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Miguel Araújo sobre o coronavírus: “Ficar em casa é simultaneamente o mínimo e o máximo que podemos fazer”

O músico do Porto está em casa com a família e, apesar da preocupação com o coronavírus, acredita que esta possa ser uma oportunidade para uma “reflexão global”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

O músico português Miguel Araújo falou à BLITZ sobre a forma como tem lidado com o surto de coronavírus.

Em família, o cantor-compositor escolheu ficar em casa, encontrando-se há quatro dias nesse registo, saindo apenas para fazer "umas compritas essenciais", fazer jogging ou "dar uma volta de carro" com os três filhos, à vez.

"Os meus amigos também estão todos em casa. O que vejo muito na rua são turistas estrangeiros, alguns deles italianos. Esta semana fui à Ribeira dar uma entrevista e as esplanadas estavam cheias", conta, acreditando que, depois de divulgadas as fotos de uma praia cheia, se gerou "um ódio ao português" que poderá não ter razão de ser, uma vez que as pessoas entrevistadas na reportagem da SIC eram na verdade de outras nacionalidades.

Para Miguel Araújo, ficar em casa é "simultaneamente o mínimo e o máximo que podemos fazer" para controlar o surto de coronavírus, protegendo-nos a nós e aos outros.

Quanto ao cancelamento ou adiamento de concertos, Miguel Araújo acredita que venha a ter um impacto nos rendimentos dos músicos, mas espera que, daqui a alguns meses, a situação esteja regularizada. "O vírus vai afetar todas as pessoas, a nível global e geral. Todos os negócios. Mas essa não é a preocupação imediata... se se passarem muitos meses e os concertos não tiverem sido reagendados, o problema maior não serão os concertos".

"A minha preocupação agora é ficar em casa", resume. Sem querer desvalorizar a situação, Miguel Araújo acredita que esta pode ser uma oportunidade de "fazer um reset. Se calhar, quando isto tudo acabar, vamos pensar: 'afinal não conhecia assim tão bem os meus filhos', ou 'só passava duas horas por dia com a minha mulher'. Ou 'o que eu fazia não era assim tão vital'. Depois do pânico e da ansiedade, pode haver alguma reflexão global".