Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

“Neste momento, tocar em Lisboa é das coisas mais horríveis do mundo”, confessa Adolfo Luxúria Canibal dos Mão Morta

“Tens a casa cheia e o público está ali como se estivesse num encontro social”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

No final do ano passado, a poucas semanas de completar 60 anos, Adolfo Luxúria Canibal, dos Mão Morta, recebeu o Expresso na sua cidade de Braga, para uma longa entrevista de vida.

Agora, a BLITZ publica várias respostas que não “couberam” nessa entrevista mais centrada no percurso pessoal.

Questionado sobre a intensidade dos concertos rock hoje em dia, discorreu Adolfo Luxúria Canibal:

“Neste momento, tocar em Lisboa é das coisas mais horríveis do mundo. Porque o público de Lisboa deixou de se interessar por música. Nós temos 35 anos de carreira, sensivelmente, e o público de Lisboa sempre foi o melhor. É o sítio onde tocamos mais, o que primeiro nos recebeu e deu importância e fez com que ganhássemos consistência. E tocar em Lisboa era sempre uma prova de fogo. [A cidade tinha] um público super exigente, muito forte, conhecedor - um público particular. Hoje vais tocar a Lisboa, tens a casa cheia e o público está ali como se estivesse num encontro social! Deixou de ir ver concertos! Está a conversar, a beber cerveja, a conviver. Não acontece isso no Porto! No Porto as pessoas vão ver o concerto! Os concertos transformaram-se numa coisa tão corriqueira, tão pouco intensa, que o próprio público reflete essa displicência. A culpa é dos músicos, acho eu. Se o concerto for mesmo a sério, o público não consegue ficar indiferente”.

Leia em breve, aqui na BLITZ, a “segunda parte” da entrevista de Adolfo Luxúria Canibal.