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Susie Cave, Nick Cave e o seu filho, Earl Cave, em 2019

David Crotty

Filho de Nick Cave comenta morte de irmão gémeo: “O que aconteceu mudou-me por completo”

Earl Cave, filho de Nick e Susie Cave, deu entrevista sobre carreira como ator, que pretende dedicar ao irmão, falecido em 2015

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Earl Cave, um dos filhos de Nick Cave, deu uma entrevista ao Guardian sobre a sua carreira como ator.

Agora com 19 anos, o jovem recorda que, quando era ainda mais novo, tinha por hábito ver muitos filmes com o pai e Arthur, o irmão gémeo, que morreu em 2015.

“Os filmes foram uma parte muito importante da minha infância. Uma vez por semana, víamos filmes que não devíamos. O meu pai mostrava-nos filmes disparatados. Nós só queríamos apanhar os maiores sustos possíveis. Não queríamos saber da representação ou da realização. Era só: 'põe aí o filme mais sangrento. Vamos ver o Chucky 3 e comer pipocas'”.

Em breve, Earl Cave poderá ser visto em dois filmes: “True History of the Kelly Gang” (no qual participa também o músico neozelandês Marlon Williams) e “Days of the Bagnold Summer¨.

Para o britânico, a carreira na representação é uma forma de lidar com a morte do irmão, ao mesmo tempo que lhe presta homenagem.

“O que aconteceu mudou-me por completo. Tornou-me muito maduro muito cedo, sobretudo a nível emocional”, afirma. “O tempo que passámos em família, cuidando uns dos outros, fez com que ganhássemos um maior conhecimento do que é perder alguém. Todos nos tornámos pessoas diferentes, mas penso que melhores, o que é complicado de dizer”.

Se Nick Cave lida com a mágoa através da música e das cartas aos fãs, e Susie Cave mantém um site pessoal, Earl Cave escolheu o cinema.

“Os meus pais encontraram aquelas soluções. São coisas que os mantêm ocupados e concentrados, mas são também uma forma de responder às perguntas das outras pessoas, ao mesmo tempo que respondem às suas próprias dúvidas. Para mim, o cinema tem sido muito importante. Faço isto tudo pelo Arthur. Quero criar algo belo a partir de algo trágico”.