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Manel Cruz fala sobre a banda sonora de “Tristeza e Alegria na Vida das Girafas”: “Gostei que não levassem o filme para o lado Amélie”

O filme estreia hoje em todo o país. O autor da banda-sonora, Manel Cruz, fala sobre o trabalho de criação de uma banda-sonora que procura acompanhar a beleza “e a crueldade” de uma história especial

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Na reta final de um ano preenchido, em que lançou o disco a solo “Vida Nova” e deu vários concertos com os Ornatos Violeta, Manel Cruz volta a ser notícia, desta vez pela banda-sonora que fez para “Tristeza e Alegria na Vida das Girafas”, o filme que hoje, 21 de novembro, estreia em todo o país.

O envolvimento de Manel Cruz no projeto de Tiago Guedes e Tiago Rodrigues surgiu da admiração do primeiro, realizador, pela sua obra.

O Tiago já tinha uma afinidade com o Bandido, gosta muito do disco e achou que ele tinha muito a ver com o filme”, contou-nos Manel Cruz, referindo-se ao seu disco-livro de 2008, enquanto Foge Foge Bandido. “Mas eu não quis pegar no Bandido e fazer uma banda-sonora só com aquilo”, explica. Daí nasceu a ideia de ceder ao filme várias canções daquele projeto e de escrever músicas para algumas cenas, como 'Trabalho Escolar', 'Conversa com o Ministro' ou 'Fanfarra Assembleia', que sampla discursos de Pedro Passos Coelho e Assunção Cristas.

Para Manel Cruz, o processo foi prazeroso e o resultado é algo com que se identifica. “Acho que o Tiago Rodrigues [autor da peça que deu origem ao filme] tem essa capacidade de se afastar do quadro e ver as coisas de uma maneira simples, naïf e engraçada, mas ao mesmo tempo acutilante. Também gostei muito da maneira como o Tiago Guedes resolveu a parte da realização no sentido de não adocicar demasiado o filme, de não o levar para as Amélies, dando-lhe um lado mais quotidiano e mais cru. Estou muito feliz com o filme, está super bonito”, considera.

Em “Alegria e Tristeza na Vida das Girafas”, a protagonista, uma menina de dez anos, tenta gerir, com tanta racionalidade como fantasia, a perda da mãe. O pai, um ator desempregado e deprimido, e o ursinho de peluche com vida própria e língua afiada são os companheiros da garota que se apresenta como Girafa, por ser muito alta para a idade.

“É inevitável identificarmo-nos com ela, porque [lida com] coisas muito comuns à vida de todos nós. E a forma peculiar, nada condescendente, de ver as coisas é outro dos aspetos de que gosto muito. Com alguma crueldade, até!”, salienta Manel Cruz que, em colaboração com Tiago Guedes, procurou não tornar o filme “redundante” com a sua música. “Uma das coisas que o Tiago me dizia muitas vezes era: 'Não quero isto!'. Por exemplo, na cena da mãe, no final, eu pus ali uma música bonita, com nostalgia. E ele disse: 'eu não quero manipular'. E ficava ali tão bem! Mas por outro lado achei que tinha razão. Então pus a música nostálgica antes e deixei o silêncio depois. Às vezes esses contrastes até funcionam melhor”.

“Tristeza e Alegria na Vida das Girafas” estreia esta quinta-feira. No próximo fim-de-semana, poderá ler aqui na BLITZ uma entrevista longa com Manel Cruz acerca do seu trabalho na banda-sonora e os outros projetos que o ocuparam este ano.