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Moullinex desvenda novo álbum ao vivo em Lisboa. “Tudo o que fiz até este disco é tão 'over the top'. Estou a tentar conter o glitter!”

Entre esta quinta-feira e sábado, no MusicBox, Moullinex mostra novidades aos fãs e “remistura” e atualiza os três primeiros álbuns. A BLITZ falou com o músico sobre o que vem aí

Moullinex vai começar a desvendar o seu novo álbum, com edição prevista para "depois do verão", em três espetáculos no MusicBox, em Lisboa, esta quinta-feira, sexta e sábado. Cada uma das atuações "Rough Mix" servirá também para o músico revisitar e remisturar, com ajuda da sua banda, os três álbuns de originais que editou até ao momento "Flora" (quinta), "Elsewhere" (sexta) e "Hypersex" (sábado).

A ideia, diz Moullinex à BLITZ, "surgiu da necessidade de preparar os temas novos para o palco. A instrumentação mudou muito do disco anterior para este que estou a preparar e nada melhor do que testar o novo formato perante o público". O músico diz sentir-se "inseguro, ansioso e muito expectante" e garante que destas atuações podem ainda surgir influências para o disco.

"Ainda muito está em aberto. A possibilidade de ter a mesma sala durante três dias permite-nos mudar (muita) coisa de um dia para o outro, explorar diferentes arranjos, etc", explica, "é algo a que estou habituado quando toco os meus temas ainda por sair em DJ sets, mas é mais difícil fazê-lo com banda. Gosto da ideia de o público ouvir o disco ainda em construção e não como algo estático e fechado".

Referindo 'Dream On', single que editou depois de "Hypersex", como o mais "indicativo da direção do álbum", o músico explica que as canções que foi editando em 2019 serviram de experiência para perceber a direção que queria tomar. "O 'Yelele' e 'Hope/Dope' são muito virados para a pista e o 'Cotton Club' mais jam de banda. Acho que o universo novo tem muito de pista, mas é talvez mais introspetivo, mais melancólico".

"Se fosse uma casa, está na pintura e acabamentos: arranjos de quarteto de cordas, harpa, misturas, coros... sendo que eu acabo por voltar atrás e refazer muita coisa, porque ter o meu próprio estúdio permite-me essa liberdade", responde, quando lhe perguntamos em que estágio está a produção do sucessor de "Hypersex".

Algo que assume ter querido fazer nas novas canções foi libertar-se de "atalhos atuais, confortos e vícios". "Quando sinto que tenho demasiado conforto começa logo a comichão de me atirar para coisas novas", defende, "o David Bowie costumava dizer 'quando estiveres fundo, já fora de pé, vai um pouco mais fundo'. Acho que só consigo apresentar um trabalho com o qual me identifique totalmente, seja de uma forma emocional, intelectual ou simplesmente estética. Senti que guitarra, baixo eléctrico e bateria acústica, instrumentação dita tradicional, se tinham, de alguma forma, tornado as minhas muletas, os meus atalhos. Decidi explorar texturas muito mais artificiais e saber que cores e moods, emocionalmente falando, obteria com elas".

O trabalho que assinou recentemente com artistas tão diversos "e pessoas tão talentosas" quanto Nástio Mosquito, Felipe Gordon ou Fado Bicha é, segundo Moullinex, "um privilégio". "No fundo, sinto sempre que retiro muito mais da experiência do que meramente participar em algo colaborativo: sinto que cresci por estar meramente exposto a outra forma de fazer as mesmas coisas", assume, "a colaboração é para mim um bálsamo. De um ponto de vista técnico, aprendo muito no processo. Mas o maior ganho é sobretudo na capacidade que recupero de me ligar às minhas próprias emoções, por ter uma janela directa para o processo de artistas que o fazem tão bem".

Sobre o novo disco, Moullinex acrescenta ainda que acredita ser uma reconfiguração total da sua sonoridade: "tudo o que fiz até este disco me parece tão technicolor, tão 'over the top'. Estou a tentar conter o glitter. É difícil!". Os bilhetes para os três concertos no MusicBox estão à venda nos locais habituais, custando €12,00 para uma espetáculo e €30,00 para os três.