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Manel Cruz

Fernando Veludo

“Perdi o medo, agora quero usufruir”. Como Manel Cruz olha para um ano em que brilhou a solo, com os Ornatos Violeta e até no cinema

Manel Cruz falou com a BLITZ sobre um ano rico em experiências, começando pela banda-sonora do novíssimo filme “Tristeza e Alegria na Vida das Girafas”, um disco a solo “suave, sem medo da água”, e o regresso descomplicado aos Ornatos. “Até há coisas das músicas que estou a reviver, na fase da vida em que estou”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Este ano, Manel Cruz lançou por fim um disco em nome próprio, “Vida Nova”, que defendeu com numerosos concertos. Com os Ornatos Violeta, voltou também aos palcos, atuando em grandes festivais e em salas fechadas (primeiro o Pavilhão Rosa Mota, no Porto, em breve o Campo Pequeno, em Lisboa). E, neste final do ano, podemos ainda ouvi-lo na banda-sonora do filme “Tristeza e Alegria da Vida das Girafas”, para a qual recuperou várias canções do Foge Foge Bandido, o seu disco-livro de 2018, e escreveu alguns originais. Além de produtivo, 2019 foi prazeroso, garante-nos o homem do Porto, perto do lavar dos cestos deste ano.

Quando foi convidado a fazer a música para o filme “Tristeza e Alegria na Vida das Girafas”?
Já foi há uns anos! O primeiro convite foi um namorozinho, numa cervejaria.

E como funcionou? Mostraram-lhe o filme, para saber do que se tratava?
Eu vi o filme e adorei o guião. Acho que é brilhante. E o Tiago [Guedes] já tinha uma afinidade com o Bandido; gosta muito do disco e achou que ele tinha muito a ver com o filme. E chegaram a fazer experiências com aquilo a que chamam os place holders, que são músicas que metem nas cenas enquanto não há música. Rechearam aquilo de Bandido! Só que eu não queria fazer uma banda-sonora só com aquilo. Havia [cenas do filme em] que eles já se começavam a habituar emocionalmente ao Bandido, então decidi reduzir [as canções] a esses momentos mais pertinentes, que tinham a ver com o próprio processo de fazer o filme. Porque, pelo que o Tiago me disse, o disco acompanhou-o nesse processo. Mas também queria fazer música para as cenas. Então mantivemos as canções que falam por si, com as cenas, e depois construí coisas que tivessem a ver com esse universo do Bandido, mas que fossem originais do filme.

Identificou-se com o filme? Com aquele subtexto de fim de inocência?
Completamente! Aquela cena do discurso do gajo do banco... [A personagem de Gonçalo Waddington, que discorre sobre os sonhos]. Acho que o Tiago Rodrigues [autor da peça que deu origem ao filme] tem essa capacidade de se afastar do quadro e ver as coisas de uma maneira muito simples e naïf e engraçda, mas ao mesmo tempo muito acutilante. Essa capacidade está patente no filme e depois também gostei muito da maneira como o Tiago Guedes resolveu a realização, no sentido de não adocicar demasiado o filme, de não o levar para as Amélies, dando-lhe um lado mais quotidiano e mais cru. Acaba por fazer com que tenha esse subtexto e não seja explícito.

E a música também evita fazer aquilo que se ouvia muito em reportagens de acontecimentos dramáticos, por exemplo: carregar de violinos cenas já dramáticas...
Uma das coisas que o Tiago me dizia muitas vezes era: “Não quero manipular”. Por exemplo, na cena da mãe, no fim, quando [a menina] diz: “não, não é isso que eu quero”, eu pus ali uma música bonita, com nostalgia. E ele disse: “eu não quero manipular”. E ficava ali tão bem! Mas, por outro lado, achei que ele tinha razão. Então pus a música nostálgica antes e deixei no silêncio, depois. Ele quis fazer uma boa gestão. E às vezes com os contrastes até fica melhor...

Identifica-se com a postura inquieta e questionadora da protagonista do filme? Era uma criança inquisitiva, também?
Não pensei sobre isso a esse nível, mas é inevitável identificarmo-nos com ela, porque [aborda] coisas muito comuns à vida de todos nós. E depois tem essa forma peculiar de ver as coisas, nada condescendente, que é outro dos aspetos de que gosto muito. E com alguma crueldade, até! Aquela cena com o pai é um reflexo dessa crueldade...

Quando diz ao pai que devia ter sido ele a morrer, em vez da mãe?
Essa cena é incrível. Então quem tem filhos, percebe essa merda. Nós ficamos magoadíssimos com certas coisas que eles dizem, mas ao mesmo tempo ficamos contentes por estarem a exteriorizá-lo e não o guardarem para eles. Há uma aprendizagem que é dual.

É um sinal de que estão a desenvolver o seu próprio raciocínio?
Se não disserem nada, pode ser sinal de que estão a guardar para eles! Quando te mandam uma [boca], no primeiro segundo aquilo transforma-te os órgãos em pó. No segundo, pensas: “oh pá, está a exteriorizar, está vivo”.

Sei que já tinha trabalhado para teatro, por exemplo, mas ainda assim - fazer a banda-sonora deste filme trouxe-lhe uma experiência nova?
Confesso que, para já, gosto mais de trabalhar em cinema! Embora tenha feito coisas de que gostei, o teatro em Portugal parece-me mais ingrato. Em teoria, as coisas são muito fixes, mas não há dinheiro, não há tempo, não há nada. E depois há outra questão: estou a fazer música para uma cena, naquele momento, porque os atores estão a construir as personagens [naquela altura]. Ou fazes uma residência artística e as coisas saem de raiz, ou muitas vezes, quando as coisas vão finalmente para o palco, começas a ver as personagens e percebes que a música não funciona e que não tens tempo para voltar a fazer. É um projecto de muito sofrimento; falo pela minha parte, da música. No cinema é um bocadinho mais fácil, porque chega-te o filme feito; podem mudar uns tempos aqui ou acolá, podes ter de tirar 10 segundos à música ou inventar mais 20, mas estás a trabalhar para a frente.

E entretanto já viu o filme com a sua música?
Já tinha visto, no [cinema] São Jorge, mas até suei frio. Fiquei mesmo triste, porque o som estava muito baixo - ainda não tínhamos feito o ajustamento final. As condições do espaço são muito fracas... Do que me tenho apercebido, é um dos problemas do cinema: ninguém respeita os protocolos de som, os sítios não estão bem preparados e o que sofre é a parte mais importante, que é a arte. Quando o filme já estava fechado e já não estávamos a ser contratados para fazer nada, fui ter com o António Porém Pires, que fez o foley do filme e com quem foi fabuloso trabalhar, e decidimos passar mais uns dias a melhorar o som. Claro que, por nós, ficávamos a trabalhar mais um mês! Mas estou muito feliz com o filme, mesmo muito feliz. Está super bonito.

Planeia editar esta banda-sonora em disco, por exemplo?
Sim! Eu fiz alguns trabalhos de bandas-sonoras que tive pena de ficarem só no suporte para que foram feitos. Há dias falei com um amigo que me disse: “tens de pegar nessas coisas todas e pôr num disco!”. É verdade que gostava muito de compor um disco com as várias bandas-sonoras que já fiz. E planeio fazer isso.

Manel “Bandido” Cruz, fotografado no Porto em 2008

Manel “Bandido” Cruz, fotografado no Porto em 2008

Frederico Martins

Voltando a “mexer” no espólio do Foge Foge Bandido, como olha para esse livro-disco lançado há 11 anos? Está ali um trabalho de grande magnitude...
Quando ouço o Bandido, há coisas que me fazem pensar: “isto não precisava de estar aqui”. Porque aquilo foi um descarregar de tudo, mas o Bandido também é isso. Mas tem coisas que me surpreendem e que agora, com o passar do tempo, adoro ouvir. E muitos dos instrumentais, na altura em que os gravei, já tinham uma certa nostalgia. Agora, aliados à nostalgia de o Bandido já ser uma coisa do passado, já é uma “re-nostalgia”! Sinto-me muito feliz por ter aquilo na minha vida.

No final de um ano com muito trabalho - lançou o disco a solo, deu concertos a solo e com Ornatos... -, está satisfeito com a forma como as coisas correram?
Em termos profissionais estou muito feliz! Porque as coisas funcionaram e os processos também foram, de um modo geral, gratificantes no sentido humano. As pessoas com quem me relacionei, que conheci, essa parte tem sido super benigna... No meu disco a solo, foi fantástico trabalhar com as pessoas com quem trabalhei - foi muito trabalho e muito conhaque, ao mesmo tempo. Nos Ornatos também foi fantástico. Acima de tudo, o que eu tiro daqui é a nossa amizade ter sobrevivido estes anos todos e estar, acho eu, melhor que nunca. E na estrada, a equipa que tenho é tudo gente que se dá e que trabalha com dignidade e com gosto. Essas são as coisas em que me profissionalizei, no sentido de tomar consciência do que é preciso para as coisas funcionarem bem, de pensar naquilo que é o trabalho dos outros e de tentar que toda a minha equipa esteja a funcionar bem, de boa saúde e a vestir a camisola pelos bons motivos. Isso é o que me faz ter ânimo para abraçar o futuro, que é o futuro evidentemente profissional e de muita logística e muito trabalho, que não é só criatividade. Para além daquela criatividade que há em tudo, e que é comum a todos nós, a parte da criação artística, no meio disto tudo, é muito pequenina. Essa é uma noção que as pessoas às vezes não têm.

Ornatos Violeta ao vivo na Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota
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RUI DUARTE SILVA

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Com os Ornatos Violeta, no Porto, a 31 de outubro de 2019
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Com os Ornatos Violeta, no Porto, a 31 de outubro de 2019

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RUI DUARTE SILVA

É aquela história da inspiração e da transpiração...
Sim, transpiração e muita gente a trabalhar nas coisas! Muita organização, muita gente que vive destas coisas e com quem tens de te organizar e fazer farinha, e essa é a parte mais difícil. Mas, ao mesmo tempo, também me deixa animado saber que nós queremos construir as nossas micro-sociedades a funcionar bem, em democracia, e com estado social. (risos)

É mais fácil tentar controlar o que acontece nessas nossas micro-sociedades do que tentar mudar o mundo...
É o único exemplo que podes dar! Tens uma empresa, tens um café ou seja o que for: as pessoas vão lá e percebem o exemplo que ali tens. Se os empregados estão a trabalhar contentes, se servem bem, se são simpáticos... Não notas isso se forem tentar mudar os cafés do país! Uma coisa que me tem animado muito é perceber que, ao contrário do que às vezes pensamos, que não temos poder nenhum... de repente pensas: “não tenho o poder todo, mas tenho algum”.

A solo no Capitólio, em Lisboa, em maio de 2019

A solo no Capitólio, em Lisboa, em maio de 2019

Cecile Lopes

“Há alturas em que ouço o 'Vida Nova' [álbum a solo lançado este ano] e penso: 'vai mas é fazer rock, c...!'”

Nos concertos a solo deste ano, pareceu sempre confortável em palco. Não que dantes estivesse mal, mas...
Eu percebo o que estás a dizer. (risos) Acho que perdi um bocadinho o medo àquilo e a questão agora passa mais por usufruir. Usufruir e partilhar, está tudo misturado. Também tem a ver com assumir que, mesmo que o espaço criativo em que estás possa não ser a última Coca-Cola do deserto, vai ser o melhor possível, se tirares o melhor partido. É um bocadinho esse “achantrar” que me dá frutos. (risos) Porque chegas ao fim e não interessa o que as canções são, o que interessa é se as pessoas que estiveram ali conseguiram mergulhar no momento.

Mesmo em concertos com problemas técnicos, com tudo para correr mal, conseguiu dar a volta. Como no Clube Ferroviário, em Lisboa, por exemplo.
Miserável, sim. Isso para mim foi um case study. Até bastante perverso, porque pensei: “péssimas condições, a roçar a falta de respeito, e eu dei conta do assunto. Mas eu não quero isto”. (risos)

O seu disco a solo, “Vida Nova”, parece saber melhor agora do que quando saiu. Será um disco de outono-inverno?
(Risos) Confesso que o “Vida Nova” tem mudado, para mim. Houve alturas em que não sabia o que aquilo era, outras em que comecei a ouvir e a pensar: “gosto mesmo disto”. Há outras em que ouço e penso assim: “f..., vai mas é fazer rock, c...!”. (risos) Estas merdas são super voláteis.

Mas deixou tantas canções de fora, que continua a apresentar ao vivo, que podia lançar agora a versão rock do “Vida Nova”!
Temos muitas! Eu escolhi [as canções] dentro deste conceito de ter um disco que fosse suave. Estava numa altura em que não me apetecia ir à cara, apetecia-me contemplar, apetecia-me até exorcizar um bocado aquele medo do mole. Não ter medo disso, não ter medo da água.

Com os Ornatos Violeta, no Porto, a 31 de outubro de 2019

Com os Ornatos Violeta, no Porto, a 31 de outubro de 2019

RUI DUARTE SILVA

E já se habituou a tocar com os Ornatos em salas enormes, como o Pavilhão Rosa Mota ou o Campo Pequeno, ou ainda é vagamente estranho?
Mais do que no outro regresso, eu senti que isto estava mesmo a acontecer agora! Até há coisas das músicas que estou a reviver, na fase da vida em que estou. E depois há uma ligação entre nós muito menos expectante, muito mais de usufruir o momento e constatar que o nosso passado já é passado, ou seja, estamos a viver uma vida nova, com muito carinho uns pelos outros. Tem a ver com a sensação de estares, ou não, protegido no sítio em que estás. Mesmo que as outras pessoas te queiram proteger, às vezes, por muitas razões e questões mal resolvidas, não sentes que o estejas. Se no outro regresso senti que as coisas estavam resolvidas, neste momento sinto que já nem é um assunto.

Já estão numa fase mais à frente...
Somos amigos a curtir a sorte que tivemos, estás a ver?

O filme “Tristeza e Alegria na Vida das Girafas”, com música de Manel Cruz, já estreou em todo o país. A 6 de dezembro, Manel Cruz toca com os Ornatos Violeta no Campo Pequeno, em Lisboa, num concerto 360º.