a viagem de Paulo Furtado ao deserto californiano com a fotógrafa Rita Lino e o realizador Pedro Maia, exibido em competição no festival Indie Lisboa 2017, é agora grátis. “Nestes dias estranhos em que vivemos, decidimos disponibilizar a nossa arte”

O músico The Legendary Tigerman (Paulo Furtado), a fotógrafa Rita Lino e o realizador Pedro Maia embarcaram numa viagem pelo deserto californiano e a experiência ganhou forma em "Fade into Nothing", como um road movie e um "falso diário" em Super 8. É este filme, que esteve em competição na edição de 2017 do festival de cinema Indie Lisboa, que o músico português agora disponibiliza gratuitamente.

"Tal como outros artistas e cineastas que tiveram esta iniciativa nos tempos estranhos em que vivemos, eu, o Pedro Maia e a Rita Lino decidimos tornar a nossa arte disponível para si", escreveu Furtado nas redes sociais.

Conjugando textos do músico e imagens registadas no grão de 8mm, o filme descreve "o trajeto de um homem que não foge nem se esconde, simplesmente se encaminha para o nada, procura ser nada". Durante esta viagem, recorde-se, Paulo Furtado compôs parte do seu último álbum, "Misfit".

"Fade Into Nothing" pode ser visto aqui.

Falando sobre o impacto do novo coronavírus, Paulo Furtado salienta que "há aqui um momento em que se têm de pôr de parte os problemas pessoais inerentes a cada profissão". "Temos todos que parar e pensar uns nos outros e nas pessoas que estão mais frágeis. Todos temos avós, todos temos pais e todos temos tios que, provavelmente, estão na faixa etária que pode ser mais afetada", sublinha.

Abordando especificamente o seu trabalho, o músico explica: "o meu panorama é ter andado três meses a trabalhar [na música] para uma peça de teatro que não sei se vai acontecer ["Estro/Watts. Poesia da Idade do Rock", cuja estreia estava programada para o Rivoli, no Porto, nos dias 20 e 21 de março, mas foi adiada], é ter os concertos de abril desmarcados e provavelmente os de maio também vão começar a ser desmarcados... É ter uma digressão europeia que ia acontecer em outubro mas que como estão a remarcar os concertos que iam acontecer agora para essa altura vou ter que a desmarcar também".

"Eu ainda assim tenho capacidade para poder fazê-lo se precisar de estar parado dois meses. E depois lido com os problemas daqui para a frente. Mas sei que há muitos músicos e muitos atores e muitas pessoas ligadas à cultura que vivem numa grande precariedade e que neste momento, provavelmente, por causa de todas as coisas que foram canceladas, nem têm dinheiro para pagar a renda de casa do próximo mês. E isso sim é preocupante, e isso sim é também transversal a todas as profissões. Acho que é momento de encontrarmos, também, soluções coletivas para as pessoas que estão mais fragilizadas a todos os níveis", alerta.