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Giulia Be

Quem é Giulia Be, a nova namoradinha do Brasil? Uma “menina solta” que quer conquistar Portugal

Determinada, assumidamente feminista e cheia de vontade de ser uma “grande escritora de canções”, Giulia Be falou com a BLITZ em Lisboa sobre o sucesso repentino e a vontade de fazer música que atravesse gerações

Aos 18 anos, a vida de Giulia Be deu uma grande volta. Dois anos volvidos é dela que se fala quando se pensa em nova pop brasileira, muito devido ao sucesso de ‘Menina Solta’, canção que já tomou Portugal de assalto. Recentemente confirmada no cartaz do festival Rock in Rio-Lisboa, a artista carioca sentou-se com a BLITZ para falar sobre o momento em que aquilo que tinha planeado fazer na vida - estudar direito, trabalhar na ONU -, deixou de fazer tanto sentido. “No Rock in Rio de 2017, tive o prazer de conhecer os Maroon 5 e eles deram-me o maior presente que alguém me poderia dar”, recorda, “acabei a cantar no backstage, uma coisa super informal, e o guitarrista James Valentine veio ter comigo e disse-me que eu devia fazer disto a minha vida. Eventualmente, o Adam [Levine] também saiu do camarim, o teclista PJ [Morton] também e todos disseram ‘era você a cantar? Que legal!’”.

“Ao sair daquele encontro estava incrédula, sem entender como aquilo tinha acontecido, mas depois pensei ‘será que coloco um vídeo na Internet?’. Porque cresci na geração Justin Bieber. Vimo-lo fazer isso e a tantos outros que vieram depois dele”. A cantora assume que nunca tinha pensado muito na música como uma carreira, apesar de ter começado a tocar piano aos 6 anos e a escrever canções aos 8 (“com essa idade, já escrevia sobre romances que nunca tinha vivido”). “Nunca me tinha passado pela cabeça porque cresci com a Hannah Montana e toda a gente queria ser ela”, explica, “como é que eu ia chegar e dizer ‘não, eu é que vou ser a Hannah Montana’? A música ia ser sempre um hobby, que eu amava, para mim. Não achava que ia conseguir. Há tanto talento no mundo”. O primeiro vídeo que partilhou “viralizou” e começaram a abrir-se uma série de portas. “Tenho 20 anos e aos 20 anos saber o que se quer fazer na vida já é uma conquista, imagina conseguir ter tantas oportunidades quanto eu estou tendo”.

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Giulia Be na apresentação do cartaz do palco Galp Music Valley do Rock in Rio-Lisboa
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Giulia Be na apresentação do cartaz do palco Galp Music Valley do Rock in Rio-Lisboa

Agência Zero

Giulia Be na apresentação do cartaz do palco Galp Music Valley do Rock in Rio-Lisboa
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Giulia Be na apresentação do cartaz do palco Galp Music Valley do Rock in Rio-Lisboa

Agência Zero

O curso de direito ficou de parte, mas há algo de que não quer prescindir. “O meu sonho era trabalhar na ONU e agora, tendo uma plataforma de voz, inevitavelmente, por ser uma pessoa pública, consigo também ajudar em causas sociais. Vou estar lá na ONU, eventualmente, só que de uma maneira diferente”, garante. Referindo artistas como Stevie Wonder, Fleetwood Mac, Cazuza ou Caetano Veloso como influências, Giulia Be assume que ainda não está preparada para gravar um álbum. “Vou lançar um EP. O primeiro single chega agora a 14 de fevereiro e chama-se ‘Não Era Amor’, a 21 de fevereiro vou lançar ‘Chiquita Suelta’, a versão em espanhol de ‘Menina Solta’, e logo de seguida o EP todo”, revela, “é esse o EP que vou apresentar aqui no Rock in Rio”. A sua ligação a Portugal, diz, começou quando visitou o país aos 15 anos, “fui ao Douro, ao Algarve... Em Lisboa fiquei só dois dias, então não conheci muita coisa. Agora, tenho a oportunidade de conhecer melhor e estou a amar. Quero vir cá cada vez mais”.

‘Menina Solta’, tema que a tirou definitivamente do anonimato, há poucos meses, é uma canção que diz representar muito para ela. “Tive que lutar por ela. Já estava tudo pronto para eu lançar outra música, completamente diferente, mas esta foi a primeira das três que lancei que realmente tem a minha verdade”, defende, “é a Giulia do jeito que ela é. Peguei no violão e escrevi, brincando com as minhas amigas. Não poderia haver um cenário mais Giulia do que esse”. E o que significa, afinal, ser uma “menina solta”? “Significa você ter essa liberdade de poder seguir os seus sonhos, de fazer o que quer, de escutar o seu coração, a sua cabeça, e não deixar nenhum homem, ou nenhuma pessoa, dizer-lhe que não consegue. Por mais que a música fale sobre uma situação bem específica, acabou virando uma coisa muito maior. Digo que a música é feminista sem querer, porque a escrevi para contar uma história”.

Apesar de se ter tornado um sucesso no Brasil e em Portugal, ‘Menina Solta’ foi também recebido com algumas críticas. “Não tenho problema que digam que é uma canção feminista. Podem dizer que sou feminista, porque sou”, diz a cantora de 20 anos, “a palavra feminista pegou uma conotação negativa por militantes na Internet, uma coisa um pouco extremista, mas ser feminista basicamente é acreditar que mulheres e homens têm direitos iguais. Ser feminista é ser uma menina solta, também. Sou dona da minha própria vida e é assim que todas as mulheres devem ser”. Mas ‘Menina Solta’ é apenas o início de uma carreira que pretende que ganhe maior destaque devido à sua escrita. “O que mais prezo, mais do que ser cantora, dançarina, música, é ser uma contadora de histórias. O meu objetivo é ser uma grande escritora de canções e estar entre os meus ídolos, que acabam sempre por ser escritores de canções. ‘Menina Solta’ foi isso, uma história que eu contei de uma maneira que ficou na cabeça de muita gente”.

A vontade de agradar não apenas ao público lusófono está lá desde o início – o seu primeiro single intitulava-se ‘Too Bad’ e era totalmente cantado em inglês. “A música para mim é uma linguagem universal. Sempre tive músicas em inglês e em português. Uma música boa é uma música boa, ponto”, defende, “quero poder levar a minha música para o mundo, poder colocar o nome do Brasil no mundo. Portugal tem uma grande recetividade da música brasileira, mas infelizmente o resto do mundo não”. Depois de elogiar a “nova onda de música pop” e colegas como Jão, Vitor Kley e Melim, a artista destaca o papel do funk na internacionalização da música brasileira. “É importante enquanto artista brasileira falar sobre ele, por muito que não faça esse tipo de música. Assim como a bossa nova não era aceite na época em que começou, o funk não é agora. É um movimento super importante e faz parte da cultura. Estamos vindo todos juntos para conseguir colocar o Brasil no mapa”.

“Cheguei aqui muito rápido, completei um ano de carreira há dois dias, e não quero que se vá muito rápido, sabe?”, replica quando a questionamos sobre os seus grandes objetivos de carreira, “no geral, quero poder estar aqui daqui a 30 anos, com os meus fãs, que estão aqui desde o começo, e que as músicas ainda façam sentido. Quero fazer músicas que durem gerações, como as grandes canções que a gente escuta hoje e que foram feitas pelos Beatles nos anos 60. É o que eu quero fazer com as minhas músicas. Espero que assim aconteça. Como diria o Vitor Kley: ‘assim seja, ámen’”.