Curtis Harding trouxe a sua alma antiga ao Super Bock em Stock e nem o clássico 'To Love Somebody' lhe resistiu
24.11.2019 às 2h03
A soul psicadélica de Curtis Harding encheu o Coliseu dos Recreios durante uma hora de emoções fortes
Depois de causar boa impressão na edição do ano passado do festival Vodafone Paredes de Coura, o norte-americano Curtis Harding regressou a Portugal para o concerto da confirmação. Não desiludiu. Ao longo de uma hora de atuação com soul a correr nas veias, o músico de 40 anos usou e abusou da sua voz encorpada e áspera, que ora vai à igreja para se elevar ainda mais ora puxa para um lado mais americana, deixando o Coliseu dos Recreios pelo beicinho. Um falsete no ponto, que arriscou apesar de assumir: "a minha voz não está no seu melhor", ajudou-nos a acreditar na capacidade redentora de um artista que é de hoje mas parece ter vindo de outro tempo.
Se 'Drive My Car' nos faz pensar num final de tarde quente num saloon perdido no deserto, 'On and On' puxa-nos o pé para a dança e a balada 'Castaway' pede um ombro amigo. O clássico 'To Love Somebody', que pode até ter saído da pena dos Bee Gees mas se tornou património comum ao longo dos tempos (Nina Simone, Janis Joplin, Michael Bolton... até Billy Corgan a cantou), deixa a plateia ao rubro, preparada para enfrentar uma segunda parte de concerto exigente. Entre canções concisas mas intensas, Harding puxou do seu melhor groove em 'Need My Baby', muito aplaudida, e num gingão 'Heaven's on the Other Side'. O hino 'Need Your Love', claro, ficou bem guardado para o final.
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