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Paulo Ventura, manager e programador do festival EDP Vilar de Mouros

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Paulo Ventura, do festival EDP Vilar de Mouros: “Qualquer promotor que diga agora que vai ser assim ou assado não sabe o que está a dizer”

Responsável pela organização do EDP Vilar de Mouros defende que a data do festival ainda está "muito longe" mas entende que, até lá, tudo pode mudar. Em causa está o impacto do Covid-19 na indústria nacional da música ao vivo

Paulo Ventura, organizador do festival EDP Vilar de Mouros, que se realiza em agosto, falou à BLITZ sobre o impacto do Covid-19 nos festivais de verão em Portugal.

"Os festivais mantêm-se, penso eu. Pelo menos o Vilar de Mouros, temos vontade de o fazer. [Contudo] estamos, obviamente, preparados para entender que poderemos ter de pensar que não podemos fazê-lo. Ainda está tão longe esse dia", começa por dizer, "e é óbvio que o governo deve preocupar-se com os promotores de espetáculos, como deve preocupar-se com os trabalhadores independentes da música, como deve preocupar-se com os artistas, como deve preocupar-se com o país inteiro. Obviamente, nós trabalhamos neste meio que está muito exposto. Isso é verdade".

Realçando que os artistas internacionais que estão a cancelar digressões, neste momento, estão a fazê-lo "em territórios onde a força do vírus é notória", Ventura acrescenta que "como o vírus é novo, estas circunstâncias também são todas novas". Referindo-se à "task force" criada pelas "maiores agências americanas" de espetáculos, como a AEG ou a Live Nation, "para trabalhar em conjunto, mostra que esta gente está toda com vontade de criar soluções e não problemas". "Acho que nós, promotores de festivais e de espetáculos, temos de confiar que toda a gente vai tentar fazer as coisas acontecer dentro da possibilidade… Nós não sabemos exatamente qual é o prolongamento desta questão toda”.

"Nós não sabemos se em Portugal estamos no início da pandemia, se estamos a meio, se estamos na pior altura, se estamos na melhor", continua, "tudo o que dizemos agora é um bocado especulativo, portanto mais que tudo temos de ter noção que esta história da quarentena é importante. A história de ficar em casa é importante. Neste momento, o mais importante é isso. Qualquer promotor que diga que vai ser assim ou assado não sabe o que está a dizer, neste momento. Está a teorizar sobre… E acho que não devemos teorizar sobre".

O facto de Glastonbury continuar de pé, à data de hoje, é "ótimo", segundo Ventura, "mas não nos esqueçamos que o festival está esgotado, portanto o problema deles não é ter pessoas lá dentro, é poder garantir a segurança das pessoas que lá estão. Essa é a questão maior de um festival e de um espetáculo: percebermos quando podemos e se podemos levar o evento para a frente. E à distância que estamos dos festivais… Diria que temos de estar atentos e entender onde estamos. É sobretudo isso".